A Cultura do Futebol – ano 2011

Cláudio Lovato Filho

POSTS DO ANO DE 2011

postado em 12/11/2011 

Artistas dentro e fora dos gramados

Vários jogadores e técnicos de futebol não se limitaram a tentar encantar plateias dentro dos estádios. Arriscaram-se também longe dos campos, fazendo música (principalmente), mas também literatura, cinema, artes plásticas… Confira alguns casos.

Breno Higino de Mello foi campeão gaúcho pelo extinto Renner, de Porto Alegre, em 1954. Jogava ao lado de Ênio Andrade, que viria a ser tornar um dos mais importantes treinadores brasileiros de todos os tempos. Depois do Renner, Breno, que era meia, jogou no Santos de Pelé e no Fluminense. Foi no Rio, em 1958, que ele recebeu o convite para ser o ator principal do filme “Orfeu Negro” (“Orphée Noir”), do francês Marcel Camus. O filme foi o vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes e contribuiu para que a Bossa Nova ficasse mais conhecida internacionalmente. No filme, Breno, morto em 2008, contracenou com a atriz norte-americana Marpessa Dawn e cantou “A Felicidade” e “Manhã de Carnaval”.

Leovegildo Lins da Gama Júnior foi o jogador que mais vezes vestiu a camisa do Flamengo: foram 865 jogos pelo rubro-negro carioca. Em 1982, poucos meses antes da Copa da Espanha, ele gravou um compacto com a música “Povo Feliz”, que ficou mais conhecida como “Voa Canarinho”. O compacto vendeu mais de 800 mil cópias. Em 1995, ano do centenário do Flamengo, Júnior gravou um CD em homenagem ao clube, com a participação dos músicos Bebeto e Moraes Moreira.

O uruguaio Atílio Genaro Ancheta Weiguel jogou no Grêmio de 1971 a 1979. Chegou a Porto Alegre depois de ter sido eleito o melhor zagueiro central da Copa de 70, no México. Hoje é treinador no interior do Rio Grande Sul, mas, entre o fim da carreira como jogador e o início da trajetória como técnico, dedicou-se a cantar boleros na noite da capital gaúcha e chegou a gravar um disco.

Ronaldo Soares Giovanelli foi goleiro do Corinthians de 1988 a 1998. Só Wladimir e Luisinho disputaram mais partidas que ele pelo Timão: Ronaldo entrou em campo pelo clube 601 vezes. Como líder da banda de rock Ronaldo e os Impedidos, gravou um CD que vendeu mais de 40 mil cópias.

Jorge Alberto Francisco Valdano Castellanos, campeão do mundo em 1986, no México, com a Seleção Argentina, teve como primeira equipe o Newell’s Od Boys. Valdano, que também tem nacionalidade espanhola e tornou-se técnico depois de parar de jogar, é autor de cinco livros: “Sueños de Fútbol”, “Cuentos de Fútbol”, “Cuentos de Fútbol II”, “Los Cuadernos de Valdano” e “El Miedo Escénico y Outra Hierbas”.

Carlos Alberto Parreira, técnico da Seleção Brasileira que conquistou o tetra nos Estado Unidos, em 1994, também dedica-se à pintura e é adepto da escola impressionista. Está, neste momento, preparando sua terceira exposição individual.

Pelé, o maior jogador de futebol de todos os tempos, também tentou ser grande na música. Desde os anos 60, ele compõe suas canções. Em 1969, Elis Regina gravou o compacto “Tabelinha”, com duas músicas de um então desconhecido compositor chamado Edson Arantes do Nascimento: “Perdão não Tem” e “Vexamão”. Além de Elis, gravaram músicas de Pelé Sérgio Mendes, Wilson Simonal, Wando, Gilberto Gil, Jair Rodrigues e Maria Alcina. Mas não foi apenas no mundo da música em que Pelé fez suas investidas: o cinema também lhe provoca grande paixão. Ele participou de vários filmes, entre documentários (como “Isto é Pelé” e “Pelé Eterno”) e obras de ficção (caso de “Pedro Mico e os Trombadinhas”). Foi, contudo, no filme “Fuga para a Vitória”, de 1981, dirigido por John Huston, que Pelé atingiu seu auge na “sétima arte”. O filme se passa em um campo de prisioneiros alemão durante a Segunda Guerra Mundial e tem a participação de Max Von Sydow, Michael Caine, Sylvester Stallone e do craque inglês Booby Moore.

Jogando por Música

Depois de fazer sucesso na várzea carioca, Diogo Nogueira chegou a jogar profissionalmente pelo Esporte Clube Cruzeiro, de Porto Alegre. Uma lesão no joelho, entretanto, abreviou-lhe a carreira futebolística – e lançou-lhe, de vez e sem retorno, ao mundo da música. Filho de João Nogueira, que costumava levar-lhe às arquibancadas do Maracanã para apoiar o Flamengo, Diogo lançou seu álbum de estreia em 2007: “Diogo Nogueira ao Vivo”. Dito isso, fica então a dica da coluna: “Samba pros Poetas”, do ex-futuro boleiro consagrado Diogo Nogueira, hoje craque do samba.

Até a próxima.

postado em 05/08/2011

Os escritores e o futebol

O botafoguense Armando Nogueira

O tricolor Nelson Rodrigues

O vascaíno Rubem Fonseca

O flamenguista José Lins do Rego, à direita

Alguns deles chegaram a escrever sobre o futebol – contos, crônicas, romances, poemas, ensaios. Outros, apesar da paixão que nutrem/nutriam pela bola, não usaram seu talento, pelo menos diretamente, para homenagear o futebol e nos presentear com o que certamente seriam lindos gols literários. Bom, o fato é que os nossos escritores, muitos deles, são/eram torcedores de usar uniforme do clube e carregar bandeira. Veja a seguir por quais times torcem/torciam alguns dos nossos grandes artistas das letras.

