Em 14/08/2015 às 23 h28

Luis Guilherme agarra-se aos livros e se mostra politizado em hiato na carreira

Formando em Psicologia, goleiro adquire bagagem cultural antes de volta ao futebol


Autor: Gabriel Andrezo / Fotos: Gabriel Andrezo (FutRio) e Vitor Silva (SSPress)

Nos dias atuais, futebolistas de 23 anos já não são mais rotulados como promessas: ou se é realidade, ou enganação. Por exemplo, Neymar, aos 23, é capitão, camisa 10 e quinto maior artilheiro da história da Seleção Brasileira. Há quem já tenha também, com a mesma idade, rodado por clubes grandes sem sucesso, sendo relegado aos medianos. E, dentre todos, existe ainda quem tenha preferido abrir a mente a outras metas. É aí que entra Luis Guilherme Marcelino Alves, afastado momentaneamente do futebol, menos por lesões e mais por objetivos que vão na contramão da tendência de tantos jogadores. Como seguir um caminho de evolução intelectual e de entender melhor as relações humanas.

Luis Guilherme chegou aos profissionais do Botafogo com só 16 anos. Era o goleiro dos juniores e considerado a grande promessa de sua posição. Passou pelas seleções de base e fez testes por Arsenal e Manchester City (ING), além do Lyon (FRA). Porém, vieram lesões que o deixaram fora de combate por um longo tempo. E o tempo foi passando: 19, 20, 21 anos, empréstimos a Bangu, Boavista, Bonsucesso... E nada da oportunidade aparecer. Até que, em junho deste ano, seu longo vínculo com o Botafogo acabou. E Luis fechou um ciclo de 12 anos em General Severiano.

Hoje, ele está se formando em Psicologia, ofício para o qual estudou, paralelamente à carreira de jogador. Eis onde Luis se diferencia, não só pelo diploma universitário que terá, mas pela visão de mundo e consciência que já possui. Enquanto mantém a forma, Luis Guilherme se divide entre livros, música, redes sociais, curso de idiomas e outros passatempos. Para o goleiro, que falou em entrevista ao FutRio.net, a experiência de adquirir uma bagagem cultural - que poucos jogadores profissionais têm - vem sendo essencial para seu amadurecimento e também para entender como uma das maiores promessas de sua geração ainda não pôde ter o sucesso esperado no futebol.

- Acredito que a Psicologia desconstruiu muitos conceitos que eu tinha a respeito do futebol, da comunicação social, das pessoas e tudo mais. Partindo disso, a gente começa a entender melhor, a ter uma visão que vai além das questões econômicas, financeiras. Você passa a olhar para uma outra pessoa como alguém que tem uma história, uma perspectiva, um sofrimento, e passa por isso tudo. Essa ótica que a Psicologia me trouxe é importante, não só para mim, mas para lidar com os outros dentro do futebol e até em outros meios - afirma o jovem goleiro.

Confira abaixo a entrevista completa de Luis Guilherme ao FutRio.net.

Seu último jogo oficial foi em março do ano passado, há quase um ano e meio atrás. Está otimista pelo seu futuro como jogador profissional?
Eu tenho objetivos bem realistas. Sei que, neste ano, está bastante complicado no mercado do futebol, especialmente quanto a goleiros. Então, tenho umas metas bem estabelecidas. Primeiro, é manter a forma física, que é o que venho fazendo. Depois, manter a forma técnica. O mais breve possível, já quero estar novamente de contrato assinado para voltar às atividades normalmente. Mas é claro que isso depende da disponibilidade dos clubes.

Na base do Botafogo, você já era considerado um prodígio desde cedo, mas nunca recebeu uma chance como profissional. O que acha que faltou para se tornar uma realidade no clube?
Acho que me faltaram exatamente os 90 minutos, que eu não pude ter em dez anos de profissional. Criou-se a expectativa para que isso fosse possível, mas infelizmente não pude jogar. Então, acabou sendo um fator preponderante. Houve ainda algumas lesões e isso foi diminuindo meu espaço dentro do Botafogo. Na base e nos amistosos, pude ir bem, mas a falta de jogos fez a diferença.

Você conviveu com o Jefferson como companheiro de posição, o quanto isso te ajudou?
O Jefferson foi meu grande professor na posição, sem dúvida. A qualidade dele é singular, um atleta que, tecnicamente não deixa a desejar em nenhum ponto. É um cara muito frio e tem uma ótima conduta, tanto dentro quanto fora de campo. Ele foi um grande exemplo para mim e para vários outros jogadores jovens também, que estavam ali.

imageNão ter jogado nenhuma partida pelo Botafogo, onde você ficou por tantos anos, foi decepcionante?
Em alguns momentos, sim. Porque é um objetivo que se traça, algo que a gente tenta alcançar. Me chateou não conseguir fazer isso dentro do tempo que tive. A gente sabe que a posição de goleiro é mais rígida, mais delicada nesse sentido de troca, de oportunidade. Infelizmente, o contexto para eu ter uma chance acabou não sendo favorável.

