Bate Bola com a Dani: hoje é a vez de Djair

Djair que jogou pelo Fla, Flu e Madura, declara seu amor ao Botafogo onde tudo começou

Nome: Djair Kaye de Brito
Nasceu: Rio de Janeiro, 21 de setembro de 1971
Posição como jogador: atuou como Meio-Campo
Onde jogou: Botafogo, Fluminense, Flamengo e Madureira

Títulos como jogador:

• Botafogo: Campeonato Carioca (1989,1990,1997); Taça Guanabara (1997); Taça Rio (1989, 1997); Torneio Rio-São Paulo (1998)

• Lazio (Itália): Copa da Itália: 1992

• Fluminense: Campeonato Carioca: 1995

• Flamengo: Campeonato Carioca: 1996; Taça Guanabara: 1996 e Taça Rio: 1996

• Sao Paulo: Copa Master da Conmebol:1996

• Cruzeiro: Campeonato Mineiro (1998); Recopa Sul-Americana (1998); Copa Centro-Oeste (1999) e Copa dos Campeões Mineiros (1999)

• Corinthians: Copa do Mundo de Clubes da FIFA (2000)

• Madureira: Taça Rio (2006)

Neste Bate Bola com o ex-craque Djair relembramos momentos inesquecíveis na maioria dos clubes em que ele atuou, dando uma ênfase nos clubes do Rio, espero que vocês curtam.

FutRio: Você começou sua carreira no Botafogo. Como foi esse início?

Djair: Fui fazer um treinamento contra a escolhinha do Botafogo, e nesse treino ficou eu e mais um isso em 1985. Daí comecei minha carreira no Pré mirim do Botafogo, com onze anos e foi lá que eu também me profissionalizei. Eu joguei 13 anos seguidos no Botafogo, depois que eu sai que fui jogar fora.

FutRio: Houve um interesse do Flamengo logo no início quando você estava no Botafogo, e o seu pai que não deixou você ir. Como foi isso?
Djair: É o Flamengo queria me levar e como na época eu era menor de idade, tinha uns 16 anos, tinha que ter assinatura dos pais. E na época, o presidente do Botafogo, era o falecido Amil Pinheiro e ele entrou nessa briga não queria que eu saísse do Botafogo, eu praticamente não sabia o que tava acontecendo, era muito novo. Mas em termos de valorização, reconhecimento, foi ali que tudo começou e meu futebol começou a chamar a atenção. E logo depois fui chamado para o profissional. Quando eu estava no Botafogo eu joguei praticamente em todas as seleções amadoras, infantil, juvenil, juniores, fomos campeões sul americanos com o treinador Ernesto Paulo, fui também pra seleção com o Rene Simões, que era treinador dos juniores, fomos vice campeões no mundial em Portugal, em 1992. Então minha trajetória no amador foi muito boa. Porque eu era infantil, mas já treinava no juvenil, eu estava sempre mais a frente. Isso foi muito importante porque me deu mais experiência, a me preparar melhor, pegar mais a malandragem. Com certeza as minhas passagens pelas categorias amadoras foi importantíssimo para eu chegar no profissional.

FutRio: Você jogou no Lazio, no Quatar. Como foram essas experiências fora do país?
Djair: Foram ótimas. Fui vendido para a Lazio, da Itália, e antes disso eu fui fazer uma adaptação na Suíça, era pra eu ter ficado oito meses, mas a Lazio tinha que jogar, aí eu fiquei uns quatro meses apenas. No começo foi difícil a adaptação. Eu sai com 18 para 19 anos e sozinho indo para outro país. Naquela época não tinha os recursos que hoje em dia se tem. Mas permaneci por dois anos na Itália, me adaptei super bem. E no Qatar, fiquei um ano, mas aí já foi diferente, eu já estava adaptado, lógico que a cultura é muito diferente, mas tinha muito estrangeiro trabalhando lá, a mentalidade estava mais aberta, com isso dava pra viver como se estivesse no seu próprio país. Era mais difícil para as esposas, é muito rígido. Mas foi muito bacana essa experiência, eu voltei mesmo porque não conseguimos chegar em um acordo.

FutRio: No futebol carioca você jogou no Flamengo, Fluminense e Botafogo. O único grande que você não atuou foi o Vasco. Foi uma opção sua, ou não teve proposta?
Djair: Teve propostas sim, mas não conseguimos chegar em um acordo. E era um dos clubes que eu mais tinha vontade de jogar, era o Vasco da Gama. Eu tinha um cunhado que era vascaíno, fazia parte da torcida, eu inclusive estive com os integrantes da torcida, vi que eles tinham vontade de me ver jogar lá, mas infelizmente não aconteceu. O Vasco da Gama era um clube que eu sentia que se eu fosse jogar lá (no Vasco) eu teria muitas alegrias com certeza.

FutRio: Você estava em campo no jogo em que o Renato Gaúcho fez aquele gol de barriga contra o Flamengo. Como foi esse jogo pra você?
Djair: Foi legal porque desde o começo da competição, o Flamengo naquela época tinha contratado o Romário, tava naquela de Copa do Mundo, fizeram gozações com o elenco do Fluminense e isso foi levado para o campeonato todo. O Flamengo jogava pelo empate nesse jogo, e nós no Fluminense tínhamos a obrigação de ganhar esse jogo. Durante o jogo nós fizemos 2 a 0, o Flamengo foi lá e empatou, o Lira foi expulso, o Lima também. Aí nós olhávamos para a arquibancada e vimos a torcida do Fluminense indo embora. E numa bola que o Aílton pegou, driblou o Charles Guerreiro e bateu. Na verdade eu acho que o Renato Gaúcho queria até sair da bola, mas acabou pegando na barriga dele e foi gol. Aquele título ficou muito mais marcante porque fazia nove anos que o Fluminense não era campeão. E é legal porque o torcedor tricolor quando me encontra na rua fala desse título.

FutRio: Você ao final da sua carreira, jogou pelo Madureira e foi vice campeão carioca. Como foi?
Djair: Foi muito legal, é uma equipe considerada pequena, mas uma das mais organizadas que eu já joguei. Já trabalhei em equipes grandes que não tinham a organização que tinha o Madureira. O Presidente Elias Duba conseguiu fazer com que a gente se sentisse bem lá dentro. E foi muito bom porque uma equipe considerada pequena chegou a final do campeonato carioca.

FutRio: Algum clube em especial na sua carreira?
Djair: O Botafogo me abriu as portas, eu agradeço e vou ser sempre grato por tudo que fizeram por mim. O Botafogo vai estar sempre no meu coração, vai estar sempre comigo, sou Botafoguense. Tenho um carinho muito grande por todos os clubes que eu passei, sempre deixei as portas abertas em todos os lugares, mas o clube que eu carrego comigo mesmo é o Botafogo.

FutRio: Um jogo inesquecível?
Djair: Fluminense 3×2 Flamengo em 1995. Esse jogo foi marcante por tudo que aconteceu no campeonato.