Nas primeiras décadas do futebol carioca, falar em gol era o mesmo que falar em Nilo. Um dos mais letais atacantes de todos os tempos, ele nasceu há exatos 115 anos e foi o maior artilheiro de seu tempo nos campos do Rio de Janeiro. De seus pés, saíram 196 gols com as camisas de Botafogo e Fluminense. O baixinho Nilo teve ainda uma passagem de sucesso pela Seleção Brasileira, com a qual disputou a primeira Copa do Mundo, em 1930.

Nilo Murtinho Braga nasceu no Rio de Janeiro, em 3 de abril de 1903. Embora tenha começado no time mirim do Fluminense, chegou ao Botafogo em 1919. Embora tenha atuado nos dois primeiros anos sem muito destaque, acabou tendo entreveros internos com a diretoria e tomou a inusitada decisão de ir para o Sport Club Brasil, da segunda divisão do Carioca. O motivo era não precisar enfrentar o Alvinegro, seu clube de coração.

No Brasil, Nilo fez sucesso no ano de 1922, voltando ao Bota na temporada seguinte, anotando 12 gols. Voltou a sair do Alvinegro, teve nova passagem pelo Sport Club Brasil e, depois, regressou às Laranjeiras, onde começou a fazer crescer seu futebol, após as primeiras chamadas à Seleção Brasileira. Pelo Flu, foi artilheiro do Carioca de 1924, ano em que conquistou seu primeiro título na competição. Fez 28 gols, o dobro do segundo colocado.

Se não voltou a levantar a taça pelo Flu, voltou de vez ao Botafogo em 1927. Logo na temporada de retorno, voltou a ser artilheiro do Carioca, marcando incríveis 30 gols. Destacaram-se as atuações contra o Flamengo, na histórica goleada por 9 a 2, quando marcou quatro vezes. Três semanas depois, balançou a rede em nada menos que seis oportunidades nos 8 a 1 em cima do Villa Isabel. Foi assim que entrou de vez para a história alvinegra, ganhando o título carioca daquele ano.

A dominância de Nilo entre os atacantes do Rio se manteve nos anos seguintes, mantendo grandes marcas com as três camisas que vestia: Botafogo, Seleção Brasileira e Seleção Carioca. Em General Severiano, tornou a ser campeão em 1930. Depois, fez parte do time que conquistou o inédito tetracampeonato carioca, entre 1932 e 1935. No ano do bi, foi novamente goleador, anotando 19 vezes. Na Seleção, fez 11 gols em 19 partidas e disputou a primeira partida do Brasil na história das Copas do Mundo, uma derrota por 2 a 1 para a Iugoslávia, no Uruguai.

Nilo encerrou sua carreira vitoriosa em 1937, aos 34 anos. Quando parou, ninguém tinha mais gols no Rio do que ele. E assim se manteve até os anos 50. Somou, ao todo, seis títulos cariocas, uma Copa Rio Branco, um Torneio Interestadual e cinco Brasileiros de Seleções. É, até hoje, o quinto maior artilheiro da história dos cariocas, só atrás de Roberto Dinamite, Zico, Romário e Ademir Menezes. Ostenta, ainda, uma marca rara: a de ter feito seis gols no mesmo jogo em duas oportunidades, pelo Botafogo, clube em que também é o quinto maior goleador (190 gols).

Nilo faleceu em 5 de fevereiro de 1975, aos 71 anos. Os feitos do maior artilheiro dos tempos amadores do futebol, no entanto, ficam para a eternidade.

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