A Cultura do Futebol
postado em 27/02/2013
Da lateral do campo para o lado de fora do estádio
No início, os torcedores ficavam em volta do gramado. Quase participavam da partida. Quase jogavam. Há algumas imagens clássicas das primeiras copas do mundo que mostram os fãs sentados a alguns centímetros de linha de fundo, assistindo aos jogos.
O futebol cresceu, os estádios ampliaram-se, modernizaram-se, e as arquibancadas passaram a ser o lugar para as pessoas demonstrarem sua paixão pelo jogo e por seus times.
Então, como o ser humano tem um nome a zelar, eventos lamentáveis, alguns deles trágicos, começaram a acontecer.
Na Europa, o ápice ocorreu na cidade belga de Heysel, em 29 de maio de 1985. Liverpool e Juventus disputavam a final da Taça dos Campeões Europeus (atual Liga dos Campeões da Europa). Um tumulto entre os hooligans ingleses e os torcedores italianos resultou em 39 mortes. A partir desse terrível episódio, o jeito europeu de realizar partidas de futebol mudou, com reflexos gradativamente percebidos no mundo todo – em alguns lugares mais, em outros menos. A segurança passou a ser a prioridade número um. Os estádios ficaram menores. Menos espectadores, mais fiscalizados, com menos liberdade de manifestação.
A recente morte do torcedor Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, em consequência do disparo de um foguete sinalizador feito por torcedores do Corinthians, em Oruro, na Bolívia, durante uma partida pela Libertadores da América entre o San José local e o time paulista, teve, entre suas consequências (até agora) a prisão de 12 torcedores do Timão e a decisão da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) de que o clube paulista, no prosseguimento do torneio, mande suas partidas com estádio fechado, vazio, sem torcida.
Ao refletirmos sobre tudo isso – da presença dos “adeptos” na lateral do campo, nos primórdios do futebol moderno, aos dias de hoje, em que eles, como no caso do momento, com os corintianos, são proibidos de ocupar seus lugares nas arquibancadas –, parece-me inescapável a seguinte pergunta: o que é que deu errado?
Arrisco-me a oferecer uma das prováveis respostas: à medida que o futebol – no sentido do jogo em si, da bola rolando, do craque jogando – foi deixando de ser, para uma crescente quantidade dos torcedores (geralmente os “organizados”), a parte mais importante do espetáculo, coisas muito ruins começaram a acontecer.
Da lateral do campo para o lado de fora do estádio, os torcedores de futebol vêm protagonizando uma “linha do tempo” melancólica e preocupante. Por culpa de alguns degenerados e de quem os apoia.
Quando foi que essas pessoas deixaram de entender que o que importa no futebol é… o futebol? Ou será que nunca entenderam? Provavelmente.
Pobre daqueles que amam seus times (de verdade), que veem o torcedor adversário apenas como um rival da hora e não como um inimigo a ser ferido ou morto.
Pobre daqueles que têm de explicar ao filho o motivo pelo qual não poderão ir ao estádio, sentar-se na arquibancada e apoiar seu clube do coração.
Pobre daqueles que, cada vez mais – forçados pelas circunstâncias, pelo medo mais que compreensível –, vivem a experiência do futebol exclusivamente por meio da TV por assinatura ou pela internet.
O futebol, em algum triste momento da história, tornou-se também um para-raios de psicopatas. Onde isso começou? Quando, exatamente? Não sei. O que eu sei é que é preciso salvar o futebol dessa gente. Para que ele continue sendo essa força mágica que transforma homens em meninos e que, nesses meninos, faz aflorar o que há de melhor, de mais puro e transcendente.
postado em 22/01/2013
Chutes
Nesta época do ano, curto o futebol americano. Cada vez mais. E quanto mais entendo as regras e as táticas, mais gosto do futebol americano, que é filho do rugby e neto do nosso futebol, o da bola redonda.
Ao acompanhar os jogos da temporada regular e, sobretudo, dos playoffs, transmitidos no Brasil pela ESPN (que tem os excelentes narradores Everaldo Marques e Rômulo Mendonça e os brilhantes comentaristas Paulo Antunes e Eduardo Agra), vou aprendendo e me divertindo.
É claro que, brasileiro é brasileiro, e, como tal, fiquei muito feliz ao assistir, no antepenúltimo e no penúltimo fins de semana, grandes jogos decididos com… chutes!
O primeiro deles foi Baltimore Ravens contra Indianapolis Colts. Ravens na cabeça. O outro foi Seattle Seahawks e Atlanta Falcons. Deu Falcons. Ambos os jogos tiveram finais dramáticos, e a continuidade dos times em sua caminhada rumo ao Super Bowl (a grande final da NFL, a National Football League, marcada para 3 de fevereiro, em Nova Orleans) foi determinada por field goals, os chutes de três pontos, executados pelos kickers.
