Em 07/09/2017 às 09 h15

Os 90 anos de Nívio, um dos maiores craques da era de ouro do Bangu

Ponta-esquerda foi um dos maiores parceiros de Zizinho com a camisa alvirrubra


Autor: Gabriel Andrezo / Fotos: Esporte Ilustrado e O Globo Sportivo

O nascimento do terceiro maior artilheiro da história do Bangu Atlético Clube está completando 90 anos. Nívio, um dos principais nomes do Bangu em sua "era de ouro", os anos 50, faleceu em 1981, mas tem uma história grande e relevante demais para ser posta de lado sem maiores homenagens. O craque mineiro, que também vestiu as camisas de Atlético e Cruzeiro, em sua terra natal, ficou sete anos em Moça Bonita, mais que suficiente para escrever seu nome com letras douradas na Zona Oeste do Rio.

Nívio Gabrich nasceu em Santa Luzia (MG), a 7 de setembro de 1927. Depois de passar por clubes amadores de Belo Horizonte, chegou ao Galo em 1944, estreando na temporada seguinte pelo clube, antes mesmo de completar 18 anos. Pelo Atlético, ganhou quatro Estaduais em cinco possíveis, além de ter sido "Campeão do Gelo", na famosa excursão atleticana à Europa. Na ocasião, ele foi um dos artilheiros da campanha, com seis gols.

No começo de 1951, já famoso nacionalmente por seus feitos e artilharia no Galo, Nivio foi oferecido ao Flamengo, mas o Bangu já estava de olho em seu futebol. Ciente disso, o vice-presidente alvirrubro, Carlos Nascimento, correu para BH na tentativa de convencer Nívio (e seu companheiro Alvinho) a vestirem vermelho e branco no Rio. Em princípio, Alvinho é que parecia estar mais perto, já que o Galo pediu Cr$ 400 mil por ele e fez jogo duro pelo ponta-esquerda. A contratação do jogador iria requerer uma verdadeira operação por parte dos banguenses.

"Novela" que culminou com sucesso e gols

No fim de março, Nívio chegou a ser negociado pelo Atlético ao Corinthians, que ofereceu Cr$ 300 mil, mais o passe do zagueiro Murilo. Mas o jogador se recusou a ir para São Paulo. Isso causou uma reviravolta na situação e o Bangu voltou à carga, mas não foi fácil convencer os mineiros a liberassem o ponta-esquerda. Só em 31 de março, várias semanas após a primeira procura, é que o negócio foi fechado, com Nívio vindo ao Rio para fazer exames médicos e assinar contrato. A diretoria banguense desembolsou, enfim, Cr$ 400 mil por sua contratação.

Mal chegou, Nívio já realizou sua primeira viagem com o Bangu. Experiente da excursão do ano anterior à Europa, ele voltava ao Velho Continente para mais uma série de jogos. A equipe da Zona Oeste disputou partidas fazendo um combinado junto com o São Paulo. Nos dois primeiros jogos após sua chegada à Europa, Nívio não esteve em campo, estreando contra o Saarbrücken (ALE). Na casa do adversário, o camisa 11 marcou um dos gols no triunfo por 3 a 0. Era o início de uma era de sucesso pelo Banguzão.

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Ainda na Europa, Nívio esteve em campo em vitórias importantes contra Racing (FRA) e a seleção da Holanda, inclusive marcando neste último compromisso. Na volta ao Brasil, já era titular absoluto e editou com Zizinho uma dupla infernal no ataque. Destacaram-se, em seu primeiro ano, atuações nas vitórias sobre America, Flamengo, e Bonsucesso, nesta última marcando quatro gols. O time acabou vice-campeão carioca, só perdendo para o Fluminense na decisão. Na ocasião, Nívio acabou expulso na derrota por 2 a 0.

