Em 04/09/2017 às 16 h03

Arrancada da ADI é embalada pelo rap "Legião Azul", feito pelo goleiro Serjão

Música retrata reação da Águia na metade final da Série B1 Estadual


Autor: Gabriel Farias e Gabriel Andrezo / Fotos: Gabriel Farias (FutRio)

Jogador do Itaboraí desde 2015, o goleiro Serjão está em sua terceira temporada no Azulão. Somente neste ano disputou o primeiro jogo pelos profissionais. Se as aparições em campo são pequenas, o amor que o atleta desenvolveu pelo clube é proporcionalmente inverso. Algo que o inspira até mesmo num hobby que tem se tornado cada vez mais frequente em sua vida: a composição e interpretação de músicas.

O estilo preferido de Serjão é o rap. E impulsionado pela incrível arrancada da Águia no segundo turno da Série B1 (a equipe é finalista junta do America), ele compôs a música "Legião Azul", que fala sobre a renovada trajetória do Azulão na metade final da Segundona, que mantém vivo o sonho de acesso à elite do futebol estadual.

- Eu cheguei em 2015 no clube e desde então eu faço essas músicas, algumas paródias para animar a rapaziada. E desde que começamos essa reação no campeonato eu peguei essa chance para mostrar não só para o grupo, como uma forma de incentivo, mas também para os torcedores do Itaboraí essa reação - explica Serjão, que prossegue.

- Um dos intuitos também é o que o Chiquinho (Lima, treinador) sempre fala. De exercer um tipo de liderança dentro e fora de campo. Todos os jogadores fazem isso, alguns com uma palavra de motivação, outros com exemplo de garra, superação... e coube a mim trazer um incentivo e buscar uma maneira diferente de liderar a rapaziada, compondo e gravando a música.

Confira o clipe preparado pelo FutRio.net; abaixo a letra da música Legião Azul na íntegra:



"A nossa vida é uma verdadeira guerra, tá ligado? Nós enfrentamos batalhas diárias, sejam elas físicas ou espirituais. Mas quanto maior for o desafio, maior será nossa motivação. Existe uma porção de gente querendo ver a nossa queda, desacreditando do nosso trabalho. Podemos até cair, mas caíremos atirando. E se deixarem a gente levantar, voltaremos mil vezes mais forte. 

A reação no campeonato é memorável
E ai daqueles que disseram que éramos sem nível
O trabalho bem feito tornou-se algo admirável
Então me chame de Tom Cruise, nessa missão impossível. 
O caminho é longo, aprendemos com os erros, 
E a volta por cima mostra que esse grupo é forte. 
Na garra, na porrada, no talento nós vencemos,
Não tire nosso mérito falando que isso é sorte, tio. 
Tem muita coisa pra acontecer
Elenco campeão, sem espaço pra patife
Bota a cara pra tu ver, bota a cara pra tu ver  
Que o Itaboraí vai te amassar pra bife

Queremos casa cheia, alento o jogo todo
Nós incendiaremos a paixão dentro do peito 
Enquanto meia dúzia paga ingresso só pra cornetar 
O tio da corneta torce, então máximo respeito
Um só espírito na busca do acesso
É treino atrás de treino, faça chuva ou faça sol. 
Não é pelo dinheiro, muito menos o sucesso 
É pra levar a equipe à elite do futebol
Esse time "tá" morto, não vão arrumar nada, e quem num acreditava hoje "tá" queimando a língua! 
A águia alçou voo, feito Fênix no céu 
Quem nasceu pra vencer ressurgi até das cinzas

Se você acredita em si mesmo, você tem tudo. Como diz o poeta, o medo de falhar acelera sua derrota, e a sede de vencer é o que muda tua postura. Visão menor, brota na base, pois o show tá só começando. 

Fazendo jogo de mandante, mesmo sendo visitante 
Marcando a toda instante, jogando o fino da bola
Um passo de cada vez, visando a série A
Os vizinhos são freguês, eu nem tô de marola 
Estilo caçador, time brigador, no campo o seu terror, fazendo uma nova presa 
Sonhando com acesso, a medalha no pescoço 
E o Werneck avisando que o troféu já tá na mesa
Habilidade sobra, a qualidade impera, onde a vontade reina, a equipe se supera
É tipo o Coringão jogando em Itaquera 
Caiu no Alzirão (papum), Já era!

No frio, na serra, fizemos um jogo histórico
Trouxemos os 3 pontos, e esquentamos a briga
E os adversários quando olham nossa equipe 
Não vão para Friburgo, mas sentem frio na barriga
É jogo de imposição, é disposição, a primeira divisão nunca foi uma utopia 
A firmeza da zaga e a competência do ataque regem uma equipe que joga com maestria
A chance pra fazer história "tá" na nossa frente 
É hora de atacar igual a um felino feroz 
Jesus, nos deu talento, a chuteira já temos 
E o resto meu parceiro, só depende de nós 
(aleluia) 

Agora vamo botar pra fuder
Armado até os dentes, bang bang 
Quero ver peitar a tropa, quero ver peitar a tropa 
Mais um gol do ADI, então toca o Merengue 

Fé."

