Em 26/11/2017 às 15 h26

Rubens Lopes vê Série B1 consolidada e critica "aventureiros" da C

Presidente da FFERJ analisa altos e baixos das divisões inferiores em 2017


Autor: Gabriel Andrezo / Foto: Úrsula Nery (FFERJ)

Com o final da temporada de 2017, ficaram os aprendizados, as lições, os triunfos e um bom momento para analisar como foi o ano no futebol carioca. Numa temporada em que a Série A do Estadual foi a competição que chamou para si mais atenção até o mês de maio, as divisões inferiores puderam tomar conta dos noticiários com mais destaque e por mais tempo. Se houve momentos positivos e de grande emoção nestes campeonatos, as cenas de desorganização também não deixaram por menos. Ainda assim, os dirigentes garantiram estar atentos a tudo.

Rubens Lopes, 71 anos, está no seu quarto mandato como presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ). Na última terça-feira (21), ele esteve na festa de premiação da segunda, terceira e quarta divisões do Rio, em solenidade oficial da entidade. Em seu discurso, falou no potencial das competições em gerar empregos e oportunidades a todos, considerando que só houve vencedores. Mas nem tudo foi positivo e o próprio dirigente fez questão de admitir isso.

– A Série B1 do Carioca já está praticamente consolidada. Inclusive, gerando até um interesse por parte da mídia televisiva. Poucos são os ajustes a serem feitos. A nossa grande preocupação e maior dificuldade deste ano foi a Série C. Aconteceram inúmeros desajustes e, sem dúvida, este foi o ponto negativo de todos os campeonatos de 2017. Uma coisa já posso antecipar: nem todos os clubes que jogaram este ano vão voltar no ano que vem. Só vai participar em 2018 quem tiver condições de começar e terminar o campeonato – diz Rubens, ao FutRio.net.

O presidente não gosta da nomenclatura ordinal dos campeonatos (primeira, segunda, terceira), prefere chamar os campeonatos pelos nomes oficiais, com letras e, às vezes, números. Coisa de dirigente. Se tinha o desafio de dar a competições como a Segundona maior visibilidade e credibilidade, ele pode considerar que a empreitada foi um sucesso, mas a chuva de WOs e estruturas precárias na Quartona mancharam o ano e mostram que o caminho a ser seguido em outras divisões ainda é longo e terá de passar, segundo o próprio Rubens, por uma mudança de mentalidade e maneira de trabalhar por parte das equipes.

Antes de subir ao palco no Arouca Barra Club, para iniciar a solenidade oficial da última semana, Rubens Lopes deu uma rápida entrevista ao FutRio.net sobre como analisa o ano que passou e o que fazer para que as cenas insólitas de 2017 não se repitam no ano que vem. Confira:

A Série B1 deste ano teve mais público, maior atenção da mídia e, consequentemente, maior chance de se angariar recursos. O que foi essencial para isso acontecer?
– A conscientização dos dirigentes. Quase todos se deram conta de que precisavam ter uma estrutura. Você vê que não tivemos muita dificuldade em relação a estádios, o que já não se viu na Série C. Essa estruturação dos clubes da Série B, talvez até por alguns deles estarem acostumados à primeira divisão, mesmo tendo descido por um tempo, como America, Friburguense, Tigres... Todo mundo soube dimensionar o que é preciso no futebol. Por toda essa estrutura, foi possível dar os subsídios das despesas, as equipes jogaram a custo zero. Se você soma isso ao seu orçamento, a economia é considerável. Mas isso só foi possível por causa da estrutura criada pelos clubes e pela conscientização de que era preciso se adaptar às exigências da legislação. Espero que a gente possa levar essa linha de raciocínio às outras divisões.

Se a B1 foi um sucesso, o que explica uma confusão tão grande na Série C, com excesso de WOs, mais clubes suspensos do que regulares e outros acontecimentos inusitados?
– Talvez seja pelo pouco entendimento dos dirigentes, que acham que futebol é uma aventura e que basta escolher 11 atletas e colocá-los todos uniformizads no campo para chutar uma bola. Futebol é uma coisa muito complexa. Futebol é caro, tem uma despesa enorme. Acho que isso merece uma reflexão por parte dos clubes para que não levem suas instituições a uma aventura porque a consequência nem sempre é boa.

Passou então pelos clubes essa falta de organização? Como mudar isso em 2018?
– Muitos destes clubes já não jogaram em 2016 por não terem condições. Eles receberam a oportunidade de se estruturarem para, neste ano, poderem disputar o campeonato. E não adiantou nada, eles voltaram iguaiszinhos, sem condições. E aí, foi essa infinidade de WO, o que deprecia o campeonato, tira o brilho de quem está se empenhando. Então, nosso desafio será acertar o campeonato para a próxima temporada.

A Quartona terminou com dez equipes suspensas ou excluídas e é pouco provável que as dívidas delas sejam saldadas a tempo. Para piorar, ainda houve recentemente uma desfiliação em massa por parte da Federação. É possível manter a Série C em 2018?
– Obrigatoriamente, a divisão tem que existir porque há todo um sistema de acesso e descenso e qualquer clube que queira iniciar sua atividade profissional precisa começar no final da fila. Não podemos simplesmente extinguir o campeonato, o que podemos fazer é estabelecer condições para que aqueles que participem do campeonato possam iniciar e terminar o torneio. E é exatamente isso que iremos fazer.

O que o senhor aguarda para a fase preliminar do Carioca de 2018 e como analisa a situação econômica dos clubes que irão participar dela?
– Na fase preliminar, acredito que a competitividade será grande porque todo mundo se equivale. A cota da TV ajuda muito os times que subiram porque é diferente da Série B, onde o subsídio nem se comparava à quanto esses clubes vão receber por jogo. Na fase principal, a gente realmente tem um problema, que é o ajuste da tabela a ser feito por causa dos clubes que podem chegar à Pré-Libertadores. Problema que eu gostaria até que fosse bem maior do que está se desenhando, gostaria que todos os quatro times estivessem lá. Com a Copa do Mundo, que apertou o calendário, mais essa questão da Libertadores, foi preciso fazer alterações e talvez tenhamos que fazer mais. Aí, vamos precisar da compreensão de atletas, clubes, televisão, sindicato, de todos. Senão, o calendário não fecha. Mas espero um bom campeonato. Recurso, todo mundo vai ter para isso.

Tags: Carioca Série B1, Carioca Série B2, Carioca Série C

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