28/03/2014 às 22h59m

Torcedor só vai na boa aos estádios; mas não foi sempre assim?

Públicos baixos marcam a temporada, mas não são novidade

Salve, galera! "A Cultura do Futebol", mais uma vez em FutRio.net.

Que os públicos do Campeonato Carioca são ridículos, todo mundo sabe. Até os jogos de ida da semifinal, nenhuma partida levou míseros 20 mil torcedores a qualquer estádio. Aí, levanta-se todo o tipo de hipótese: baixa no preço dos ingressos, mudança no regulamento, extinção dos Estaduais... De fato, é a pior média de público de nosso Cariocão, mas será que isso é novidade em nosso futebol?

Muita gente tem comentado sobre o fato do torcedor dos clubes cariocas só "ir na boa". Ou seja, acompanhar massivamente os jogos de seu time apenas em momentos realmente importantes, como decisões de título ou classificação, ou mesmo em brigas para evitar o rebaixamento - algo que nós, cariocas, estamos mais acostumados a ver, ultimamente... Mas a grande verdade é que isso não é novo em nosso esporte, mesmo que os números atuais sejam esdrúxulos a ponto de nos fazer refletir o que há de tão errado.

Até por questões de segurança, não veremos mais o Maracanã entupido com mais de 100 mil pessoas. A impressão que dá é que todos os jogos até a primeira reforma (em 2000, para o Mundial de Clubes) tinham públicos acima de 50 mil torcedores. E é claro que não era assim. Tudo bem, a capacidade do estádio era bem maior, os preços dos ingressos estavam longe de ser abusivos. Além do que nem todas as partidas passavam na TV. Isso ajudava a galera a colocar sempre cinco dígitos no público presente do Maraca. O que não quer dizer que não tivéssemos jogos com pouca presença de torcedores.

É só lembrar de quando o querido Bangu esteve na Libertadores, em 1986. Num empate em 3 a 3 com o Deportivo Quito (EQU), o Maracanã recebeu apenas 148 torcedores. Não, não foram 148 mil; foram menos de duzentas pessoas mesmo. Ok, o Banguzão já estava fora, o jogo foi às 21h30 e chovia. Mas nem o velho templo do futebol, ainda nos seus tempos "intactos" esteve imune à pouca adesão da galera. E mesmo os jogos dos grandes, incluindo clássicos, nem sempre tinham públicos absurdos.

Há quem diga que isso é um sinal de que o brasileiro não gosta de futebol, mas sim de ganhar. Não gosto muito dessa tese, mas reconheço que é muito mais cômodo para qualquer torcedor, de qualquer clube, gastar seu dinheiro e seu tempo para acompanhar um jogo mais importante ou simplesmente mais fácil, de vitória quase certa. Ainda mais hoje em dia, com ingressos tão caros e problemas de transporte para chegar às praças esportivas. Era comum, até uns anos atrás, ir ver dois ou três jogos do seu time por mês. Hoje, dá para contar nos dedos quantas vezes você vai ver seu time no estádio em um ano. Não é verdade?

Toda essa soma de questões - ingresso caríssimo, estacionamento com preço abusivo etc. - ajuda a formar essa cultura de "só ir na boa". Não é novidade, mas a "modernidade" do futebol já vai começando a criar novos parâmetros para isso e afasta ainda mais a galera dos jogos. O Cariocão-2014 prova isso. O que mais terá que acontecer para que possamos rever os conceitos e trazer o torcedor de volta aos jogos, nas horas boas e ruins? Com a palavra, os organizadores de campeonatos...

Livro de cabeceira
Na semana em que se completam os 50 anos no golpe que colocou os militares no poder e iniciou uma terrível ditadura em nosso país, destaco "Futebol e Ditadura" (Centro Cultura Ceará Sport Club), livraço do Nando Coimbra, irmão dos grandes Zico e Edu, e que foi perseguido durante os "Anos de Chumbo". Detalhes sobre suas vivências e do quanto teve de abrir mão para não prejudicar a carreira dos familiares são alguns dos pontos altos.

Jogando por música
Aproveitando o tema da coluna, vamos com uma música simbólica deste Estadual: "Cadeira Vazia", de 1949, composta pelo fantástico Lupicínio Rodrigues e por Alcides Gonçalves. Na voz do inesquecível Jamelão.

Por enquanto, é isso. Semana que vem tem mais. Grande abraço.