Botafogo: Olavo Bilac, Clarice Lispector, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos (também torcedor do Atlético/MG), Vinicius de Moraes, Manoel de Barros, Arthur Dapieve, Armando Nogueira

Fluminense: Nelson Rodrigues, Carlos Heitor Cony, João Máximo, Chico Buarque, Nelson Motta, Mario Lago

Vasco: Rubem Fonseca, Paulo Coelho, Ferreira Gullar, Aldir Blanc, Carlos Drummond de Andrade (também torcedor do Cruzeiro)

Flamengo: José Lins do Rego, Ruy Castro

Grêmio: Erico Verissimo, Mario Quintana, Eduardo “Peninha” Bueno

Internacional: Luis Fernando Verissimo (também torcedor do Botafogo), Walter Galvani

Vitória: João Ubaldo Ribeiro (também torcedor do Vasco)

Sport Recife: Ariano Suassuna

Náutico: Maximiniano Campos

Atlético/PR: Dalton Trevisan, Paulo Leminsky, Cristovão Tezza

Atlético/MG: Roberto Drummond

Santos: Tony Bellotto, José Roberto Torero

São Paulo: Miguel Sanches Neto

Corinthians: Juca Kfouri, Celso Unzelte, Ricardo Gozzi

Palmeiras: Cassiano Ricardo

Brasil de Pelotas/RS: Aldyr Garcia Schlee

Cruzeiro/RS: Moacyr Scliar

Ypiranga/BA: Jorge Amado (também torcedor do Bangu)

Linense/SP: Mario Prata (também torcedor do Guarani/SP e do Figueirense)

Uruguai

Não há como deixar de admirar o jeito de jogar da seleção uruguaia. A Celeste, que acaba de conquistar a Copa América e que, um ano antes, havia sido semifinalista da Copa do Mundo da África do Sul, tem Diego Forlán (cujo pai, o ex-jogador Pablo, é cônsul em Montevidéu do time do Friburguense, vice-campeão da série B do Rio de Janeiro), tem Luis Suarez, sim, craques, mas tem, sobretudo, uma seriedade e uma vontade vencer capazes de causar inveja em muita seleção mundo afora. E tem também um jogo rápido, vertical, mortal, solidário, autoconfiante, e, neste momento, não se pode deixar de falar de Óscar Tabarez, um treinador calejado e inteligente. Nesse time do Uruguai, ninguém fica de mãos na cintura; ninguém reclama se a bola não chega macia e fácil no pé; ninguém deixa um companheiro na roubada sozinho. Nesse time do Uruguai, existe humildade e verdadeiro espírito de equipe, características que parecem estar em extinção no futebol mundial. Para homenagear o valoroso povo uruguaio, fica aqui uma preciosa dica de leitura (ou de audição, porque também está no “youtube”): o poema “Todavía”, do grande mestre uruguaio Mário Benedetti. Para desfrutar.

Jogando por música

Carlinhos Vergueiro é completamente apaixonado por futebol. Torcedor do Fluminense e do São Paulo (tricolor em dois estados!), chegou a fazer música para um de seus ídolos, Mengálvio, que formou com Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe aquela celebre “linha” santista da qual ninguém se esquece. A primeira música de Carlinhos Vergueiro sobre futebol foi “Camisa Molhada”, de 1976, composta em parceria com Toquinho. Esta é então a dica da coluna: “Camisa Molhada”, de Carlinhos Vergueiro e Toquinho. Aliás, ampliemos a dica para a obra completa de Carlinhos, que ama o futebol tanto quanto a música.

Até a próxima.

postado em 10/07/2011

Copa América 2011

A Copa América começou em 1º de julho com um surpreendente empate entre a anfitriã Argentina e a Bolívia. Até o dia 24 de julho, vamos testemunhar o desfile de grandes rivalidades regionais. São 12 seleções e nove títulos mundiais em campo (cinco do Brasil, dois da Argentina e dois do Uruguai). Não é pouca coisa. Neymar, Ganso, Forlán, Suárez, Messi, Aguero, Giovani do Santos, Guerrero, Pizarro… Tem muita gente boa, com bola (de sobra) no pé. O início da Copa América (torneio cujos recordistas de conquistas são a Argentina e o Uruguai, com 14 títulos cada) é um bom pretexto para falarmos um pouco de alguns dos países que a disputam – de seu futebol e, claro, de sua cultura. Despretensiosamente.

Uruguai – O grande escritor Eduardo Galeano, autor de “As Veias Abertas da América Latina” e “Futebol ao Sol e à Sombra” diz que foi o futebol que colocou o Uruguai no mapa múndi. Galeano costuma afirmar que o Uruguai é um país “futebolizado”. Em 2010, consegui realizar um antigo sonho futebolístico: assisti a um clássico Peñarol x Nacional no Estádio Centenário. Inesquecível. O futebol uruguaio foi campeão das Olimpíadas de 1924 e 1928 – daí o segundo nome da sua seleção nacional, “Celeste Olímpica”. Campeão mundial na primeira Copa do Mundo da história, realizada em seu território, o Uruguai repetiu o feito no Brasil, em 1950. O futebol está nas Letras uruguaias, e não apenas nas Letras de Galeano, que é completamente apaixonado pelo futebol. O mestre Mário Benedetti também escreveu sobre o jogo. “Ponta-esquerda” é um conto extraordinário, publicado no Brasil no livro “22 Contistas em Campo”, obra organizada por Flávio Moreira da Costa para a editora Ediouro.

Argentina – Campeã do mundo em 1978, com o time de Mário Kempes, Luque e Ardiles, e em 1986, com Maradona mostrando o quanto era gênio, a Argentina vive o futebol com uma intensidade vista em (bem) poucos outros países. Muito já se falou sobre a os jogos do Boca com La Bombonera lotada ou sobre os espetáculos do River (recém-rebaixado…) no Monumental de Nuñez. Mas é muito mais que isso. O argentino vive o futebol de uma maneira que só pode ser entendida como “desesperada”. Bom, sua música também parece assim. Sua música e sua dança. Quem já assistiu a uma exibição do melhor tango portenho sabe que eles, os argentinos, fazem isso como se não houvesse amanhã. E assim jogam futebol. Livros como “Con Alma de Pelota”, de Martín Gutierrez (editora De Los Cuatro Vientos), e “Cuentos de Fútbol Argentino”, organizado por Roberto Fontanarrosa (editora Alfaguara) ajudam a explicar o fascínio e a loucura argentina pelo futebol.

Peru – A última vez que o país disputou uma Copa do Mundo foi em 1982. O Peru é um país de literatura riquíssima, e a obra do ganhador do Prêmio Nobel, Vargas Llosa, é sua face mais visível. O país que já mandou a campo craques como Cubillas, Chumpitaz e Oblitas é um encanto. Em 2010, tive a oportunidade de visitá-lo pela segunda vez. Fui da Amazônia peruana aos Andes no mesmo dia, de carro. No trajeto, música peruana para relembrar o futuro e imaginar o passado. Se você nunca ouviu Susana Baca, por favor, não perca mais tempo. É uma cantora capaz de nos transportar a lugares muito bons.