Na base, você esteve ao lado de jogadores como Neymar e Philippe Coutinho, defendendo a Seleção. Como era sua relação com eles?
Com o Coutinho, eu já tenho uma relação até mais estreita, por ter jogado futsal com ele no Madureira. Nossas famílias têm uma grande amizade. E o Neymar entrou na Seleção naquela época para nunca mais sair, está aí até hoje. Desde cedo, eles eram dois jogadores de muita qualidade, são extraordinários desde os 15, 16 anos. Mas a gente sabe que existe um "funil" no futebol, até na Seleção. Hoje, é só um ou outro que se mantém no ciclo, embora houvesse muita gente talentosa naquele time. Com jogadores de linha, é até um pouco mais fácil porque depende de esquema tático, lesão, adaptação, suspensões. E com goleiro acaba sendo mais complicado.

Pensa que poderia estar hoje no nível deles, até numa Seleção principal?
Pode ser que sim, mas a gente sabe que Seleção, para goleiro, é uma coisa que demora. Salvo umas exceções, como o Alisson (goleiro do Internacional), que foi convocado aos 22 anos. O próprio Jefferson foi campeão sub-20 e voltou a ser convocado só quando completou 28. É um processo mais lento, tem que ter mais paciência. Aqui no Brasil, ainda existe aquela cultura do goleiro mais velho, mais amadurecido, diferente do que acontece na Europa, por exemplo. Lá, tem Courtois, Ter-Stegen, todos jovens e titulares onde jogam. É uma disponibilidade maior, a idade não é um critério que pesa tanto.

Você ainda é jovem, tem 23 anos; como vê seu futuro no mercado do futebol?
Não abro mão de saber da minha qualidade, tenho consciência disso. Mas é claro que há condições que fazem diferença. A saída no meio da temporada, a falta de jogos, o mercado mais restrito para goleiros, isso já pesou contra. Mesmo assim, quando chegar o momento, a carreira segue. Sou novo e o goleiro que se cuida pode jogar até os 38, 39, 40 anos. Os goleiros brasileiros levam um pouco mais de tempo para jogarem com regularidade. Então, por tudo isso, acho que dá para manter uma relativa tranquilidade, sim.

São poucos os jogadores profissionais que podem ter um diploma universitário, ainda mais tão cedo. Você se sente privilegiado por isso?
Acho que sim. Esse é um mundo totalmente diferente, até meio estranho para um jogador. A gente não tem essa cultura de incentivo ao atleta aqui no Brasil. Estudar foi uma precaução que tomei quando me lesionei, em 2011. Mesmo que eu não me torne bem sucedido como atleta, por alguma razão, posso desenvolver uma carreira na Psicologia ou em outra área, me especificar. E aí você abre um mercado. Hoje, conciliar o conhecimento de campo com o teórico é importante porque o mercado do futebol carece disso cada vez mais.

imageEssa maturidade que você tem hoje, para alguém da sua idade, acredita que isso pode te ajudar no futuro?
Ajuda no sentido de saber administrar e contornar este momento, que é adverso. O sentimento de uma expectativa que você tem e que ainda não foi cumprida, os medos de seguir ou não na carreira, da vida fora do campo; isso tudo preocupa. Mas, graças ao conhecimento que adquiri, e também à força da minha família, da minha esposa, isso me mantém mais centrado e motivado, me faz pensar mais em outras possibilidades.

Quais foram as maiores discrepâncias que você observou entre sua passagem pelo Botafogo, junto a nomes consagrados, e os times menores, com realidades estruturais diferentes? Isso te assustou?
Não é que tenha me gerado um susto, mas sim uma constatação. A gente sempre soube, por alto, que o futebol é um "funil", com suas dificuldades. E, apesar do Botafogo ser grande, o clube passou por muitas dificuldades na base. O Botafogo de hoje vive uma realidade bem diferente da de antes e eu aprendi a lidar com isso. Só que no âmbito da base é uma coisa, profissionalmente a coisa é diferente. Tem jogador que ganha 700 mil, 900 mil por mês, já é rico, milionário. E tem jogador, em time menor, ou no próprio clube grande, que ganha uns R$ 2 mil, com atraso, tendo família e tudo mais. É um abismo imenso, não só nisso, mas em tudo que tange a estrutura do futebol: exposição, marketing, dinheiro, estrutura... É um universo à parte. Isso, eu tive a chance de ver e foi uma experiência me enriqueceu bastante. A cultura do futebol vai muito mais além do que passa na TV e é bem mais ampla quando se sai desse âmbito. O que a gente vê é só o 1%, os atletas que deram certo. Mas tem milhões aí que não têm condição, entram em situações análogas até às de trabalho escravo, e que eu pude constatar. Isso me deixa triste e precisa mudar no futebol brasileiro.