Foram momentos em que neto e avô ficaram de mãos dadas – e pés soltos.
Comemorações
Nos jogos de futebol americano, é comum o jogador que acabou de fazer um touchdown (o gol, que vale seis pontos) correr para a torcida que fica atrás da endzone e saltar, de maneira a sentar-se na mureta que separa o campo das arquibancadas e fazer a maior festa no meio dos fãs.
Entre os nossos jogadores de futebol, já há algum tempo virou moda tirar a camisa antes de correr em direção à torcida. Essa atitude é punida pelo árbitro com o cartão amarelo. Mas não quero entrar no mérito da punição. Quero refletir sobre a atitude em si: por que tirar a camisa?
Alguns jogadores ainda seguram a camiseta com uma das mãos e a fazem girar sobre a cabeça. Mas há aqueles que, simplesmente, a abandonam no gramado e saem correndo pelo campo sem ela, geralmente deixando para um companheiro a missão de resgatar o “manto” do desprezo e do esquecimento.
O que isso significa?
No exato momento da apoteose maior de um jogo de futebol, ou seja, a hora do gol e a subsequente comemoração, o sujeito resolve tirar a camisa, a máxima representação do clube que ele defende. Por quê? Será que se pode pensar que, nesse exato momento, tirando a camisa e deixando-a sobre a grama, para trás, largada, o atleta transmite sua mensagem de que é um ser livre, de que nenhum uniforme vai lhe subtrair a individualidade e a personalidade? Sei lá. Às vezes me parece isso. “Não sou de ninguém, pertenço a mim mesmo”, poderia ser a legenda para a foto de um jogador comemorando sem camisa o seu gol.
“É apenas a euforia, o êxtase, a catarse”, alguém poderia dizer. Outros possivelmente observariam que, nestes tempos de busca obsessiva de exposição e vaidade exacerbada, mostrar a musculatura bem definida e a coleção de tatuagens faz parte do show. Outros ainda talvez argumentassem que vivemos o ápice da era do individualismo radical sobrepondo-se à ideia de coletividade.
Sim, é provável que tudo isso esteja envolvido. Normalmente está. Mas será só isso? Euforia e vaidade? Negação do coletivo?
Lembro-me de Pelé em sua comemoração clássica: o salto e o soco no ar. De camisa. Para dentro do calção. Talvez eu esteja apenas ficando velho. Estou, com certeza. Então, deem-me um desconto.
Mas tirar a camisa e jogá-la para trás, para cair não importa onde…
Minha pergunta final: será que o que fica de fato demonstrado nesses casos não é apenas (ou principalmente) a falta de amor ao clube?
Sim, jovens leitores, alguns de vocês podem rir, mas houve uma época em que os jogadores realmente amavam seus clubes.
Cinema
Já que o futebol americano é assunto desta coluna, vamos indicar um filme para aqueles que estão dispostos a conhecer um pouco melhor esse esporte e, claro, assistir ao grande Al Pacino em ação. O filme é Um domingo qualquer (Any given sunday), coestrelado por Jamie Foxx, Dennis Quaid, Cameron Diaz e James Woods e dirigido por Oliver Stone. Nas melhores locadoras do ramo.
Jogando por música
No clima do futebol americano, este “Jogando por Música” dá a dica de Jack and Diane, um clássico de John Mellencamp, de 1982. Na letra dessa belíssima canção, a história de amor vivida por uma garota e um cara que queria virar astro do futebol. Desfrute.
Até a próxima!
postado em 04/12/2012
O fim de ano está aí e, com ele, surgem, inevitáveis, aquelas reflexões típicas da época. (Inevitáveis e típicas pelo menos para mim.)
Os assuntos são os mais variados, porque assim é a vida (tem que ser): multifacetada. Precisamos ter muitos interesses. Certo. Mas aqui, na coluna, vamos falar de futebol. Claro. Reflexões de fim de ano sobre futebol.
Inevitáveis, típicas.
Para o seu aplauso ou para a sua vaia, caro leitor.
Pontos corridos
Amo o futebol. Não vivo sem ele. Comecei a frequentar o já saudoso Olímpico, em Porto Alegre, aos 6 anos de idade. Joguei na escolinha do Grêmio quando eu tinha 13 anos, recebi medalha no gramado principal, do presidente do clube, o grande Hélio Dourado. Os três livros que publiquei na vida são sobre futebol.
Dito isso, quero observar o seguinte: não consigo gostar dessa fórmula de pontos corridos.