Venezuela – A seleção “vino tinto” já aprontou uma boa logo na sua estreia nesta Copa América: arrancou um empate em zero com o Brasil de Ganso e Neymar. O futebol da Venezuela está evoluindo. Longe de ser um clichê enunciado com leviandade esta é uma verdade incontestável. Tanto no que se refere à tática quanto ao aspecto individual, o futebol venezuelano já deixou de ser aquele “convidado bem trapalhão” de outros tempos. Agora joga bola. O beisebol ainda é o esporte número 1 do país presidido por Hugo Chávez Frías, sim, é verdade. Mas jogadores como o zagueirão Vizcarrondo, o atacante Rondón e o eterno (e pioneiro) ídolo Arango estão aí para deixar claro que o futebol da Venezuela existe e está ficando bom. De verdade. Uma vez, em 2007, eu estava em Caracas, a trabalho, e acabei permanecendo o fim de semana. Fui ao Estádio Brígido Hiriarte, em Caracas, assistir a uma partida do campeonato venezuelano, entre Caracas e Deportivo Táchira. Dois a um para o Táchira. Jogo de bola dos bons. Lembro-me de ter pensado que muitas partidas da Série A do Brasileirão não chegavam nem perto da qualidade daquela. Sim, campeonato venezuelano. Aquilo queria dizer alguma coisa, claro. Se um dia lhe surgir uma oportunidade de visitar a Venezuela, vá à Isla Margarita e a Los Roques, certo, mas não deixe de subir o Cerro Ávila, principal cartão-postal de Caracas e comprovar que naquela cidade, naquele país há lugar para todas as paixões e para todo o tipo de convívio harmônico – mesmo entre beisebol e futebol; mesmo quando a política insiste em tentar afastar os homens e fazê-los hostis uns aos outros.

Chile – País-sede da Copa do mundo de 1962, aquela em que Mané Garrincha barbarizou, o Chile trouxe ao mundo alguns grandes jogadores como Elias Figueroa (que eu, então um jovem torcedor gremista, me acostumei a xingar nos começo dos anos 70), Caszely, Salas e Zamorano. Minha primeira viagem internacional teve como destino o Chile. Quando cheguei ao Aeroporto Arturo Merino Benítez, em Santiago, naquele maio de 1993, tive a sensação de que coisas importantes estavam começando a acontecer na minha vida. Estive na capital e no sul do país, na região de Puerto Montt. Ali, às margens do Canal de Chacao, enfrentando um frio de 3º, entrevistei um jovem operário de nome Bautista. Falamos da obra em que ele estava trabalhando (um torre de transmissão de energia), falamos da vida na Ilha de Chiloé, onde ele vivia, mas falamos, sobretudo, do Estrella del Sur, o time da ilha, time no qual ele jogava, o time do seu coração – e não o Colo Colo, nem a Universidade do Chile ou a Universidade Católica. O Estrella del Sur.

Vinícius e Mané

E por falar na Copa de 62, no Chile, aquela em que Garrincha fez chover de baixo para cima, vamos lembrar um poema de Vinícius de Moraes intitulado “O Anjo das Pernas Tortas”. Um artista genial falando de outro; homenageando outro; rendendo tributo a outro. Um pouco de poesia para suavizar o dia. Uma maravilha.

“A um passe de Didi, Garrincha avança

colado o couro aos pés, o olhar atento

dribla um, dribla dois, depois descansa

como a medir o lance d momento.

“Vem-lhe o pressentimento; ele se lança

mais rápido que o próprio pensamento

dribla mais um, mais dois; a bola trança

feliz, entre seus pés – um pé de vento!

“Num só transporte a multidão contrita.

Em ato de morte se levanta e grita.

Sem uníssono canto de esperança.

“Garrincha, o anjo, escuta e atende: – Gooooool!

É pura imagem: um G que chuta um o

dentro da meta, um l. É pura dança!”

Jogando por música

Roger Waters é fanático por futebol. O ex-baixista e vocalista do legendário Pink Floyd torce pelo Arsenal de Londres. Uma vez, quando estava em Porto Alegre, nos anos 90, saiu correndo (literalmente) do Bar Opinião, onde ensaiava com sua banda, e enfiou-se no quarto do hotel para assistir a uma partida dos “gunners”. Esse, portanto – para além da música maravilhosa que fez e continua fazendo – merece todo o nosso respeito. A sugestão deste “Jogando por Música” é “Comfortably Numb”, que bem poderia ser a trilha sonora da nossa atual seleção (pelo menos, considerando-se aquilo que ela fez no jogo contra a Venezuela, em sua estreia na Copa América).

Até a próxima.

postado em 21/06/2011

As pequenas grandes casas do futebol carioca

Eles têm muito charme e são verdadeiros ícones do futebol do Rio. Simbolizam tempos românticos – frutos que são do amor ao clube e ao bairro. Eles são os estádios dos chamados clubes de menor investimento do Rio. Nesta sequência sobre os templos do futebol carioca, vamos (re)visitar as casas de São Cristóvão, Bangu, Madureira, Olaria, Portuguesa, Bonsucesso e Campo Grande. E fazer uma homenagem ao América, que já foi grande, mas que estará para sempre no coração de todos.

São Cristóvão – O Estádio da Rua Figueira de Melo foi inaugurado em 23 de abril de 1916, com uma partida entre São Cristóvão e Santos assistida por 6 mil pessoas e que terminou empatada em 1 x 1. O estádio, que já teve capacidade para receber 8 mil torcedores, hoje só pode acolher mil. Foi em Figueira de Melo que Ronaldo Fenômeno deu seus primeiros passos como jogador profissional.

Bangu – Inaugurado em 17 de novembro de 1947 – para substituir o antigo Estádio da Rua Ferrer –, o Estádio Proletário Guilherme da Silveira Filho, mais conhecido como Estádio de Moça Bonita, recebeu sua primeira partida em 12 de dezembro de 1948: vitória do Flamengo sobre o Bangu por 4 x 2. Moça Bonita tem capacidade para 15 mil torcedores.

Madureira – Uma partida em que o Madureira bateu o Fuminense por 3 x 1 inaugurou o Estádio na rua Conselheiro Galvão, em 1941. Sua capacidade é de 10 mil torcedores, e o gramado, que tem 101 por 68 metros, chegou a ser considerado um dos melhores do Rio de Janeiro.

Olaria – Localizado na Rua Bariri, e por isso bem mais conhecido por este nome, o Estádio Mourão Filho foi inaugurado em 1947 e pode receber até 18 mil torcedores. Na Rua Bariri, gênios do futebol como Jair Rosa Pinto começaram suas trajetórias de heróis.