Você se considera um jogador politizado?
Hoje, posso dizer que sim. E isso partiu do meu interesse em saber como funciona a questão política no Brasil. Acho que falta essa vontade no jogador brasileiro em geral. Mas, por outro lado, a gente aqui tem uma visão de que o jogador que reivindica seus direitos é um incômodo. Porque a estrutura é tão instituída, mas também tão defasada, que ela não permite que os jogadores com essa visão se expressem muito. Por exemplo, o Paulo André, os atletas do Bom Senso, tiveram uma grande resistência por parte das diretorias de clubes, no princípio. E é necessário que se discuta isso. Na NBA (liga norte-americana de basquete), houve uma greve e os jogadores decidiram que o sistema estava errado, porque isso não envolve só os atletas, é toda uma indústria do entretenimento, é preciso observar todos esses milhares de componentes. Na questão política, o futebol brasileiro ainda precisa de gente que pense, critique, para promover um futebol melhor.

O que acha da inciativa do Bom Senso Futebol Clube?
Acho uma ideia espetacular. O jogador consagrado tem um peso no seu discurso que é diferente do jogador de um time pequeno, que primeiro tem que provar seu futebol para tentar promover mudanças. Então, você vê um Alex, um Dida, um Seedorf, que têm um peso no esporte para fazer esse discurso. Só que é necessário fortalecer ainda mais. Os jogadores têm sindicatos e essa força sindical tem que ganhar força para que os atletas tenham relevância política e mudem o sistema. Hoje, o nosso futebol, em relação a outros mercados, está ficando defasado. Nossa forma de vender e produzir o futebol tem que passar por uma reestruturação. E não é uma opinião pesssoal, tem índices aí que comprovam isso. Por exemplo, perder uma Copa do Mundo em casa por 7x1, ter uma média de público baixa nos jogos daqui, enquanto jogos da liga dos Estados Unidos têm 40 mil pessoas, e os da Alemanha com 80 mil. Tem uma liga como a da Inglaterra que é totalmente estruturada e igualitária. É isso que se deve trazer para o futebol daqui.

Por que você acredita que o jogador brasileiro comum, em geral, não pensa assim?
Sempre que você abraça uma causa política, você entra por um lado e, automaticamente, se questiona um outro. No caso do Bom Senso, ele vai de encontro à questão das diretorias, das federações. É uma relação "trabalhador-patrão". E revoltar-se ou propor mudanças à essa estrutura, que te emprega e paga o seu salário, é meio complicado. Os clubes, mesmo sendo muitos, são minoria em relação à quantidade de jogadores. Então, o atleta é uma peça. Por isso é que é necessário um cara de peso para promover esse discurso. O jogador fica receoso, tem o seu ganha-pão e não quer entrar em conflito para sair prejudicado depois. O grande problema do discurso político é que você tem uma ideia, sabe que ela vai trazer benefícios, mas com medo de represálias, acaba não abraçando essa ideia. E tem um segundo fator, que é a nossa cultura. Ela reforça outros tipos de comportamento, como o consumo, a idolatria. E o jogador abraça isso porque dá popularidade, é o que vende. Se vê muito mais jogador esbanjando carrões, tirando fotos, porque isso vai gerar uma repercussão maior, do que alguém que busca uma visão mais ampla do futebol, o que já não repercute.

imageVocê tem um blog, o "Pensamento Além da Meta" (pensamentoalemdameta.blogspot.com), em que escreve com alguma frequência. O que mais gosta de abordar por lá?
Eu utilizo o blog como algo esporádico. Por exemplo, estou aqui sentado, vejo algo interessante e acho que vai dar um texto. Vou lá e escrevo. Muitas vezes, são textos de motivação, crônicas, como a carta de despedida que fiz ao Botafogo. Muitas vezes, entro também num discurso político também. É um compartilhamento de ideias, um espaço que uso para divulgar meu trabalho e promover minha visão de mundo, algo que consegui construir para compartilhar com os outros.

Você postou nas redes sociais que está aprendendo francês... Como surgiu esse interesse?
Gosto muito de informática, então mexo muito em aplicativos de telefone. Acabei achando um que promove o curso de várias línguas. Domino bem o Inglês, mas o Francês surgiu por curiosidade. Tem uma plataforma interessante para aprender o básico do francês. A gente sabe que, às vezes, o jogador vai parar em outro país e ter uma base no idioma já ajuda na adaptação. Inglês, Francês e Espanhol são línguas bem aceitas na Europa e isso pode agregar para minha carreira, futuramente. Acho importante buscar o Francês não só pela viagem que fiz para treinar no Lyon, mas é que acho um idioma bonito, elegante de se falar. Isso foi despertando meu interesse. Eu já tinha o inglês mais ou menos fluente, me comunicava sem problema. É um novo desafio.