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06/03/2014 às 23h59m

Tricô, cano alto... O que mais falta inventarem nas chuteiras?

Tecnologia chega cada vez mais forte ao futebol

Salve, galera. Mais uma edição de "A Cultura do Futebol", agora no novo formato do FutRio.net.

O tempo passa, o tempo voa, e as inovações no futebol não param nunca. Com a aproximação da Copa do Mundo, as seleções apresentam kits cada vez mais coloridos (apesar da tentativa da Fifa em impor que  os uniformes de jogo sejam monocromáticos, o que considero bobagem) e os fornecedores de material esportivo se aprontam para divulgar os novos lançamentos. Com os calçados dos grandes artistas da bola, não é diferença.

Só que, neste ano, pelo menos duas novidades dominaram a mídia. Uma chuteira de tricô (isso mesmo), é a aposta da alemã Adidas. Pela primeira vez na História, uma peça feita de malha será utilizada, estando nos pés de Luis Suarez, atacante do Uruguai e do Liverpool (ING). A outra estreia será a da chuteira de cano alto, da americana Nike, como os tênis dos jogadores de basquete. David Luiz, Thiago Silva e o espanhol Iniesta estão entre os usuários do calçado.

Vendo tudo isso, me pergunto o que falta inventarem nas chuteiras. Porque, a cada ano, observamos peças cada vez mais finas e mais leves. Isso não é uma crítica, mas fico realmente intrigado ao ver até onde vai a criatividade de designers nesse sentido. A tecnologia dá passos importantes com esses novos materiais, que teoricamente facilitam a vida do jogador dentro de campo. Digo teoricamente porque a última vez que calcei uma chuteira de futebol de campo foi há mais ou menos uns 15 anos.

E é claro que invocações na fabricação das chuteiras estão longe de ser novidade. É só parar para ver como eram os primeiros "pisantes" dos jogadores. Nos tempos da bola de capotão, que virava quase uma pedra quando chovia, as chuteiras tinham travas de metal, que chegaram a ser proibidas. E o cano alto já existia (e estava em voga) há mais de 100 anos. Só a partir da metade do século é que a chuteira passa a "terminar" pouco acima do calcanhar, como um tênis de cooper. As travas passaram a ser parafusadas e o material deixou de ser o couro para ganhar um aspecto mais sintético.

É daí em diante que tudo muda, justamente o momento em que os negócios começam a falar alto dentro do futebol. Os novos sistemas para a fabricação das chuteiras busca dar conforto aos jogadores, mas sem afetar sua performance e preocupando-se sempre com o estilo. De fato, algumas peças viraram clássicas e, de uma década para cá, até as cores passaram a mudar. Do tradicional preto, vieram o branco, o prateado (consagrado por Ronaldo) e várias outras tonalidades.

Tanta mudança fez com que muitos condenassem a "banalização" das cores das chuteiras, algumas realmente de gosto duvidoso. Mas quem tem qualidade joga com qualquer calçado, embora eu até sinta falta de mais chuteiras pretas... Aliás, ainda há quem compre chuteiras coloridas, mas passe uma tinta para deixá-la escurecida. Sinal de que os clássicos nunca são esquecidos.

Por fim, a inovação na ferramenta mais importante para o jogador em campo continua acontecendo e não tem data para ser interrompida. Mas admito que não consigo enxergar para onde tanta criatividade vai se espichar...


Livro de cabeceira
Vem aí a Copa do Mundo e, com ela, muitas lembranças das edições anteriores. Aqui, vem uma compilação de muitas impressões sobre aquele que, talvez, tenha sido o Mundial mais inesquecível das últimas décadas. "82 - Uma Copa, Quinze Histórias" (Ed. Casarão do Verbo), de Mayrant Gallo, é um encontro de 15 autores sobre o fatídico Brasil x Itália do Sarriá, há 32 anos. Derrota que marcou uma geração para sempre. Grande leitura.

Jogando por música
A Portela voltou a ir bem no Carnaval, embora continue em seu longo jejum de 30 anos sem títulos. De qualquer maneira, aqui vai uma homenagem aos craques da Águia, como Paulinho da Viola e Monarco. "Miudinho", de 1978, coisa fina desses gênios ao lado da Velha Guarda da escola.

Semana que vem, tem mais "A Cultura do Futebol". Grande abraço.

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O Autor

Gabriel Andrezo é narrador, repórter e amante do esporte mais popular do mundo.

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