Portuguesa – O Estádio Luso Brasileiro, na Ilha do Governador, foi inaugurado em 1965 e tem capacidade para 15 mil pessoas. A primeira partida no Luso Brasileiro foi um Flamengo 4 x 1 Portuguesa. Em 2005, como resultado de uma parceira entre o Flamengo, o Botafogo e a Petrobras, o estádio foi ampliado, com a instalação de estruturas metálicas que elevaram sua capacidade para 20 mil torcedores.

Bonsucesso – O Estádio Leônidas da Silva, na Avenida Teixeira de Castro, foi inaugurado em 1936. Ali, o Bonsucesso Futebol Clube manda seus jogos, que podem ser assistidos por até 10 mil torcedores.

E a homenagem especial…

America – Fundado em 1904, o America Football Club, a partir de 1911, mandou seus jogos no campo da Rua Campos Sales, onde hoje fica o Shopping Center Iguatemi, na Tijuca. Entre 1962 e 1994, sua casa foi o Estádio Wolney Braune, mais conhecido como o Estádio do Andaraí. A partir de 2000, o estádio do clube passou a ser o Giulite Coutinho (foto), em Edson Passos, capaz de receber 16,5 mil torcedores. Da Rua Campos Sales (onde até hoje mantém sua sede) a Edson Passos, o America vem protagonizando uma das histórias mais emblemáticas do futebol carioca.

Fotografia

O Instituto Moreira Salles possui um riquíssimo acervo fotográfico, do qual fazem parte algumas extraordinárias coberturas esportivas. No hall de entrada do complexo de cinemas Unibanco Artplex, na Praia de Botafogo, no Rio, um conjunto de fotos históricas sobre o nosso futebol, feitas nas décadas 40, 50 e 60, podem ser apreciadas por aqueles que estão (ou não) indo curtir um cineminha em Botafogo. Há fotos da final da Copa de 50, entre Brasil e Uruguai, disputada em um Maracanã ainda não totalmente concluído, fotos de jogadores no vestiário, preparando-se para entrar em campo, fotos de partidas disputadas no Pacaembu, em São Paulo, fotos de Heleno de Freitas… É para comover os aficionados pela bola. Não perca.

Jogando por música

Jack Johnson é um cara legal. Disso ninguém tem dúvida. Esse cantor e surfista norte-americano nascido no Havaí, não cansa de nos presentear com sua música simples e emocionante. Jack é um fanático por esporte. Compôs uma canção chamada “Mud Football”, na qual fala de uma turma de amigos que se esbalda jogando futebol (americano) na lama. Recentemente, quando esteve excursionando pelo Brasil, Jack jogou futebol (o nosso) com brasileiros em uma praia do litoral paulista. Bateu bola e, pelo que se ouviu, saiu-se bem. Divertiu-se, claro. A sugestão de “Jogando por Música” é “Mud Football”, com o gente-boa Jack Johnson. Aloha!

Futebol uruguaio

Se é, de fato, um “renascimento”, bom, isto se verá mais adiante, com mais algumas comprovações em campo. Mas que o futebol uruguaio vive um momento especialmente positivo, isto é indiscutível. A época é boa para os “orientales”, não há dúvida. Semifinalista da Copa do Mundo de 2010, com direito a ter o melhor jogador da competição (Diego Forlán), e finalista da Libertadores 2011, o futebol uruguaio mostra ao mundo que existe, sim, ali, naquele país de pouco mais de 3 milhões de habitantes, uma escola de futebol centenária e poderosa, e talvez até mais que isso: que existe ali um “país futebolizado”, como já disse o grande escritor uruguaio Eduardo Galeano. A propósito do mestre Galeano, esta é a dica de leitura da coluna: “Futebol ao Sol e à Sombra”.

Até a próxima.


 
 
postado em 02/06/2011

Os velhos templos do futebol carioca

Vivemos tempos de construção e reforma de estádios para a Copa do Mundo de 2014. Os olhos estão voltados para o futuro, obsessivamente. Talvez seja o momento ideal para falarmos um pouco dos nossos estádios históricos e imaginar o quanto sua construção foi impactante à época em que foi realizada. Nesta edição da coluna, só para começar, vamos falar dos lendários estádios dos quatro grandes do Rio.

Fluminense – O Estádio Manoel Schwartz (anteriormente Estádio Álvaro Chaves), mais conhecido como Estádio das Laranjeiras, foi fundado em 14 de agosto de 1904. Em 1905, recebeu a primeira arquibancada de campos de futebol do Rio. Em 1914, ambientou o primeiro jogo da Seleção Brasileira. Desde 2003 o Fluminense não realiza mais jogos ali, por razões de segurança.

Botafogo – No bairro que lhe deu nome, o clube fundou seu primeiro estádio, General Severiano, em 1913. As arquibancadas de concreto foram inauguradas em 1938. O estádio foi demolido na década de 1970. Em 1977, o Botafogo passou a mandar seus jogos no Estádio Mané Garrincha, em Marechal Hermes. No anos 80 até o meados da década de 2000 o clube jogou no Estádio de Caio Martins, em Niterói. Hoje recebe seus adversários no Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, inaugurado em 2007.

Vasco da Gama – O Estádio Vasco da Gama, bem mais conhecido como São Januário, foi inaugurado em 21 de abril de 1927. Até então, o clube jogava no campo do Andaraí, que depois passou ao America Football Club. Em estilo neocolonial, São Januário foi o maior estádio de futebol das Américas até a inauguração do Estádio Centenário, em Montevidéu. Até 1940, ano de conclusão do Estádio do Pacaembu, em São Paulo, era o maior do Brasil.

Flamengo – O Estádio José Bastos Padilha, ou Estádio da Gávea, foi entregue à torcida rubro-negra em 4 de setembro de 1938. O Flamengo fez seu último jogo no estádio em 1997. Hoje o clube mantém ali atividades das categorias de base e sua sede social. Assim como o Fluminense, manda seus jogos no Maracanã. Nesta época de reforma do Maracanã, o Flamengo compartilha o Engenhão com o Botafogo e o Fluminene.

1001 tiradas sensacionais

O jornalista gaúcho Cláudio Dienstmann lançou em 2006 o livro “Futebol em Frases” (Editora AGE), com 1001 sentenças de intelectuais, jornalistas, técnicos, jogadores e dirigentes. É um dos meus livros de cabeceira, porque me faz rir e refletir, mas sobretudo porque me emociona. Deem uma conferida na amostra a seguir.