Um goleiro negro que ficou estigmatizado no futebol brasileiro foi Barbosa, após a Copa do Mundo de 1950. De alguma forma, você se identifica com ele, o considera um ídolo?
O Barbosa é um ídolo no sentido de algo muito presente no futebol, mas que é muito sutil: o preconceito com goleiros negros. Hoje, a gente tem o Jefferson, titular da Seleção, que é negro. Mas demorou um tempo para que isso fosse conquistado. Após a perda da Copa de 50, ficou muito marcante. E o relato do Barbosa sobre aquele Mundial, os fatores contatos por ele, puderam ser vistos agora em 2014. A exposição demasiada, a festa exagerada, sem que se isolasse os atletas de todo o evento. O que ele conta tem muito a ver com a tragédia do ano passado. Como dessa vez foi um 7x1, um resultado elástico, em que não se pôde pegar só um como culpado, o caso do Barbosa teve todo o peso de uma Copa perdida, por uma falha atribuída a ele. E o Brasil ainda não tinha se consolidado como expoente no futebol, naquela época. Então, o peso sobre ele foi muito maior do que agora. Fora o estigma que veio a reboque, para outros jogadores. Ver o relato do Barbosa é como assistir à história do vilão, ver o que pesou contra e o que aconteceu de fato na História.

Você já sofreu com racismo no futebol, ou já sentiu ter sofrido alguma vez?
Eu já ouvi três coisas, que guardo comigo até hoje. Uma: "goleiro preto tem osso pesado". Outra: "preto de luva é lixeiro". E já tive dificuldade para ser convocado à Seleção por ser negro. Essa última me marcou muito. Logo em seguida, teve o Sul-Americano Sub-17, em 2009, que ganhamos, mas isso ficou marcado porque não é algo explícito. Quando passa a ser, vira o que foi o caso do Aranha, ou o do Arouca, mas está ali sempre. O preconceito está presente o tempo todo, mas é velado, sutil. E, infelizmente, mesmo com uma grande população negra e mestiça muito grande no Brasil, isso ainda existe no futebol. E também no país como um todo, não só preconceito racial, mas com relação à classe social, orientação sexual. Está tudo aí, não se pode negar que está presente todos os dias.

O quanto uma figura como Jesse Owens (atleta negro norte-americano que ganhou quatro medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de 1936) te inspira?
Imagina você chegar dentro da Alemanha nazista e ganhar tudo que disputar. Posar de frente pro Führer e provar que ele estava errado; que o ariano não é melhor que o negro. Mas isso também não quer dizer que o negro é superior; é igual. Em alguns aspectos, há vantagens ou desvantagens, mas o branco não é melhor por ser branco, nem o negro é melhor por ser negro. E o Jesse Owens mostrou isso de forma perfeita porque não ficou no discurso. Ele provou ali, na corrida. Foi lá e ganhou. Levo isso comigo porque, quando alguém duvida da nossa capacidade, não se pode levar para o discurso, porque aí você se iguala. Tem que provar que você é tão bom quanto, ou melhor. É essa a mensagem que sempre carrego comigo.

Depois de todas essas evoluções técnicas e intelectuais durante esse hiato na carreira, você volta melhor após esse hiato?
É claro. Eu passei por um período intenso porque entrei no Botafogo com 11 anos. Com 15, já estava no profissional. Meu contrato terminou agora, com 23. Foi tudo muito rápido. Exigiu uma adaptação muito grande, mas pouca reflexão. Então, estou tendo esse tempo agora para isso: parar, pensar, analisar o que deu certo ou errado, coisas que partiram de mim e que podem ter levado a isso. É fácil achar que a culpa foi de A, B ou C, mas vale também fazer uma crítica interna sobre o que pode ter acontecido de errado. É como se fosse uma lacuna que estou preenchendo, essa análise de futebol, treinamento e conduta. Estou podendo pesquisar, ler, adquirir conhecimento, ter uma vida mais social do que antes. Eu não tinha isso quando jogava, era só concentração e viagem. Hoje, já dá para relaxar, assistir um desenho, sair com a esposa, passar uma semana dentro de casa, isso faz muita falta. Mas, ao mesmo tempo, não quero ficar muito tempo nesse período, não. Quero voltar logo a treinar e dar seguimento à minha carreira no futebol.

Tags: Botafogo

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