Em 04/04/2017 às 08 h25

Com Talento até no nome, meia ex-Cesso sonha com valorização na Grécia

Pouco mais de um ano após estreia no Rubro-Anil, Talento tem sequência na Europa


Autor: Gabriel Andrezo / Fotos: Divulgação, Marcos Faria e Reprodução (Facebook)

A palavra "talento", em português, se refere à habilidade que se tem para praticar algo. Porém, na antiga Grécia, era sinônimo de riqueza, de uma grande quantia em ouro ou prata. Mais de dois mil anos depois, os gregos foram presenteados com outro "Talento", mas este com letra maiúscula. Alexandre de Oliveira Macedo Junior, dono de um apelido que já dá uma ideia de sua aptidão para o futebol, vive hoje no local que já foi berço da civilização ocidental, menos de um ano após sair do Bonsucesso, onde era visto como grande promessa, mas não teve continuidade. Com a camisa do Kallithea, da segunda divisão local, o meio-campista engrossa a lista de brasileiros que deixaram o país em busca do sonhado reconhecimento com a bola nos pés.

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Em sua camisa no Kallithea, a de número 49, consta o nome de batismo: Alexandre Junior. Mas todos na Grécia já o chamam de Talento, garante o próprio jogador. Aos 20 anos, o meia já pode dizer que tem história para contar em sua trajetória no futebol. Com passagens pela base de Fluminense, Botafogo, Madureira e Portuguesa, ganhou a primeira oportunidade profissional com a camisa do Bonsuça. Pelo Rubro-Anil da Leopoldina, jogou quatro partidas do Campeonato Carioca do ano passado e, mesmo sendo reserva, chamou atenção pelo estilo agudo de jogo. Ainda que por apenas 43 minutos, tempo somado em que esteve em campo nos quatro jogos, pôde impressionar e provar o porquê de ser chamado assim.

– Em Oswaldo Cruz (Zona Norte do Rio), onde eu morava, sempre costumava jogar bola com os meninos mais velhos. Com 9 anos de idade, já jogava no meio dos garotos de 13, 14. E um amigo meu disse que eu tinha talento para jogar futebol. Foi quando começaram a me chamar de "Talento". E acabou pegando – diz a revelação da Teixeira de Castro, em entrevista exclusiva ao FutRio.net.

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Se a estreia no futebol profissional tem pouco mais de um ano, o fato de hoje estar jogando na Europa pode ser visto como uma ascensão meteórica. Em seis jogos pelo Kallithea, onde estreou no mês passado, já conseguiu balançar a rede pela primeira vez em sua carreira. A primeira vitória no novo clube pode até estar difícil de sair, mas ele não reclama. Afinal, para quem começou como reserva em um ambiente totalmente novo e foi ganhando a titularidade a partir do terceiro jogo, as portas têm se aberto. Chance que Talento vem aproveitando, sonhando com a valorização que tem tudo a ver com seu apelido de infância, pelo qual é mais conhecido.

Confira abaixo a entrevista completa com Talento:

Como foi o começo da adaptação na Grécia, já que esta é sua primeira experiência internacional?
– No começo, estava muito difícil para mim porque o Kallithea é meu primeiro clube fora do Brasil. Eu vim "cru", sem saber falar grego, nem inglês, que é o que todo mundo fala aqui. Hoje, está mais tranquilo, já entendo, sei dialogar em inglês e entendo umas coisinhas em grego. Meu convívio está mais fácil.

Você mudou muito seu estilo de jogo em comparação com o que fazia no Brasil?
– Aí eu jogava um pouco mais solto, aqui o estilo já é um pouco mais cadenciado. Eles prezam muito o passe rápido, gostam sempre de trabalhar com dois toques na bola, no máximo. Mas continuo no meio, na mesma posição em que jogava. Às vezes jogo na ponta-direita, mas sempre vou trocando no decorrer do jogo. É questão de formação, depende do sistema. O início é sempre complicado, mas depois, como a prática sempre vem acompanhada da perfeição, posso dizer que a adaptação está melhor.

Como foram os primeiros dias em outro país, com costumes e cultura diferentes?
– Aqui, não tenho muito tempo para sair porque raramente temos folga. Costumo sempre ir do hotel para o treino e do treino para o hotel. Hoje já sei pedir informação em inglês, conversar... Mas era difícil. Tive que baixar o tradutor do Google no celular para conversar na rua e pedir informação para os outros.