É justa? Sim, é. Mas, como todos sabemos, a questão não pode ser resumida a isso. Falta emoção, sobretudo, ao sistema de disputa de pontos corridos.
A cada fim de ano, de 2003 para cá, é a mesma coisa no Brasil: parece que não temos um campeão. Todo ano é assim: o clube campeão não sabe nem mesmo em que momento deve comemorar o título conquistado. Para ficar apenas no caso mais recente: quando, exatamente, o Fluminense comemorou o campeonato?
Será por acaso que os mais importantes torneios do mundo são realizados (ao menos em parte) pelo modelo de jogos eliminatórios (da Libertadores da América à Copa do Mundo, passando pela Liga dos Campeões da Europa e as copas nacionais)?
Quero lançar aqui e agora uma campanha que já nasce inócua e que vai terminar sem começar: a volta ao sistema anterior, com oito clubes passando à fase decisiva e se enfrentando em mata-mata.
Pronto. Falei.
Estádios
No domingo passado, chorei diante da TV. Foi o dia do jogo de despedida do meu amado Estádio Olímpico.
Peço licença aos estimados leitores para publicar aqui o texto de uma coluna que escrevi para o jornal “Fala Bom Fim”, de Porto Alegre. Espero que vocês gostem.
Sobre âncoras e faróis
Escrevo estas linhas no dia que seria o da minha viagem a Porto Alegre para ir ao Olímpico assistir o Gre-Nal que marcará a despedida do estádio. Estou preparado para me emocionar muito. Vou ao Olímpico desde os meus 6 anos, ou seja, desde quando minha família chegou à capital, vinda de Santa Maria, no começo de 1972. Ainda muito guri, portanto, passei a frequentar a casa do nosso amado tricolor, levado pela mão do meu pai, e vi coisas que marcaram não apenas a minha infância, mas toda a minha vida até aqui, quando me aproximo dos 48 anos. No domingo, 2 de dezembro, tão próximo neste momento em que redijo esta coluna, vou torcer pelos nossos jogadores de hoje sem deixar de me lembrar, claro, daqueles que vestiam a camiseta azul, preta e branca nos primeiros anos das minhas idas à arquibancada; heróis que aprendi a cultuar na infância e que, ainda hoje, são protagonistas na minha memória e no meu coração. Nesta hora em que olho para a tela do computador e para a pequena bolsa de viagem sobre o sofá do escritório (que não será usada, porque uma crise de hérnia de disco torna difícil o simples ato de digitar este texto, imaginem então viajar e ir a um jogo como esse), penso na importância simbólica que nossas antigas casas, escolas, ruas e praças e nossos parques, teatros, cinemas e estádios têm em nossa vida. Fico pensando em como esses lugares são, na verdade, muito mais que lugares: são pontos de referência na geografia e na história de nossas cidades e, acima de tudo, âncoras emocionais para cada um de nós; âncoras, sim, e também faróis e portos seguros na imensidão do nosso universo espiritual.
Estádios II
O Olímpico acaba de ser aposentado, para dar vez à espetacular Arena do Grêmio, que será inaugurada neste 8 de dezembro, em jogo contra o Hamburgo, adversário da partida em que o tricolor gaúcho sagrou-se campeão mundial interclubes, em 1983. O Maracanã está nascendo de novo. O Engenhão vai se consolidando, a cada jogo, a cada dia, como parte da paisagem e do imaginário dos torcedores cariocas. O Corinthians, finalmente, vê surgir no horizonte o seu estádio. A antiga Fonte Nova, implodida, dá lugar à moderníssima Arena Fonte Nova. E outros estádios, como a Arena Pernambuco, vão sendo erguidos para a Copa de 2014 e (espera-se) para muito mais.
Pergunto-me (sem expectativa de obter resposta cabal e definitiva): essas transformações, esses nascimentos e renascimentos, essas aposentadorias, como eles cabem em nossa cabeça e em nosso coração? Que efeito, exatamente, isso tem sobre nós, amantes do futebol, torcedores desde sempre? Como isso nos impacta na alma?
Para mim e para a imensa maioria de meus irmãos gremistas, a despedida do Olímpico foi terrivelmente dolorosa, como deve ter sido para muitos aficionados baianos assistir à implosão da Fonte Nova ou para os cariocas acompanhar a demolição da estrutura antiga do Maracanã – mesmo que venha a Arena do Grêmio, ainda que a implosão tenha sido necessária para a chegada da nova Arena Fonte Nova e embora a demolição fosse essencial para o renascimento do Maracanã.
A pergunta feita dois parágrafos acima talvez tenha como única e redentora resposta esta: o TEMPO.
O tempo que se teve e que se aproveitou para curtir o que passou.
O tempo que se vai precisar para que nos acostumemos às nossas novas casas.