“Eu não acredito em sorte – mas ela é indispensável em futebol”.

(Alan Ball, jogador inglês)

“Futebol não segura governo; o que segura governo é tanque”.

(João Saldanha, jornalista e técnico)

“Quando a gente para de jogar futebol, até de concentração sente falta”. (Jorginho, jogador)

“O drible no futebol é dar aos pés astúcias de mão”.

(João Cabral de Melo Neto, poeta)

“A tática do futebol surge no campo”.

(Rinus Michels, técnico holandês)

“Quem não souber por que perdeu em futebol, não vai saber por que ganhou”.

(Luiz Felipe Scolari, técnico)

“Em futebol, quem resolve são os jogadores”.

(Mano Menezes, técnico)

Por fim, uma frase do técnico Alex Fergusson. Refletindo sobre ela, dá para entender por que o escocês não economizou elogios ao Barcelona de Messi, Xavi e Iniesta, algoz do seu Manchester United nesta final da Liga dos Campeões da Europa.

“A condição prévia para um bom futebol é o passe preciso”.

Jogando por música

Rod Stewart nasceu na Inglaterra, mas tem ascendência escocesa. Isso ajuda a entender as razões de seu fanatismo pelo Celtic, um dos maiores clubes da Escócia, e pelo Manchester United de tantas glórias. Rod Stewart chegou a mencionar os dois clubes na letra de “You’re in my heart”. Um dos melhores cantores de pop e rock de todos os tempos, que inspirou multidões (incendiou corações) com sucessos como “Dou you think I’m sexy?”, “Passion” e “Sailing”, Rod nasceu em 1945 e fez quase tudo na vida: foi coveiro, boleiro profissional, dirigente de futebol… Mas foi com sua voz rouca e uma presença de palco marcante que ele vem encantando o mundo desde os tempos em que acompanhava Jeff Beck e Ron Wood na banda “The Faces”. Fica com vocês a dica da coluna: “You’re in my heart”. É só curtir.

Em Campo Aberto

No dia 14 de junho, a partir das 19 horas, na Livraria Argumento do Leblon, no Rio de Janeiro, terei o prazer de receber os amigos na noite de lançamento de meu terceiro livro, “Em Campo Aberto”. É o meu primeiro romance (os dois anteriores foram livros de contos) e tem o selo da Editora Record. Os amigos da coluna estão todos convidados.

Até a próxima.

postado em 20/05/2011

O Rio nas quatro divisões

O Campeonato Brasileiro volta a ocupar a mente e o coração do torcedor a partir desta sexta-feira, 20 de maio, dia da primeira rodada da Série B em 2011. No dia seguinte, é a vez de os times da Série A começarem a ir à luta. As séries C e D iniciam, respectivamente, em 16 e 18 de julho.

Oito clubes do Estado do Rio participarão das disputas nas quatro divisões. Os gigantes Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo, na primeira; Duque de Caixas, na segundona; Madureira e Macaé, na terceira; e Sendas e Boa Vista, na quarta.

O Rio vem com giz no taco para brigar por conquistas nas quatro divisões. O estado tem os dois últimos campeões nacionais da Série A: Flamengo e Fluminense. Esses dois cubes têm elencos que permitem às suas torcidas ambicionarem o titulo máximo outra vez. O Vasco, semifinalista da Copa do Brasil, está em franca ascensão sob o comando de Ricardo Gomes. E o Botafogo… é o Botafogo. Pode fazer sua torcida amargar maus pedaços e pode levá-la às alturas no mesmo torneio. Assim é o Botafogo.

O brioso Duque de Caixas não está para brincadeira na Série B. É o único carioca nessa divisão, e vai tentar ser um representante não apenas digno, mas surpreendente.

Madureira, Macaé, Sendas e Boa Vista vão lutar para mostrar a todos os aficcionados brasileiros que merecem seu lugar ao sol. Além disso, as torcidas desses clubes podem ter uma outra certeza: a caminhada de seus times será acompanhada de perto pelo site FutRio.net.

Para quem quiser, a título de aquecimento, se inteirar de como andam as coisas para os lados dos clubes da Série A – negócios, bastidores, chances de título etc – é só ir à banca mais próxima e adquirir seu exemplar das revistas ESPN, Globo Esporte, Placar ou Lance (publicada pelo jornal Lance). Edições caprichadas, em forma e conteúdo, para o torcedor se colocar a par, de maneira muita prazerosa, de tudo o que está para rolar neste início de Brasileirão.

Jogando por música

Waka Waka, a canção oficial da Copa do Mundo da África do Sul, embalou sonhos de torcedores de todo o planeta na voz da colombiana Shakira. É a dica da coluna. Enquanto acompanhamos, preocupados, o andamento dos preparativos para a Copa do Mundo de 2014, que sediaremos, vale a pena relembrar aquela que foi a primeira Copa do continente africano, com justiça vencido pela Espanha (apesar da bela tentativa da Alemanha de nos apresentar um futebol irresistível e da inspiradora participação da aguerrida e habilidosa seleção uruguaia).

Terra de Gigantes

Publicado pela primeira vez em 1965, o livro Gigantes do Futebol Brasileiro ganhou nova edição, que está chegando agora às livrarias. Escrito por João Máximo e Marcos de Castro e ilustrado por Ique, o livro vem acrescido do perfil de nove craques do nosso futebol, totalizando 21 artistas da bola. Lançado pela editora Civilização Brasileira (Grupo Record), tem prefácios de Paulo Mendes Campos e Luis Fernando Veríssimo.

Quer saber quem são os 21? Então dê uma olhada aí embaixo e diga se algum deles ficaria de fora do seu time.

Friedenreich, Fausto, Domingos da Guia, Leônidas da Silva, Tim, Romeu, Zizinho, Heleno de Freitas, Ademir, Danilo Alvim, Nilton Santos, Didi, Garrincha, Pelé, Gerson, Rivellino, Tostão, Falcão, Zico, Romário e Ronaldo.