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Já passou por algum aperto por não saber falar inglês, nem grego?
– Era engraçado nos primeiros dias, quando eu tentar explicar e perguntar sem saber falar a língua, improvisando. E os gregos sem entender nada, como que perguntando "o que esse rapaz está falando?", era puxado (risos). Mas nada que não possamos superar com força de vontade. Aqui eu sou o único brasileiro, mas tenho um amigo aqui, que é de Guiné-Bissau e fala português. Tem outro que é ganês e fala espanhol. No início, eu só conversava com eles, mas hoje dá para falar com todo mundo porque todos falam inglês.

Como os gregos têm reagido com o fato de ter um jogador brasileiro na equipe, até pela fama que os atletas do país têm no exterior?
– Os gregos são bem humildes, gostam muito de brasileiro. Dizem que a gente é engraçado e de bom coração. O pessoal tem um carinho especial por mim, sempre procuram saber se estou bem, se está faltando algo. Eles gostam muito de futebol, torcem bastante, enchem os estádios... São muito apaixonados.

Como começou sua trajetória no futebol? Encontrou muitas dificuldades nos tempos de categoria de base?
– O primeiro clube que frequentei foi o Fluminense. Fiquei um ano treinando em Xerém, mas logo depois fui para o Botafogo. Lá, eu me federei, fiquei três anos e meio. Depois disso eu saí para o Madureira, mas fiquei com a mente meio conturbada porque tinha me dedicado muito ao Botafogo. Cheguei até a ficar um tempo parado.

Chegou a pensar em parar de jogar?
– Por diversas vezes. Mas, com a mãe que eu tenho, não tive forças para fazer isso. Ela sempre me apoiou em todos os momentos e nunca deixou de acreditar em mim. Desde os seis anos de idade, ela me incentiva. Então eu tinha que continuar. Depois do Madureira, fui para o Bonsucesso e joguei a Série B do Sub-17. Foi quando o treinador da Portuguesa me viu e me levou para a Ilha, onde joguei a primeira divisão do juvenil.

Depois disso, você voltou ao Bonsucesso. Quais são as lembranças que guarda do tempo em que jogou lá?
– Tenho boas memórias de lá. Quando cheguei no Bonsucesso, eu treinava largado, não tinha nenhuma esperança de que jogaria. Mas depois a gente entrou numa competição de base, chamada Rio Copa. Teve um dia em que muitos jogadores estavam machucados e tiveram que me colocar para jogar. Fiz um dos gols da vitória, fui destaque na partida e não saí mais do time. Logo que acabou o campeonato, me chamaram para assinar contrato. Mas percorri um longo caminho até chegar ao profissional, batalhei demais, até porque não tínhamos estrutura nenhuma.

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E foi a partir daí que as oportunidades começaram a aparecer...
– Em 2015, não cheguei a jogar, mas fui integrado ao elenco profissional e cheguei a pegar relação. Minha estreia foi no ano seguinte, contra o Fluminense. Foi em 3 de fevereiro, não tem como não lembrar daquele dia. Eu tinha voltado a treinar só duas semanas antes de começar o Carioca e a oportunidade apareceu logo na segunda rodada. Fui chamado para o jogo porque tinha poucos jogadores regularizados. Eu estava lá, mas não imaginava que fosse entrar no jogo. Entrei e até coloquei uma bola na trave do Diego Cavalieri (risos).

Depois do Estadual, o Bonsucesso não jogou a Copa Rio. Quais foram os seus rumos depois disso?
– Fiquei oito meses parado, todo esse tempo depois do Carioca. Eu estava na Justiça contra o clube porque só tinha recebido um mês de salário. Depois que terminou, recebi mais dois, mas foi quando procurei a Justiça para obter miha liberação. Consegui e foi quando fiquei livre para vir para a Grécia.

Quais são suas metas agora que está na Europa? Considera que esse crescimento na carreira é como se fosse um sonho realizado?
– Pretendo crescer e pegar mais experiência aqui na Europa. Mas quero muito voltar ao Brasil e vestir a camisa de algum time grande, algo que sempre foi meu grande sonho. Bem, não só o meu, mas de todo jogador de futebol. Não é que seja um sonho realizado porque ainda tenho muitas metas de vida, mas com certeza é um bom começo.

Tags: Bonsucesso

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