O tempo.
Mas é sempre ele, não é mesmo? Em todas as circunstâncias da vida e para todos os efeitos, certo?
O tempo e sua geralmente mal-compreendida capacidade de acalmar, curar e, por fim, seduzir e encantar.
Para (quase) finalizar, compartilho com vocês um pensamento ao qual recorro regularmente, de autoria do poeta e ensaísta Paul Valéry: “As duas maiores invenções do ser humano são o passado e o futuro”.
Estádios III
Para nós, amantes do futebol, estádios são casas, são lares. E nossos times são esquadrões de elite, são nossos punhados de heróis que lutam pela paz e a alegria de nossos corações. Sim. Mas, atenção: acima de tudo isso – estádios, times, campeonatos, títulos, sistemas de disputa – estão (têm que estar!) os clubes.
Precisamos ser torcedores de clube. É a paixão clubística o insumo mais essencial para que o futebol continue sendo essa paixão universal que todos conhecemos e amamos.
São os nossos clubes – sejam seus estádios antigos ou novos, sejam seus times recheados de craques ou de pernas de pau, sejam eles bons no mata-mata ou nos pontos corridos –, enfim, são os nossos clubes a célula mater cuja indestrutibilidade assegurada pela nossa devoção levará o futebol em frente em sua trajetória imortal mundo afora.
A fidelidade e o amor ao CLUBE é o que define os verdadeiros torcedores. Os outros são apreciadores, simpatizantes, fãs – qualquer uma dessas definições que indicam aquele sujeito para quem o futebol jamais terá qualquer relação com seu estado espírito na segunda-feira posterior a uma rodada de campeonato.
Jogando por música
Bom, OK, o clima é de reflexão, mas, para que esta edição da coluna chegue ao fim com uma atmosfera um pouco mais leve, quero indicar, neste “Jogando por Música” o chorinho “Um a zero”, do genial Pixinguinha.
Até a próxima.
postado em 30/10/2012
Há alguns dias, eu estava me preparando para um embarque no Aeroporto Santos Dumont, no Rio, quando chegou a delegação do Fluminense. O tricolor carioca, que está perto de conquistar o Brasileirão de 2012, ia viajar para Belo Horizonte, onde, no dia seguinte, enfrentaria o Atlético, segundo colocado no campeonato. Fred tirava fotos com fãs, Deco ocupava um banco no balcão, ao lado de companheiros que discutiam sobre que tipo de café queriam tomar (expresso, capuccino…). O técnico Abel olhava relógios em uma vitrine e o zagueiro Gum batia papo com um torcedor. Foi então que me lembrei de um conto (inédito) que escrevi em 2010 e que lhes apresento a seguir. Espero que gostem. Até a próxima!
Aeroporto fechado
Hoje eu tenho 44 anos, sou gordo e careca e a minha coleção de sonhos abandonados não para de aumentar. Mas eu me lembro perfeitamente daquele dia quando eu ainda não tinha 10 anos de idade e o aeroporto fechou.
Meu pai e eu estávamos numa conexão, voltando para casa depois de uma viagem a trabalho que ele teve de fazer. Foi a primeira vez que acompanhei meu pai numa viagem a trabalho.
Estávamos a meio caminho de casa, o aniversário da minha mãe era no dia seguinte, meu pai carregava a pasta dele de trabalho e uma sacola de loja com o presente da minha mãe. O sistema de alto-falante informava que o aeroporto estava fechado devido ao mau tempo. Eram exatamente estas as palavras: “O aeroporto está fechado devido ao mau tempo”. Dizer “mau tempo” era um eufemismo, eu concluí depois, muito depois, porque caía uma chuva torrencial, diluviana, e havia ventos de furacão, e o dia virou noite.
Havia muita gente na sala de embarque, todo mundo preocupado, a maioria numa irritação que não parava de crescer. Eu e meu pai conseguimos encontrar uns assentos vagos num canto da sala e nos sentamos lado a lado. Ficamos ali, na expectativa de que o mau tempo passasse e pudéssemos seguir viagem.
Eu estava distraído, imaginando como seria estar lá em cima, voando no meio de uma tempestade daquelas, quando meu pai me cutucou com o cotovelo.
“Você viu quem está aí?”
Eu não entendi a pergunta dele. Fiquei olhando para meu pai com cara de ponto de interrogação.
“Olha lá”, ele disse, sinalizando com movimentos do queixo. “Lá no canto”.
Então eu vi. Era o time da nossa cidade. O nosso time. Olhei para meu pai, fiquei de boca aberta, ele riu do meu espanto. Naquela época, eu só pensava em futebol, não havia nada mais importante para mim. (Quanto a isso minha vida não mudou muito.)