Rap ganha cada vez mais espaço na vida do arqueiro

Em meio à rotina de treinamentos e partidas oficiais no Itaboraí, Serjão vai cada vez mais se aprofundando no mundo do rap, a ponto de não descartar um investimento na carreira artística. A ideia é seguir compondo letras que retratem o futebol, principalmente a realidade árdua dos clubes de menor investimento.

- Sempre ouvi rap. Desde 2015 passei a conhecer mais desse estilo. Tenho uma música sobre vida, preconceito, egocentrismo... em 2017 decidi participar de batalhas culturais de rap, iniciando projeto paralelo ao futebol. Se pintar algum convite para alguma produção, por quê não participar? Talento sei que tenho. O que falta é oportunidade. Espero que essa música seja um divisor de águas.

Sérgio Augusto Abrão, de Monteito Lobato

Quem convive diariamente com Serjão ou encontra o atleta ao menos nos dias de jogos logo percebe um sujeito descontraído, de astral ímpar. A simpatia e carisma já renderam até mesmo uma homenagem da Legião Azul, torcida organizada do Itaboraí, que o retratou num bandeirão ao lado de Scott, ídolo do clube nos anos 1970.

Se a alegria é a marca registrada de Serjão, a superação é palavra-chave de Sérgio Augusto Abrão, nascido no pequeno município de Monteiro Lobato, no interior de São Paulo, que possui cerca de quatro mil habitantes. Criado na roça, o goleiro logo se aproximou dos livros. Incentivado pelos pais, percebeu que a única forma de "ver o mundo" seria estudando. Daí a facilidade com as palavras para compor músicas.

Para os padrões de um jogador profissional, Serjão iniciou a carreira tardiamente, aos 17 anos. Chegou a sofrer de obesidade, pesando 117 quilos. Deu a volta por cima através do esporte. De uma escolinha na cidade de São José dos Campos, para o Brasilis. Em seguida, Mogi Mirim. Depois, São Carlos. Uma lesão no tornozelo chegou a ameaçar o fim da carreira. Então, só restou dar nova guinada e seguir lutando. Até que surgiu o Itaboraí, em 2015.

- Em 2015 um goleiro chamado Fábio me indicou ao Itaboraí. Ele tinha jogado com Fabão (atual capitão da ADI). Fiquei em avaliação e depois fui aprovado. Cresci trabalhando na roça e continuo fazendo isso entre uma temporada e outra. Corto capim, cuido de animais, trabalho para outras pessoas... por isso valoriza tanto o futebol, o Itaboraí.

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Até a Rádio FutRio entra na história

De maneira totalmente espontânea, o estúdio DE Gravações, responsável pela produção e finalização do trabalho, inseriu narração de um gol marcado pelo Itaboraí em 2014 ao final da música. A voz é de Gabriel Andrezo, narrador da Rádio FutRio, que se disse surpreendido e emocionado com a "pontinha" feita.

- Primeiro de tudo, estou super emocionado. Mesmo sendo um trechinho, foi o primeiro jogo do Itaboraí que eu narrei na carreira. O Itaboraí era mega azarão nesse jogo, e inclusive não subiu neste ano (2014), mas ganhou do São Cristóvão na Figueira de Melo. Foi um gol do Paulo Victor, até muito bonito. Sobre a campanha do Itaboraí (em 2017), não dá para negar: a gente não contava que o Itaboraí fosse brigar pelo acesso, mas a equipe fez um segundo turno muito bom e agora está nessa luta. Acho que o elenco é totalmente merecedor desse reconhecimento. E a música ficou o máximo.

Se o acesso vier, repertório aumenta

Às vésperas de uma final de turno, Serjão deixa bem claro: a canção em nada busca provocar os adversários. Ele faz questão de ressaltar que a letra apenas busca motivar os atletas do Azulão.

- A música serve como uma brasa para incendiar o peito mesmo. É bom deixar claro que não ganhamos nada. Tem muita coisa para acontecer ainda. A gente está caminhando um passo de cada vez rumo à Série A, trabalhando para que as coisas deem certo.

Para alcançar o tão sonhado acesso, que levaria o Itaboraí de forma inédita à Série A do Rio, será preciso vencer o America na decisão da Taça Corcovado (no próximo sábado, dia 9) e na sequência o Audax, na semifinal geral. Duas vitórias separam o Azulão de uma vaga na elite. Separam também Serjão de uma nova composição.

- Levar o time para a Série A é algo que a gente quer, nosso desejo. E eu já estou pensando em outro projeto. Se o time conseguir o acesso, vem outra música.

Tags: Itaboraí, Serjão, Carioca Série B1

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