Futebol no cinema

Anote aí na sua agenda: de 26 a 31 de maio, no cinema Unibanco Arteplex, na Praia de Botafogo, no Rio, acontece o CINEfoot – Festival de Cinema de Futebol, que exibirá 11 curtas e 11 longas-metragens sobre o assunto de nossa indestrutível devoção. O festival será levado ao Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, de 2 a 5 de junho. Nesta segunda edição, o CINEfoot passa a ser um evento internacional: exibirá, além dos brasileiros, filmes de Alemanha, Espanha, Suécia, Chile, Uruguai, Argentina e Inglaterra. Entrada franca em todas as seções, sujeito à lotação da sala. O filme de abertura será O Gringo Mais Querido do Brasil, sobre o sérvio Petkovic, em sessão para convidados. Veja a programação completa em www.cinefoot.org

Até a próxima!

postado em 05/05/2011

Olho no Coritiba

O Coritiba prossegue em sua caminhada vitoriosa. De maneira gradativa e discreta, vem impressionando o Brasil com um futebol extremamente organizado e solidário. Se continuar jogando desse jeito, daqui a pouco não vai mais impressionar; vai assombrar. Esse time do Coxa, comandado por Marcelo de Oliveira, ex-jogador do Atlético/MG no anos 70, vai incomodar muito no Brasileirão 2011. Neste 5 de maio, ao aplicar uma goleada histórica de 6 x 0 no Palmeiras de Luiz Felipe Scolari, no Couto Pereira, pela Copa do Brasil, consolidou de forma categórica seu recorde de vitórias consecutivas entre os clubes brasileiros: agora são 24 “marcas na coronha”, como diria um amigo e companheiro de trabalho, torcedor do São Cristovão, do Rio de Janeiro.

Quem quiser conhecer um pouco mais da historiado Coritiba, campeão brasileiro de 1985 (em cima do Bangu, numa final decidida nos pênaltis, no Maracanã), pode fazer isso de forma muito prazerosa lendo o livro “Coritiba Foot Ball Clube – Emoção Alviverde” (editora DBA), escrito por Eugenio Goussinsky e João Carlos Assumpção. Outra dica é o livro “Meu Pequeno Coxa-Banca” (Belas Letras), de autoria da atriz curitibana Guta Stresser, a Bebel de “A Grande Família”.

Jogando por música

A dica da coluna: “É uma Partida de Futebol”, composta pelo cruzeirense Samuel Rosa e pelo são-paulino Nando Reis, uma linda homenagem ao esporte que, para todos nós, é esporte, paixão e religião. A música está no CD “MTV ao Vivo”, de 2001. Sobe o volume!

Desastre na Libertadores

Foram quatro eliminações brasileiras na fatídica noite de 4 de maio: Fluminense, Cruzeiro, Grêmio e Internacional. Na Libertadores 2011, as esperanças verde-amarelas estão agora nas mãos do Santos de Paulo Henrique Ganso e Neymar.

Das eliminações, as mais surpreendentes foram a do Cruzeiro (sobretudo esta) e a do Fluminense. A missão do Grêmio tinha ficado muito complicada desde o primeiro jogo. E o Internacional… Bom, o Internacional de Paulo Roberto Falcão estava enfrentando o Peñarol de Montevidéu. E os uruguaios jamais desistem.

Caso você queira se aprofundar um pouco mais no jeito uruguaio de ver, sentir e jogar futebol, procure o livro “Anatomia de uma Derrota” do jornalista Paulo Perdigão. Ali está, “dissecada” em todos os seus detalhes, a derrota brasileira para o Uruguai na Copa de 50. Essa obra fantástica sobre um acontecimento fantástico mostra porque, no futebol e na vida, a união, a coragem e a humildade são atributos fundamentais dos vencedores.

Até a próxima.

postado em 15/04/2011

Bróder

Depois de sua première mundial no Festival de Berlim, o longa “Bróder”, de Jeferson De, estreia nesta sexta-feira, 22 de abril, nos cinemas brasileiros. O filme foi o grande vencedor do Festival de Cinema de Gramado em 2010 e conta a história de três amigos de infância – Macu (Caio Blat), Pibe (Sílvio Guindane) e Jaiminho (Jonathan Haagensen) – que se reencontram, depois de anos, no bairro do Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo. Macu está envolvido com o crime; Pibe é um corretor de imóveis e pai de família sem perspectivas; e Jaiminho é um jogador de futebol que está fazendo sucesso na Europa e sonha jogar a próxima Copa do Mundo. A força da amizade e os carrinhos sem bola que a vida nos dá fornecem o tom deste filme, que é, acima de tudo, uma crônica brasileira, ou um conto sobre brasileiros, ou tudo isso junto, ao som de melhor rap da periferia paulistana. Imperdível.

Renato x Falcão

A dupla Gre-Nal vive um momento muito especial em sua história. O comando técnico dos dois clubes está nas mãos de seus maiores ídolos. De um lado, Renato Portaluppi, ou (para além do território rio-grandense) Renato Gaúcho; de outro, Paulo Roberto Falcão. Por uma conjunção de fatores, mas, acima de tudo, por determinação dos deuses do futebol, os dois assumem Grêmio e Internacional na mesma época. Vão se enfrentar, mais ou mais tarde, talvez ainda neste mês de abril pelo Campeonato Gaúcho. Jogadores que se tornaram heróis em seus clubes nas décadas de 70 (Falcão) e 80 (Renato), um com a camisa 5, o outro com a 7, eles são símbolos do melhor da garra, da habilidade e da técnica que o futebol gaúcho e brasileiro é capaz de produzir. Um Gre-Nal com Renato e Falcão nas casamatas (como se chama o reservado dos técnicos e dos reservas no Rio Grande do Sul) vai ser uma experiência e tanto para quem, como este colunista, aprendeu, muito, muito cedo, que só existe um jogo que não se pode, de maneira alguma, perder: o Gre-Nal.

Quem quiser saber mais sobre a carreira desses dois gigantes do futebol brasileiro pode encontrar ótima fonte de informação em dois bons livros: “Histórias da Bola” (Editora L&PM, 1996), escrito por Falcão, e “Renato Gaúcho – Anjo ou Demônio?” (Gryphus Ediotora, 2002), de autoria do jornalista Marcos Eduardo Neves. Boa leitura.

Os músicos e o futebol: algumas (pequenas grandes) histórias

Roger Waters, líder da banda Pink Floyd, certa vez saiu correndo de um ensaio, em Porto Alegre, rumo ao hotel em que estava hospedado, para assistir a um jogo do seu Arsenal do coração.

Humberto Gessinger, cantor e compositor dos Engenheiros do Hawaii, gremista fanático, preferiu desligar a TV e se refugiar no quarto durante a Batalha dos Aflitos, em 26 de novembro 2005. Só ficou sabendo do resultado depois do jogo, por um amigo. E não acreditou.

Elton John gostava tanto de futebol, mas tanto, que acabou comprando um time, em 1976: o Watford FC. Levou o clube, nos anos 70, da Segunda Divisão para a Premier League. Vendeu-o em 1987 e foi seu Presidente até 1997.