Meu pai começou a identificar os jogadores e ia me dizendo:
“Aquele lá é o Luiz Carlos, o Beto está lá, ao lado dele é o Ney, perto deles é o Flávio, e o Lino…”
Eu tentava acompanhar com os olhos as informações que meu pai me (se) dava. Ele também era louco por futebol. Adorava futebol, o meu pai. Que saudade eu tenho dele.
“Olha lá o Hélio Goulart, o nosso técnico. Grande treinador… E olha lá o Chico, o Clécio, o Miro, o Gabriel, o Vinícius…”
Eu estava olhando para os jogadores, todos eles com camisas, paletós, calças e sapatos iguais. Naquela época, os times viajavam assim, na maior elegância, mesmo em percursos curtos.
Vi que de repente algumas pessoas – passageiros “normais”, que nem eu e meu pai – se aproximavam dos jogadores para pedir autógrafos e conversar. A maioria eram meninos com seus pais, e iam usando guardanapos, contracapas de revistas e bordas de páginas de jornal para recolher os autógrafos.
“Quer ir lá?” – meu pai perguntou e sem esperar pela minha resposta se levantou, me pegou pelo braço e foi me levando por entre a pequena multidão da sala de embarque. Aos poucos, quando chegamos no canto em que estavam os jogadores, fomos tentando nos aproximar, com calma mas sem perder uma oportunidade de dar um passo à frente. Mais alguns instantes e eu me vi, de repente, na frente do João Sérgio, o goleiro do time, titular havia mais de cinco anos. Meu pai tinha me dado uma caneta e um bloco de anotações dele. Aquele bloco me serviu às mil maravilhas! Ao lado do João Sérgio estava o Chico, nosso ponta-esquerda, e na frente dele estava o Adilson, e então eu já havia conseguido três autógrafos no bloco, três! E depois consegui os do Vicente, do Benetti, do Jairo Müller… E consegui encher várias páginas do pequeno bloco do meu pai, até que o movimento de meninos e pais em volta dos jogadores foi diminuindo, foi se acalmando, e então ficamos todos ali, perto dos jogadores, alguns conversando com eles, outros só olhando, embasbacados, e a coisa parecia mais tranqüila àquela altura, uma reunião de velhos amigos, tudo ficou parecendo muito bom, muito bacana mesmo, apesar de estarmos presos num aeroporto devido ao mau tempo.
Ainda ouviam-se risadas e reinava um clima descontraído de confraternização quando começou um murmúrio entusiasmado num ponto um pouquinho mais afastado de onde nós estávamos, e fomos ver o que era, meu pai, eu e mais um bando de gente, incluindo alguns jogadores, e vimos um menino de seus sete ou oito anos batendo bola (uma bola de futebol de plástico, gomos pretos e brancos) com o Vinícius e o Domingues, e foi então que um outro menino, depois outro e outros foram entrando naquela roda improvisada. Outros jogadores, já rindo a valer, se aproximaram – Aldyr, Pedro Torres, Heitor, Jairo Müller, capitão do time, zagueiro da Seleção… –, e o círculo foi aumentando, e meu pai, que estava com a mão no meu ombro, me deu um empurrãozinho nas costas em direção à roda de bate-bola, e foi então que dali a alguns segundos a bola veio para mim e a mandei em direção ao Lino, que a recebeu, fez duas, três, quinhentas embaixadas e passou para um menino ruivo que estava próximo a ele.
Ficamos ali muito tempo, vendo as demonstrações de habilidade dos nossos heróis (o que eles fizeram com aquela bola! O que eles fizeram!!!), ouvindo as brincadeiras que eles faziam entre eles, ouvindo os elogios que eles nos faziam (e que nós, claro, levávamos a sério), e sendo observados por nossos pais, que falavam, sorriam e fotografavam (os que tinham câmeras). E na terceira ou quarta vez que toquei na bola fiz algumas embaixadas e passei a bola para o Juarez, nosso centroavante, nosso grande goleador!, que a recebeu, matou no peito e mandou de cabeça para o Miro, e depois disso me olhou, e balançou a cabeça para cima e para baixo e fez sinal de positivo com os dois polegares, querendo me dizer que aprovava o que eu tinha feito … E ali, naquele exato momento, eu senti que nunca haveria nada mais importante para mim do que o futebol.
Foram muitos passes e embaixadas e risadas e elogios naquela maravilhosa roda de bate-bola até o sistema de alto-falantes informar que o aeroporto não estava mais fechado e que as chamadas de passageiros para os vôos seriam reiniciadas imediatamente. Havia parado de chover e ventar, e o dia tinha ficado claro, apesar de ainda haver algumas nuvens escuras no céu. Seguimos nossa viagem de volta para casa num avião diferente do que estava levando o nosso time. Nós estávamos voltando, eles estavam indo para um jogo que seria realizado no fim de semana.
