Em 06/04/2017 às 08h15

Estádio da Rua Bariri completa 70 anos de fundação nesta quinta-feira (6)

Campo do Olaria foi inaugurado em 1947 e é um dos mais antigos do Rio


Autor: Gabriel Andrezo / Fotos: Mapio, Vitor Costa (FutRio), Jornal dos Sports e Anderson Luiz

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Um dos estádios mais antigos do Rio de Janeiro chega a sete décadas de existência nesta quinta-feira (6). O "alcapão" da Rua Bariri está comemorando 70 anos de fundação e de uma história de altos e baixos, que o coloca como o terceiro campo de jogo da cidade há mais tempo em atividade entre os estádios que vêm recebendo jogos oficiais regularmente. O campo da Leopoldina está atrás apenas de São Januário (fundado em 1927) e do Aniceto Moscoso (de 1941), embora o clube já esteja instalado no local – anteriormente chamado de Rua Cândido Silva – desde 1921, quando deixou a Estrada do Porto de Maria Angu (hoje Rua Pirangi).

O Estádio Antônio Mourão Vieira Filho foi inaugurado em 6 de abril de 1947, um domingo. A data marcava a abertura da temporada futebolística daquele ano. O jogo que abriu o estádio, no entanto, não envolveu os donos da casa: Fluminense e Vasco da Gama é que tiveram a honra de abrir, com chave de ouro, o local que se tornaria um dos mais icônicos do futebol carioca. O jogo era um amistoso de preparação para o Torneio Municipal, que começaria na semana seguinte.

A preliminar foi Manufatora 2x2 Nova América, equipes da segunda divisão de amadores. No jogo principal, Flu e Vasco fizeram um jogo que começou duro. O gol inaugural foi do Fluminense, através do meia-direita Rubinho, aos 40 minutos de jogo. No fim, foi um festival de bola na rede: 5 a 4 para o Tricolor. O Olaria, no entanto, só estrearia em casa meses depois. Antes disso, Madureira, São Cristóvão e Bonsucesso jogaram no local, que só recebeu o Alvianil em 10 de agosto, quando o time perdeu para o Flamengo, por 2 a 1. Tim fez o primeiro gol olariense do estádio.

A data da inauguração da Rua Bariri, porém, acabou sendo também de tristeza no futebol do Rio. Na noite anterior, morreu Isaías, ex-atacante de Vasco e Madureira, com apenas 25 anos. Vítima de tuberculose, ele foi um dos grandes ídolos vascaínos na década de 40 e formava, ao lado de Lelé e Jair Rosa Pinto, o trio chamado de "Os Três Patetas", que fez sucesso no Tricolor Suburbano e se transferiu, todo de uma vez, para São Januário. Com Lelé em campo, o Cruz-Maltino jogou de luto e um minuto de silêncio foi respeitado antes do pontapé inicial.

imageNo amistoso de inauguração, o Fluminense jogou com Castilho; Osni e Miguel; Paschoal, Telesca (Pé de Valsa) e Grande; China, Rubinho, Simões, Juvenal (Careca) e Pinhegas. O Vasco alinhou com Barbosa; Augusto e Rafagnelli; Ely, Danilo e Jorge; Djalma (Eugen), Maneca, Friaça, Lelé e Mario. Os gols do Flu foram de Rubinho (2), Pinhegas, Juvenal e Careca, com Maneca (3) e Lelé marcando para os vascaínos.

Casa hostil para visitantes e até árbitros

A fama de "alçapão" dado à Rua Bariri não é à toa. Ao longo dos 70 anos, o estádio foi palco de imponentes vitórias do time da casa, mas também de confusões e brigas homéricas. Entre os momentos gloriosos, pode se destacar a vitória sobre o Botafogo de Nilton Santos e Heleno de Freitas, logo no primeiro ano do estádio. Ou ainda os 3 a 0 diante do "Expresso da Vitória" vascaíno, em 1954, além de triunfos sobre o Flamengo; sobre os tri-campeões dos anos 50 e numa tarde inspirada do goleiro Júlio César, que só não pegou a falta de Diego, no último minuto do encontro de 2004.

Para muitos, a maior vitória do clube foi conquistada em um confronto realizado na Bariri. Em 23 de junho de 1996, pelo Campeonato Carioca, o Olaria perdia para o Itaperuna por 4 a 0 até os 29 minutos do segundo tempo, quando os gols de Luciano Silva (2), Leandro, Pedro Renato e Preto concretizaram uma das viradas mais memoráveis de todos os tempos, num eterno 5 a 4 a favor do Azulão. Porém, também houve horas de tensão e até cenas lamentáveis.

Em 1955, num Olaria x Fluminense, o zagueiro olariense Olavo, famoso por sua truculência, foi expulso pelo árbitro Antônio Musitano após uma confusão com Telê, que também foi para o chuveiro. O que veio a seguir tornaria-se um dos momentos mais inusitados da história do futebol carioca. Enquanto Telê saiu de campo calmamente, Olavo deu um soco no árbitro, que precisou correr todo o campo da Bariri para fugir da fúria do jogador que, mais tarde, chorou no vestiário e pediu desculpas a Musitano. Ainda assim, foi suspenso por mais de um ano e praticamente encerrou sua carreira no futebol.

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Doze anos depois, outro "sururu" de grandes proporções teve a Bariri como palco. O Olaria recebia o America e perdia por 1 a 0. Numa partida catimbada e violenta, Sabará deu um soco em Edu e foi expulso, iniciando uma confusão que paralisou o jogo por seis minutos. A retaliação veio quando o polêmico Almir, do America, entrou duro sobre Édson, do Olaria. Ambos se agrediram e a pancadaria generalizada se instaurou. Resultado: doze pontos na boca de Édson e fim de partida antes dos 90 minutos. Todos os jogadores em campo foram expulsos e reza a lenda que Almir encarou todos os atletas olarienses...

"Alçapão" já escapou até de leilão

O estádio foi batizado de Mourão Filho na década de 70. A homenagem é ao médico, professor, ministro e deputado Antônio Mourão Vieira Filho, que viveu entre 1909 e 1972, morava na região da Leopoldina e era um dos grandes entusiastas do Olaria. Sua popularidade cresceu muito a partir dos anos 80, quando o clube bariri teve campanhas relevantes, incluindo o título da Taça de Bronze de 1981, e recebeu grandes públicos nos anos 90.

Inicialmente projetado para receber mais de 15 mil pessoas, o campo tem hoje uma capacidade de cerca de 3 mil. Se a Rua Bariri sempre foi porto seguro para o Olaria em seus jogos, os últimos anos foram de ameaça e incerteza. Com a queda para a Série B do Carioca, o Olaria conviveu com a possibilidade de ter seu estádio leiloado. Em três oportunidades, entre 2013 e 2016, o clube escapou de ter sua sede vendida. Desde o ano passado, tem voltado a receber torcedores em seus jogos, após anos com os portões fechados.

Neste sábado (8), o Olaria vai enfrentar o Bela Vista, em jogo festivo aos 70 anos do estádio.

Tags: Olaria

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