Maycon, do Nova Iguaçu: um fidelense “de Aperibé”

Maycon nasceu no Norte Fluminense (Foto: Gilvan de Souza/Lancenet)

Maycon: Aperibé ou São Fidélis? (Gilvan de Souza/Lance)

Atacante é de São Fidélis, mas ganhou apelido após torneio que o levou ao Madureira

Gabriel Andrezo
Postado às 13:21 de 18/03/2013
Campeonato Carioca

O leve sotaque não deixa mentir: Maycon não é da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O atacante do Nova Iguaçu passou a maior parte da sua carreira em clubes da área, como Madureira, Bangu e o próprio time da Baixada, mas é oriundo ds cidade de Sâo Fidélis, no Norte do Estado.

No entanto, Maycon é conhecido por um apelido: Aperibé. De fato, as duas cidades não são distantes uma da outra, apenas 60 km. Mas como explicar a diferença entre os nomes das localidades? O próprio atacante explica que passou a ser chamado pela cidade em que não nasceu, mas defendeu em um torneio amador, disputado em Aperibé, há quase dez anos.

- Nasci e moro em São Fidélis, mas joguei um torneio de ligas metropolitanas em Aperibé, em 2004. A final foi contra o Madureira, eu estava jogando. Foi aí que o Madureira se interessou por mim e me convidou para jogar lá. Tinha 18 anos e já entrei no time de juniores. Quando cheguei, os que tinham me enfrentado viraram meus companheiros e logo me chamaram de “Aperibé”. Acabou ficando – diz Maycon.

O jogador deu seus primeiros passes no futebol pelo Tricolor Suburbano. Logo que chegou do Norte Fluminense, conseguiu se firmar e não tardou a integrar o plantel profissional. Sempre com o apelido:

- Cheguei já no primeiro ano de juniores. Graças a Deus, me destaquei e acabei subindo para o time profissional. O apelido acabou ficando e, mesmo que eu seja conhecido mais como Maycon mesmo, até hoje as pessoas que jogaram comigo me chamam de Aperibé.

Atacante explica passagens pelo exterior

Maycon saiu de São Fidélis para mudar seu destino, que passou a ser traçado em Aperibé. Mas o então garoto não imaginava que teria condições de se mudar para outro país, viver outra realidade num país distante e numa liga pouco conhecida por aqui. No entanto, foi isso que aconteceu em 2011, quando o atacante deixou o Brasil para defender o Melbourne Heart, da primeira divisão australiana.

- Na Austrália, a adaptação foi meio difícil no começo. Fazia frio, não sabia falar inglês, mas Melbourne tem muito brasileiro. Jogava com o Alex Terra, ex-Fluminense, a gente sempre encontrava com gente do Brasil – diz o jogador que, apesar de ter ido jogar a 13 mil quilômetros de casa, conseguiu ajudar os pais a superarem uma tragédia que abalou o Estado do Rio:

- Acabei não jogando muito na Austrália, revezava muito com o Alex. Mas consegui construir a casa dos meus pais. Naquela chuva da Região Serrana, que destruiu Nova Friburgo, em 2011, Sâo Fidélis foi muito atingida e a gente perdeu quase tudo. Pude ajudar minha família, mesmo jogando tão longe. Cheguei a ficar dois anos sem ver meus pais por estar jogando lá fora.

Mesmo superando a dor de ficar longe dos familiares, o jogador seguiu no futebol asiático. No ano passado, jogou na Malásia, pelo Pahang, clube em que era o único brasileiro. Mesmo assim, se destacou, fez gols e foi campeão da segunda divisão local.

- Na Malásia, já estava com o inglês um pouco melhor. O sotaque era mais fácil de entender e é uma língua que todo mundo fala por lá. Eles aprendem inglês na escola desde cedo, como se fosse matemática Aprendi espanhol também. E consegui fazer gols e ser campeão, mesmo só jogando um campeonato – lembra.

De São Fidélis a Aperibé, e ainda dando a volta ao mundo, Maycon volta ao Brasil e ao Rio de Janeiro para se encontrar no Nova Iguaçu, clube em que destacou-se em nível estadual há dois anos. A esperança é voltar à boa fase, sem nunca esquecer as verdadeiras origens.