Em 14/03/2017 às 09 h01

Dois meses, 16 clubes e oito trocas de técnico: a dança das cadeiras no Carioca

Bangu é o recordista, com três comandantes diferentes na competição


Autor: Gabriel Farias / Fotos: Arquivo FutRio e Divulgação

A troca de técnicos é uma constante no futebol brasileiro. A regra é clara: não apresentou bons resultados, é mandado embora. Em alguns casos, os próprios treinadores pedem demissão com a ausência de vitórias. E ainda tem rompimento "em comum acordo", tão utilizado hoje em dia. Seja qual for a modalidade, o Campeonato Carioca de 2017 tem sido o fiel retratro dessa dança das cadeiras. Desde o início da seletiva (em 11 de janeiro) até o estágio atual - com a Taça Rio caminhando para a segunda rodada e o Grupo X encerrado - foram oito trocas de comando técnico, o que representa metade dos 16 clubes. O número só não é retrato fiel dos participantes, porque o Bangu mudou por duas vezes (em apenas sete jogos disputados).

Na imagem abaixo, os oito técnicos que deixaram seus cargos

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Há quem tenha se dado bem. Exemplo claro é a Cabofriense, que após ver Junior Lopes apresentar desempenho mediano na fase preliminar, resolveu trazer Antônio Carlos Roy para sua vaga. O desempenho de 53,3% de aproveitamento saltou para 88.8%, e o rebaixamento no Grupo X foi evitado com tranquilidade. Mesmo caso do Bonsucesso, que não havia vencido ninguém nos seis compromissos em que teve Heron Fereira à beira do gramado. Duílio assumiu, trouxe consigo as vitórias e fez o desempenho do Rubro-Anil saltar do baixíssimo 11,1% para 53,3%, também evitando a degola, assim como o Tricolor Praiano.

Enquanto tem time satisfeito com a troca de treinadores, outros não possuem motivos para comemorar. Também em apuros na luta contra o descenso, Tigres e Felipe, ex-jogador que se aventurava na carreira de técnico pela primeira vez, romperam em comum acordo após a segunda rodada do Grupo X. O "maestro", como era conhecido em seus tempos de atleta, acumulou 28,5% dos pontos. Deixou a Fera da Baixada em situação ruim e Manoel Neto, o escolhido para ser o salvador da pátria, não teve tempo de resolver, sendo rebaixado com um empate e três derrotas sob seu comando, baixando o desempenho para 8,33%.

Bangu: um treinador a cada dois jogos

Foram apenas sete partidas no Campeonato Carioca, mas o Bangu de Loco Abreu, Peralta e Eroza, gringos que chegaram badalados, ainda não deu sequência de trabalho para seus técnicos. Primeiro foi Eduardo Allax a tentar, mas acabou sendo demitido após quatro jogos sem vitória e 16,6% de aproveitamento. Arturzinho assumiu em seu lugar, venceu a primeira, perdeu a segunda e se desligou do cargo alegando problemas internos. Nem deu tempo de esquentar a cadeira que agora é de Roberto Fernandes. Este, por sinal, estreou com revés para o Nova Iguaçu, no último sábado (11).

Outro profissional que assumiu o desafio com o Estadual em andamento e ainda busca seu primeiro triunfo é Toninho Andrade. Seu antecessor foi René Simões, que teve o pior desempenho entre todos os treinadores do Estadual, perdendo os quatro jogos que disputou. Já Toninho, nas duas partidas que esteve na função, perdeu a primeira e empatou a segunda. O primeiro ponto do Alvianil no Carioca veio no domingo (12), num empate surpreendente com o Vasco.

Volta Redonda e Portuguesa entram para o "clube"

O último final de semana foi fatal para o encerramento de dois trabalhos da Série A. Após ser goleado por 5 a 1 pelo Flamengo, a Portuguesa viu Nelson Rodrigues pedir para deixar o cargo. Foram 11 compromissos com Nelson em 2017, num desempenho que totalizou 36,6% dos pontos disputados. Em seu lugar assume João Carlos Ângelo, que chegou a um acordo após uma curiosa transação.

Cairo Lima, que vinha à frente do Voltaço, também não resistiu à rodada inaugural da Taça Rio. A derrota para o Botafogo, ainda na quinta-feira (9), foi o ponto final em seu trabalho. O anúncio, entretanto, só foi feito no domingo. O desempenho foi de 41,6% de aproveitamento em oito jogos. Para sua vaga, Felipe Surian (foto abaixo) foi contratado. Campeão da Taça Rio e do Brasileiro da Série D pelo clube em 2016, ele volta ao Rio de Janeiro após passagem frustrada no América (RN).

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Campos: filosofia oposta, apesar da queda

Rebaixado no último sábado, após ser goleado por 4 a 1 pela Cabofriense, o Campos não mudou seu treinador. Presitigiado após os acessos nas Séries B e C, em 2015 e 2016, Rafael Soriano foi até o fim da competição como técnico do Roxinho, mas não evitou a degola. Outro time que não consegue uma boa sequência de resultados no Estadual é o Boavista, mas o consagrado Joel Santana está mantido com sua prancheta na área técnica.

Botafogo, com Jair Ventura; Flamengo, com Zé Ricardo; Fluminense, com Abel Braga; Madureira, com PC Gusmão; Nova Iguaçu, com Edson Souza; Resende, com Ademir Fonseca; e Vasco, com Cristóvão Borges, são os clubes que ainda não fizeram trocas. Cristóvão, de todos esses, é o que mais balança. Se bem que, na montanha russa do futebol brasileiro, qual deles estaria seguro por muito tempo? Talvez nenhum.

Quem trocou de treinador no Rio em 2017

Bangu
- Eduardo Allax: 16,6% (4 jogos)
- Arturzinho: 50% (2 jogos)
- Roberto Fernandes: 0% (atual treinador, com um jogo)

Bonsucesso
- Heron Ferreira: 11,1% (6 jogos)
- Duílio: 53,3% (encerrou a competição no cargo, com 5 jogos)

Cabofriense
- Junior Lopes: 53,3% (5 jogos)
- Antônio Carlos Roy: 88,8% (encerrou a competição no cargo, com 6 jogos)

Macaé
- René Simões: 0% (4 jogos)
- Toninho Andrade: 16,6% (atual treinador, com dois jogos)

Portuguesa
- Nelson Rodrigues: 36,3% (11 jogos)
- João Carlos Ângelo (atual treinador, ainda não estreou)

Tigres do Brasil
- Felipe: 28,5% (7 jogos)
- Manoel Neto: 8,3% (encerrou a competição no cargo, com 4 jogos)

Volta Redonda
- Cairo Lima: 41,6% (8 jogos)
- Felipe Surian (atual treinador, ainda não estreou)

Tags: Carioca Série A, Bangu, Bonsucesso, Cabofriense, Macaé, Portuguesa, Volta Redonda, Tigres

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