Eu estava feliz como nunca tinha estado até então. Meu pai só me olhava e sorria.
Algum tempo depois, deitado no meu quarto, após ter contado a uns amigos dos meus pais o que havia acontecido naquele dia no aeroporto, ouvi meu pai dizer para eles que a história não havia sido exatamente como contei, que o episódio no aeroporto não tinha durado mais do que cinco minutos (incluindo os autógrafos), e que eu não tinha tocado na bola uma vez sequer, e que o meu relato era um exagero. Acho que o meu pai pensou que eu já estivesse dormindo, porque falou alto. Ou talvez fosse por causa da bebida (meu pai e os amigos dele sempre bebiam muito uísque quando se encontravam). Meu pai disse que a minha história era “fantasiosa”. Nunca mais me esqueci dessa palavra que meu pai usou e hoje, cada vez que a ouço, parece que o meu dia fica escuro de repente, baixa uma tristeza incontrolável. Mas isso não é o mais importante, claro que não. O que interessa é que me lembro com se fosse hoje daquele dia no aeroporto, me lembro perfeitamente. Eu sei que a minha história não é fantasiosa. Aquilo foi a coisa mais real que aconteceu na minha vida. Eu juro.
postado em 20/09/2012
A série “As capitais mundiais do futebol” vai chegando ao fim. Tem sido uma viagem e tanto. Começamos com Londres, depois fomos a Buenos Aires, estivemos em São Paulo e então Roma, Milão e Turim.
A verdade é que todas as cidades do mundo são “capitais mundiais do futebol”. Assim é para seus moradores (claro). De Madri e Barcelona, polos futebolísticos onde hoje joga a maioria dos campeões da Copa do Mundo de 2010, a Porto Alegre e Belo Horizonte, cidades que abrigam o meu glorioso e amado Grêmio e nosso arquirrival, Internacional, Cruzeiro e Atlético, quatro dos mais importantes clubes brasileiros e mundiais; de Montevidéu, lar dos legendários Peñarol e Nacional, a Paris, Manchester e Munique e seus esquadrões estelares; de Quissamã a Passo Fundo, de Córdoba a Luanda, o futebol está em todos os lugares, configurando-se na mais eficiente e, sobretudo, apaixonante linguagem universal.
Para fechar a série, e como homenagem às cidades mencionadas nas edições anteriores e no parágrafo que precede a este, além de todas aquelas não citadas, mas onde uma bola de futebol um dia já rolou, vamos destacar os principais clubes da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro – berço do Maracanã, terra de adoção de Nelson Rodrigues, João Saldanha e Armando Nogueira e a partir de onde a equipe do FutRio lhe oferece, todos os dias, com alegria e profissionalismo, informações e opiniões que você só encontra aqui.
Desfrute.
Botafogo – Didi, Garrincha, Nílton Santos, Heleno de Freitas, Gérson. Quer mais? Carvalho Leite, Quarentinha, Leônidas da Silva, Jairzinho, Amarildo. Mais? Paulo Valentim, Octávio, Carlos Alberto Torres, Paulo César Caju, Zagallo, Roberto Miranda, Veludo. Suficiente? Bom, ainda tem Manga, Zequinha, Rogério, Mauro Galvão, Marinho Chagas, Nei Conceição, Fischer… O Botafogo, clube que mais cedeu jogadores à Seleção Brasileira em todos os tempos, tem uma longa tradição de revelar grandes craques. Fundado em 1º de julho de 1894, foi campeão brasileiro em 1968 e 1995 e tem 19 conquistas estaduais em seu currículo. Sua casa atual é o Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, com capacidade para 47 mil torcedores. Os saudosos jornalistas João Saldanha (que foi dirigente e técnico do clube) e Armando Nogueira estão entre os mais ilustres torcedores do clube.
Flamengo – Campeão mundial interclubes em 1981, uma vez campeão da Libertadores da América, seis vezes campeão brasileiro da primeira divisão, duas vezes campeão da Copa do Brasil e com 32 campeonatos estaduais no currículo (é o recordista de conquistas do Carioca), o Clube de Regatas do Flamengo tem em Artur Antunes Coimbra, Zico, seu maior herói. Outros gênios da bola que vestiram a camisa rubro-negra (uma pequena amostra): Zizinho, Dida, Evaristo de Macedo, Friedenreich, Leônidas da Silva, Domingos da Guia, Dequinha, Carlinhos, Biguá, Jordan, Yustrich, Gérson, Júnior, Leandro, Raul Plasmann, Andrade, Adílio… Fundado no bairro do Flamengo, na Zona Sul do Rio, em 17 de novembro de 1895, o clube pelo qual o escritor José Lins do Rego era completa e absolutamente apaixonado tem sede na Gávea e seu estádio pode receber até 8.500 torcedores, mas, desde meados dos anos 1990, tem ambientado apenas jogos das categorias de base. Com a reforma em curso no Maracanã, para a Copa do Mundo de 2014, o rubro-negro tem mandado seus jogos no Engenhão.