Jorge Ben Jor chegou a jogar no infanto-juvenil do Flamengo. Desistiu da carreira de jogador para seguir a de músico. Mas nos presenteou com “Fio Maravilha”, e isso ninguém pode esquecer.

Julio Iglesias foi goleiro das categorias de base do Real Madri. Até que um acidente automobilístico, em setembro de 1963, o fez abandonar o sonho de jogar bola profissionalmente, aos 20 anos.

E tudo isso, claro, sem contar o Politheama, clube fundado por Chico Buarque.

Jogando por música

Mick Hucknall fundou o Simply Red em 1984. O nome da banda é uma homenagem ao Partido Trabalhista inglês e ao Manchester United, clube do coração desse grade cantor e compositor. Mas também tem a ver como o cabelo ruivo de Hucknall, torcedor fanático dos reds (vermelhos) de Old Trafford. Em 1996, para a Eurocopa da Inglaterra, o líder do Simply Red compôs a canção-tema; uma linda música chamada “We’re in this together”. A Inglatrerra não conquistou a Euro 96 (a campeã foi a Alemanha), o Simply Red fez seu último show em dezembro de 2010 (Hucknall segue agora carreira solo), mas “We’re in this together”, assim como dezenas de outras canções maravilhosas compostas pelo ruivo de Manchester, ficará para sempre na memória e no coração de seus fãs. É esta a dica da coluna: “We’re in this togheter”.

Até a próxima.

postado em 30/03/2011

Maldito

Na próxima ida à locadora, procure um filme chamado “Maldito Futebol Clube”. Leve-o para casa e o assista antes ou depois de ver o jogo do seu time. Produzido em 2009, o filme mostra a rápida e conturbada passagem do técnico Brian Clough pelo Leeds United, nos anos 70. Substituindo seu arquirrival Don Revie, Clough conseguiu manter-se 44 dias no comando do Leeds, então um dos times mais poderosos da Inglaterra e da Europa. Paradoxalmente, naquele que seria o melhor momento de sua carreira (saía de um clube modesto, o Derby County, para treinar um gigante), ele enfrentou tudo o que de pior um treinador pode esperar: trairagem de seus jogadores, hostilidade da torcida, fraqueza dos dirigentes, perseguição da imprensa… Competente, marrento e carismático, Clough (interpretado por Michael Scheen) celebrizou-se como um daqueles personagens do futebol que fogem do script, dizem o que pensam, colecionam admiradores e desafetos e, no fim das contas, ajudam a manter a mesmice afastada do futebol – por mais que a retórica politicamente correta tente transformar o mundo do futebol (e o mundo em geral) num grande caldeirão de eufemismos vazios e insossos. “Madilto Futebol Clube”, que foi lançado diretamente em DVD no Brasil, tem, entre outros, o mérito de mostrar, com competência, os bastidores de um clube de futebol e o dia a dia desses sujeitos eterna e universalmente incompreendidos, os técnicos de futebol.

1958, que ano!

O cineasta e jornalista carioca José Carlos Asbeg costuma dizer que o filme “1958 – O Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil” é sua declaração de amor ao futebol brasileiro. Depois que se assiste ao documentário (lançado nos cinemas em 2008 e disponível em DVD), impossível ter qualquer dúvida sobre a sinceridade e o poder dessa linda e rica declaração de amor ao nosso futebol. Com imagens da Copa do Mundo de 1958, a primeira que o Brasil conquistou, e depoimentos de gênios como Didi, Nilton Santos, Pepe, Moacir, Zito, Dino Sani e Djalma Santos, o documentário dirigido por Asbeg é, acima de tudo, uma homenagem aos heróis que foram à Suécia, libertos do complexo de vira-lata (assim definido por Nelson Rodrigues) e arrebataram o mundo com o encanto de sua arte. Arte que o artista Asbeg soube retratar tão bem em seu filme – um clássico que precisa estar nas prateleiras de todos os amantes do futebol. Quanta emoção ao longo dos 85 minutos do filme. Se vierem lágrimas aos olhos, não se constranja. Você não terá sido o único.

Vuvuzelas e jabulanis

Gustavo Farah Corrêa estará na Saraiva Megastore do shopping Rio Sul neste 31 de março, a partir das 19 horas, autografando seu livro “Entre Jabulanis e Vuvuzelas – um registro histórico da primeira Copa do Mundo no continente africano” (Newbook Editora). Imperdível para quem quer relembrar (ou descobrir) fatos marcantes da Copa realizada na África do Sul.

Jogando por música

O futebol e a música sempre fizeram tabelinha perfeita. No Brasil, de Lamartine Babo ao Skank, de Lupicínio Rodrigues a Jorge Ben Jor, o futebol sempre inspirou nossos músicos. No exterior também jamais faltaram compositores que se renderam à magia do futebol, entre eles Rod Stewart, Bob Marley, Mark Knopfler e Mick Hucknall (Simply Red). Com isso, ganhamos, principalmente, nós – torcedores-ouvintes-fãs. A coluna estreia nesta edição a seção “Jogando por música”, sempre trazendo uma dica de música sobre futebol. Para começar, a sugestão é “O Futebol”, de Chico Buarque, uma das canções do disco “Uma Palavra”, de 1995. É ouvir e correr para o abraço.

A camisa canarinho

Na coluna anterior, ao comentar o livro “Contos de Futebol”, escrevi que seu autor, o gaúcho Aldyr Garcia Schlee, é o responsável por nossa seleção usar camisa amarela. E prometi explicar. Como promessa é dívida, e a história é boa, lá vai.

Em 1953, três anos depois da Copa realizada no Brasil e finalizada com a nossa maior tragédia futebolística, o Maracanazzo – nossa derrota para o Uruguai, por dois a um, num Maracanã com 200 mil pessoas – , o jornal carioca “Correio da Manhã” decidiu promover um concurso para a criação do novo uniforme da seleção. Pelas regras da disputa, as propostas deveriam conter as quatro cores da bandeira nacional. O concurso teve 201 participantes e o vencedor foi um desenhista e caricaturista gaúcho de 18 anos chamado Aldyr Garcia Schlee. A CBD (Confederação Brasileira de Desportos), antecessora da CBF, oficializou o uniforme e, a partir de então, nossa seleção jamais voltou a usar o uniforme branco (usávamos camisa, calção e meião brancos com detalhes azuis). Schlee – que mais tarde se tornaria jornalista, escritor, tradutor e professor universitário – ganhou, como prêmio, um estágio no “Correio da Manhã” e o equivalente a R$ 20 mil. Torcedor do Brasil de Pelotas, mora em Capão do Leão, interior do Rio Grande do Sul, e tem mais de 20 livros publicados, entre eles o soberbo “Contos de Futebol”. Foi por causa de Aldyr Garcia Schlee que, desde 1953, somos assim: camisa, cabeça e coração canarinhos.

