Bate Bola com a Dani: ex-zagueiro Ozires é o entrevistado de hoje

Ozires foi campeão da Libertadores em 76 (foto: Arquivo)

Ozires foi campeão da Libertadores em 76 (foto: Arquivo)

Ex-jogador foi campeão da Libertadores e vice-campeão mundial pelo Cruzeiro

Nome: Ozires de Paiva
Nascimento: 29 de janeiro de 1952, no Rio de Janeiro
Profissão: Ex-jogador
Posição: zagueiro.

Títulos: Copa Libertadores da América (1976-Cruzeiro); bicampeão cearense (1974 e 1975-Fortaleza)

FutRio: Trajetória da carreira?
Ozires: Comecei no Botafogo, nesta época era Osmar Guarneli, Nilson Dias. Um diretor do River (PI) veio assistir um jogo aqui no Rio e gostou de mim. Com isso, aos 19 anos me trasferi para o River. Tive a felicidade de ser campeão piauiense em 1973. Tive uma passagem de seis meses pelo Grêmio. Depois, acabei indo para o Fortaleza, onde fiz dois campeonatos brasileiros maravilhosos. Inclusive, em uma partida contra o Santos dentro da Vila Belmiro que tinha o Pelé, nós conseguimos um grande resultado. Dentro do campeonato, em uma partida contra o Cruzeiro, nós vencemos e eu fiz o gol da vitória. A partir daí, o Sr. José Moreira, treinador na época do Cruzeiro, se interessou pelo meu futebol e pediu que um olheiro me acompanhasse nos jogos. E assim foi sacramentada a minha venda para a raposa e lá eu tive a felicidade de ser campeão da Libertadores, vice-campeão do Mundial e campeão mineiro. Depois eu tive um problema no joelho, onde eu tive que fazer uma cirurgia e fui emprestado para um clube do Mato Grosso, onde também fui campeão. Mas foi no Cruzeiro que eu me firmei mesmo, fiquei no clube por oito anos e nesse tempo eu tive a felicidade de conquistar vários títulos e jogar com Dirceu Lopes, Nelinho, Moraes, Vanderley; era um time muito bom.

FutRio: Um título marcante?
Ozires: Tenho dois marcantes. Um foi a conquista da Libertadores da América e o outro o vice-campeonato mundial. A Libertadores foi num confronto contra o River Plate, com um gol de Joãozinho de falta. E o vice-campeonato Mundial, foi na Alemanha contra o Bayern de Munique, que na época tinha jogadores que foram campeões mundiais em 1974, com quem tive o prazer de jogar. Mas, também foi marcante pelo fato do estado do gramado, pois atuamos praticamente no gelo, estava impraticável e deu condição de jogo. Eu até perguntei para o Jair, que era um cara experiente, e perguntei: – Eles não vão tirar esse gelo do campo? Aí o Jair me disse que eles iam ligar o aquecedor para afastar a camada de gelo. Mas não aconteceu nada disso. Inclusive, os dois gols que nós tomamos, que foi marcado pelo Müller, foi devido aos escorregões que nós levamos. Já no jogo de volta no Mineirão, onde tinha mais de 120 mil torcedores no estádio, o jogo foi 0 a 0 e o Bayer de Munique acabou sendo campeão mundial na época. Mas pela campanha que o Cruzeiro fez, nós merecíamos o título.

FutRio: Podemos dizer então, que a maior dificuldade para você enquanto atleta foi jogar no gelo?
Ozires: Foi sim. Até porque eu só consegui ficar em pé. E o João Saldanha me deu uma nota 9 neste jogo – a nota máxima do time. O nosso copeiro, que hoje já é falecido, comprou umas travas e eu coloquei. O Joãozinho não quis colocar porque não jogava com chuteira de trava, o Jair também não. Eu curioso, fui e coloquei, eu tinha comprado uma chuteira nova pra mim na Alemanha, aí o nosso copeiro perguntou se ele podia colocar a trava na minha chuteira que ia me ajudar bastante. Aí deixei ele colocar e isso me deixou mais seguro, era bonitinha as travas. Eu fui o último a subir para o campo fui eu, e quando cheguei na beira do túnel, levei um escorregão e voltei pro túnel novamente, aí fiquei pensando, caramba será que essa trava vai resolver? Voltei pro campo e graças a Deus eu fui o único jogador a ficar de pé nesse jogo.

FutRio: Quem foi o seu melhor companheiro?
Ozires: Eu tive muita amizade com o Dirceu Lopes.

FutRio: E o mais chato?
Ozires: Tinha vários. Tinha o Géso, que tinha vindo da Bahia, teve boas atuações no Cruzeiro, mas ele era demais. Ele pegava a roupa do pessoal no vestiário, colocava dentro do bidê, ele era muito perturbado, gostava de brincar. Tem até uma situação, em uma viagem para Uberlândia, ganhamos o jogo e na volta, o Géso tinha muita mania de brincar com o Strik, aí o Strik dormindo, ele ia lá e amarrava o tênis dele no braço da cadeira, quando ele ia levantar para ir ao banheiro, ele caía. Outra vez o Strik pegou ele com a mão na massa, pediu que ele descesse do ônibus, mas depois combinou com o motorista para ele parar uns 5km depois, aí vinha ele correndo e tava frio. Aí ele veio falar comigo e eu disse: – Um dia algém ia ver. Então ele (Géso) era meio pertubado.

FutRio: Ficou muitos amigos do futebol?
Ozires: Ficou. Tem o Piaza, Jairzinho.

FutRio: Algum atacante que te deu mais trabalho?
Ozires: Tiveram vários. Na época, o Reinaldo, Cláudio Adão, César do Palmeiras, Darío.

FutRio: Quem foi seu melhor companheiro de zaga?
Ozires: O Moraes, que jogou comigo durante oito anos no Cruzeiro. Ele era um jogador que não tinha muita qualidade técnica, mas ele tinha uma personalidade muito grande. Ele era o batedor oficial do Cruzeiro na época. Foi um dos zagueiros que eu consegui me adaptar com mais rapidez.