Vasco da Gama – Fundado em 21 de agosto de 1898, por um grupo de remadores, o Clube de Regatas Vasco da Gama tem entre suas maiores glórias a formação e revelação de alguns dos maiores artilheiros do futebol brasileiro em todos os tempos: Ademir Menezes, Roberto Dinamite, Romário, Pinga… Base da Seleção vice-campeã mundial de 1950, o clube da Zona Norte do Rio é proprietário no legendário Estádio de São Januário, com capacidade para 25 mil torcedores. Ali, o Presidente Getúlio Vargas fez célebres discursos, o principal deles para anunciar a entrada em vigor da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Campeão brasileiro quatro vezes, uma vez campeão de Libertadores (em 1998), com uma Copa do Brasil no currículo, além de um campeonato da Série B (2009) e 22 cariocas, o Vasco já teve sua gloriosa camisa honrada por Danilo Alvim, Eli, Domingos da Guia, Tostão, Tesourinha, Jair Rosa Pinto, Vavá, Amarildo, Heleno de Freitas, Maneca, Dener, Edmundo, Friaça, Chico, Bellini, Barbosa e Fontana, entre tantos outros jogadores extraordinários. Roberto Dinamite, o maior artilheiro vascaíno e recordista em partidas disputadas pelo clube (1.110 jogos), é o seu atual presidente. Rubem Fonseca, um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, é vascaíno de carteirinha.
Fluminense – O clube de coração do escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues foi campeão brasileiro da primeira divisão por três vezes (1970, 1984 e 2010) e vem se apresentando como um dos grandes favoritos à conquista do Brasileiro deste ano. O “Tricolor das Laranjeiras”, no entanto, já enfrentou o calvário do rebaixamento à Série C nacional, divisão da qual sagrou-se campeão em 1999. Levantou uma Copa do Brasil em 2007 e é o segundo clube carioca com maior número de títulos estaduais: 31. Fundado em 21 de julho de 1902, no bairro do Flamengo, na Zona Sul do Rio, tem sua sede no bairro vizinho de Laranjeiras, onde está seu estádio, homônimo, com capacidade para 8 mil torcedores, mas que também, a exemplo do Estádio da Gávea, não recebe jogos de times profissionais há anos. Rivellino, Orlando Pingo de Ouro, Tim, Ademir Menezes, Castilho, Félix (falecido recentemente), Pinheiro, Píndaro, Didi, Gérson, Telê Santana, Artime, Samarone, Edinho, Toninho, Branco, Flávio Minuano, Mickey, Renato Gaúcho, Lula, Doval, Paulo César Caju, Toninho, Marinho Chagas, Carlos Alberto Torres e Dirceu estão entre o jogadores que brilharam com a camisa tricolor.
Bangu – Fundado em 19 de abril de 1904, tem sua casa no Estádio de Moça Bonita, em Bangu, bairro da Zona Oeste do Rio, com capacidade para 9.500 torcedores. O clube foi vice-campeão brasileiro da Primeira Divisão em 1985 e conquistou dois campeonatos cariocas, em 1933 e 1966. Primeiro clube do Rio a escalar um jogador negro (Francisco Carregal, em 1905), tem, entre os grandes ídolos de sua história, Zizinho, Zózimo, Ubirajara Motta, Calazans, Marinho, Ladislau da Guia (maior artilheiro do clube), Mário Tito, Fidélis e Arthurzinho. O clube disputa atualmente a Séria A do estadual do Rio.
Bonsucesso – Sete vezes campeão carioca da Série B (a última em 2011) e uma vez campeão da Série C, o Bonsucesso manda seus jogos no Estádio Teixeira de Castro, com capacidade para receber 10 mil torcedores e localizado em Bonsucesso, bairro da Zona Norte do Rio. Fundado em 12 de outubro de 1903, o clube tem em sua galeria de heróis do passado Leônidas da Silva, Barbosa, Jair Pereira e Antônio Lopes. Túlio Maravilha defendeu o Bonsucesso em 2011. Neste ano, o clube voltou à Série B do Carioca, rebaixado.