Promessa cumprida, dívida paga.

Armando Nogueira

Neste 29 de março completou-se um ano da morte de Armando Nogueira. O que dizer que já não tenha sido dito sobre Armando? Haverá, algum dia, um ser humano que use melhor as palavras para expressar seu profundo amor pelo esporte?

Até a próxima.

postado em 15/03/2011 

Com a sua licença

Esta é a minha primeira coluna para o FutRio.net. Fui convidado pelo pessoal da casa para escrever sobre futebol e cultura, e aqui estou. Espero que você goste do que vai encontrar aqui. Ou, se não gostar, que pelo menos ache interessante, de alguma forma. E se peço sua licença para ocupar este espaço e me dirigir a você, acho justo, necessário e de bom tom me apresentar: sou jornalista (há 23 anos) e escritor (tenho dois livros de contos publicados e um romance a ser lançado em maio de 2011, todos eles sobre futebol); nasci em Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul, fui criado em Porto Alegre, moro no Rio há 18 anos, rodo um bocado pelo Brasil e pelo mundo e, de uma forma ou de outra, tento escrever sobre isso tudo. Faço sinceros votos de que este espaço lhe proporcione boa informação e momentos de leitura prazerosa. Vou me esforçar para isso.

Aquele abraço.

Ídolos Eternos

A Maquinária Editora, comandada pelo jornalista Roberto Sander, começou 2011 lançando mais um livro da coleção Ídolos Imortais. “Os dez mais do Vasco”, escrito por Cláudio Nogueira e Rodrigo Tavares, é imperdível para vascaínos, claro, mas também para todos os apaixonados pelo futebol e por sua história.

Os livros já lançados pela coleção, por ordem de publicação, apresentaram os dez mais de Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Fluminense (escrito por Sander, tricolor de coração), Internacional, Botafogo, São Paulo, Cruzeiro e Grêmio, além do Vasco. Ainda serão lançados os livros do Atlético/MG e do Santos.

É bem possível que você discorde das escolhas feitas pelos autores. É provável que você ache que faltou jogador aqui e que aquele ali, aquele cara, pô!, faz favor, jamais poderia estar entre os dez! Mas é o que sempre ocorre com esse tipo de eleição, certo? E exatamente aí reside um dos grandes baratos dessa coleção: a polêmica, elemento intrínseco ao futebol.

Árbitros. Quem são esses caras?

Malucos, alguns responderão. Tipos autoritários, dirão outros. O canal por assinatura SporTV vem apresentando um documentário sensacional, produzido pela UEFA, sobre arbitragem – mais especificamente, sobre arbitragem na Eurocopa de 2008, vencida pela Espanha. O documentário acompanha o trabalho dos árbitros antes, durante e depois dos jogos: a convivência com os colegas nos hotéis, a preparação nos vestiários, a atuação em campo, o retorno aos vestiários (com o invariável extravasamento da tensão acumulada), as reuniões de avaliação de desempenho com os membros da comissão de arbitragem etc. O documentário tem um personagem principal: o inglês Howard Webb, que foi ameaçado de morte por torcedores poloneses por causa de um erro cometido na partida entre Áustria e Polônia, vencida pelos austríacos. As cenas de Webb com seu pai, que o apoia em todos os momentos e demonstra pelo filho um orgulho inabalável, estão entre os pontos altos do documentário.

Roberto Rossetti, árbitro italiano, também tem destaque. No fim, com a TV já desligada, o pensamento que me ocorreu, mais do que qualquer outro, foi este: Esses caras têm coragem. Coragem para encarar um estádio lotado sem poder errar, no meio daqueles jogos em altíssima velocidade; para dominar 22 jogadores em campo, impondo disciplina e respeito; para manter a frieza quando o mundo parece vir abaixo dentro de um estádio de futebol, no qual seus superiores avaliam cada um de seus gestos; e, eventualmente, para absorver ameaças com a recebida por Webb, que, dois anos mais tarde, apitou a final da Copa da África do Sul. Quem são esses caras, afinal? Por que resolvem ser árbitros de futebol? No documentário, há uma pista: o pai de Howard Webb foi árbitro amador. Há coisas no futebol que só mesmo a relação pai-filho pode explicar.

Tenho acompanhado pela TV tantos jogos da Libertadores quanto posso. Sou apaixonado pela Libertadores (característica de todos os gremistas). Há alguma coisa que torna a Libertadores o campeonato mais vibrante de todos. É algo que sinto quando vejo a torcida de um time argentino com suas faixas e seus cantos ininterruptos, os uruguaios com suas bandeiras que não param de tremular, os gremistas com a sua avalanche, os cruzeirenzes fazendo o estádio tremer. Sei lá. Você já notou com que raça os jogadores de um time paraguaio vão para a disputa de qualquer bola? E um jogo entre bolivianos e venezuelanos, como pode se tornar um enfrentamento épico, de tirar o fôlego? E a “hinchada” chilena no Estádio Nacional, gritando o nome daquela jovem revelação do Colo-Colo que está acabando com o jogo? E os equatorianos da LDU e os uruguaios do Penharol se enfrentando no Centenário, numa partida de primeira fase, como se fosse a última de suas vidas? Adoro a Libertadores. Há coisas que só se consegue ver quando times sul-americanos se enfrentam. Uma energia que corre solta de área à área, uma fome, hambre, uma vontade, gana

Bem a propósito disso, fica aqui outra dica de leitura: “Contos de Futebol”, do gaúcho Aldyr Garcia Schlee. Não é um livro novo; foi lançado em 1997, pela editora Mercado Aberto. Encontrá-lo pode dar algum trabalho, mas isso será amplamente recompensado pelo prazer que a leitura certamente irá proporcionar. Poucas vezes na literatura o futebol foi tratado com tanto respeito e tanta paixão. Lendo os contos do Aldyr, é possível entender perfeitamente por que assistir aos jogos dos sul-americanos (em especial de brasileiros e uruguaios) sempre será uma experiência inigualável.

Eu não poderia estrear aqui no FutRio.net sem falar de Aldyr Garcia Schlee, o responsável por nossa seleção usar camisa amarela. Mas sobre isso vamos falar em outra coluna.

Até a próxima.