Seu futebol era encantador. Certa vez, à revista "O Cruzeiro", definiu seu futebol como sendo de "dribles de corpo, com toques de leve na bola, que às vezes nem sai do lugar, enquanto o adversário passa por mim como ventania". E a verdade é que sua técnica e agilidade o tornavam um jogador temido. Mesmo com estrutura física discreta (1,68m e 60 kg), não havia marcador que não o respeitasse. Foram estas as características que o fizeram ser convocado à Seleção Brasileira três vezes, embora nunca tenha entrado em campo com a Amarelinha.

Fora do país, só dava Nívio

A torcida já sabia que aquele ataque, que tinha ainda Joel, Menezes, Moacir Bueno, entre outros jogadores, era realmente bom o suficiente para lutar por títulos. E todo o sacrifício feito pelo Bangu para trazer o mineiro canhoto seria recompensado. Apesar da tristeza pela perda do título carioca, Nívio voltaria a brilhar em vitórias marcantes. Em fevereiro, fez um gol na histórica goleada sobre o Palmeiras, por 4 a 1, no Pacaembu. Mas o melhor futebol do craque ainda estava por vir.

Em 1953, o ano já começou com um reencontro de Nívio com o Atlético. Num compromisso anterior, tinha perdido por 1 a 0, mas agora a situação era diferente. Num jogo de festa, organizado pelo então Governador de Minas, Juscelino Kubitschek, um grande amistoso foi organizado no Estádio Independência, em Belo Horizonte. E a equipe de Tim deu um show, chegando a abrir 4 a 0, com Nívio entre os marcadores. No fim, vitória acachapante por 5 a 3. Ainda naquele ano, o mineirinho entrou de vez para a história ao marcar cinco vezes no mesmo jogo, recorde absoluto até hoje, nos 8 a 3 sobre a Portuguesa.

A campanha banguense nos Cariocas ia, aos poucos, caindo. De segundo colocado para quarto, depois para sexto. Nada que tirasse o brilho do ponta-esquerda. Foi em mais uma excursão à Europa que o futebol de Nívio voltou a aparecer de maneira decisiva: foram 16 gols em 17 jogos, incluindo todos os gols de uma vitória banguense em cima do Bayern de Munique (ALE), por 4 a 0, além de três sobre o Tenerife (ESP), num 5 a 2. Em solos cariocas, comandou o Bangu em outras jornadas gloriosas. Em 1954, fez um golaço de falta numa vitória sobre o Vasco no Maracanã e derrubou o então bicampeão Flamengo, que mais tarde seria tri, também deixando sua marca.

Só Ladislau e Moacir foram maiores

Na temporada seguinte, faturou o Torneio Início, seu primeiro título pelo clube. Dois anos depois, vieram o Quadrangular do Rio de Janeiro e o Triangular de Porto Alegre, mas o tão sonhado título carioca nunca vinha. Seu último ano pelo Bangu foi 1957, que terminou com um empate sem gols com o Flamengo, em General Severiano. Terminava também a trajetória do talentoso Nívio pelo Alvirrubro, com 266 jogos e 152 gols. Em bolas na rede, só Ladislau da Guia e Moacir Bueno o superaram.

Depois que encerrou a passagem pelo Bangu, Nívio voltou a Minas Gerais, agora para jogar pelo Cruzeiro. Já veterano, faturou seu último título mineiro em 1959, aposentando-se logo na sequência. Apesar do reconhecimento que teve com a camisa banguense, terminou a carreira sem muito dinheiro, como ele mesmo admitira. Após a aposentadoria, aos 32 anos, passou a jogar futebol amador em Santa Luzia e foi trabalhar no Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS).

Morreu de forma relativamente precoce, aos 53 anos, em 16 de julho de 1981, de problemas cardiovasculares. Embora haja poucas referências à sua brilhante passagem pelo futebol carioca, sua história no Bangu se tornou inapagável. Um craque que vestiu, como poucos, a camisa vermelha e branca, com um brilhantismo que, em termos de bola na rede, só foi superado por outros dois gigantes do Alvirrubro centenário.

Tags: Bangu

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