Madureira – Clube que revelou ao mundo os cracaços Jair Rosa Pinto e Evaristo de Macedo, o Madureira, da Zona Norte do Rio, também teve o genial Didi em seu elenco. Foi o primeiro clube de Marcelinho Carioca, levado para o Flamengo aos 14 anos. Vice-campeão brasileiro da Série D em 2010, atualmente disputando a Série C do Campeonato Brasileiro e a Série A do Carioca, recebe seus adversários no histórico Estádio de Conselheiro Galvão, com sua modesta capacidade para 3.300 torcedores. O clube foi fundado em 8 de agosto de 1914.
Olaria – Garrincha jogou no Olaria, em1971 e 1972. Romário, também – no infantil, em 1979 e 1980. Fundado em 1º de julho de 1915, no bairro de Olaria, na Zona Norte do Rio, foi campeão brasileiro da Série C em 1981 e duas vezes campeão carioca da Série B. O atual técnico Joel Santana, então zagueiro, jogou no Madureira em 1973, entre duas passagens pelo Vasco da Gama. Jair Pereira, Miguel e Robert também vestiram a camisa azul do Olaria, clube que manda seus jogos no Estádio da Rua Bariri, com capacidade para 5.100 torcedores, e atualmente disputa a Séria A do Carioca.
America – Vivendo mais um momento de crise em sua trajetória de 108 anos (foi fundado em 18 de setembro de 1904, na Tijuca, bairro da Zona Norte do Rio), o clube está ameaçado de rebaixamento à Série C do Campeonato Estadual. O América tem em Edu Coimbra, irmão de Zico, o maior ídolo de sua história. A lista de grandes craques que vestiram o uniforme rubro, porém, é extensa: Danilo Alvim, Leônidas da Silva, Djalma Dias, Maneco, Canário, Plácido, Almir Pernambuquinho, Zagallo, Bráulio, Badeco, Jorginho, Flecha, Luizinho, Belfort Duarte, Alex, Ivo, Robert… Foi campeão carioca sete vezes e conquistou uma Taça Guanabara e uma Taça Rio. Seu estádio é o Giulite Coutinho, com capacidade para 16 mil torcedores.
São Cristóvão – O tradicionalíssimo clube da Zona Norte do Rio, campeão carioca da primeira divisão em 1926 e da segunda em 1965, foi rebaixado este ano para a Séric C. É a primeira que o clube do Estádio Figueira de Melo, disputará a terceira divisão estadual. O São Cristóvão foi o clube que revelou um atacante de nome Ronaldo Nazário, que mais tarde encantou o mundo e tornou-se um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos, celebrizado como Ronaldo Fenômeno.
Portuguesa – A Portuguesa da Ilha do Governador, bairro da Zona Norte do Rio, já teve suas cores defendidas por Vavá, Sabará e Carlyle. Em 1967, Garricha chegou a fechar contrato com o clube, mas não conseguiu jogar, por causa de problemas de joelho. Dona do Estádio Luso-Brasileiro, com capacidade para 15 mil torcedores, a Portugesa da Ilha disputa a Série B do Carioca, divisão da qual sagrou-se campeã em três oportunidades.
Ceres – Clube do bairro de Bangu, fundado em 10 de julho de 1933, manda seus jogos no Estádio João Francisco dos Santos, com capacidade para 3 mil pessoas, e disputa a Série B do Campeonato Carioca. Clube de futebol profissional de 1988, foi campeão da Série C do Carioca em 1990 e vice-campeão estadual da Série B em 1997.
Juventus – Fundado em 11 de agosto de 2006, o clube tem planos de construir um estádio próprio em Campo Grande, bairro da Zona Oeste do Rio. Disputa a Série B do Campeonato Carioca, à qual chegou depois de ter sido vice-campeão da Série C em 2011.
Campo Grande – Campeão brasileiro da Série B (Taça de Prata) em 1982, o clube da Zona Oeste hoje não disputa nenhuma divisão. Uma vez campeão carioca da Série B, o Campo Grande tem, entre os grandes ídolos de sua história, o goleiro Barbosa, Dario (Dadá Maravilha), Cláudio Adão, Edu Coimbra e Elói. Roberto Dinamite defendeu o clube em 1991. Fundado em 18 de junho de 1940, o Campo Grande é dono do Estádio Ítalo del Cima, que tem capacidade para receber 18 mil torcedores.
CFZ – O Centro Futebol do Zico foi fundado em 12 de julho de 1996 pelo maior ídolo da história do Flamengo. Recebe seus adversários no Estádio Antunes, com capacidade para 500 torcedores e localizado no bairro do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. O clube, que foi campeão carioca da Série C em 1997 e 2004 e vice da Série B estadual em 2001, não disputa nenhuma divisão atualmente.
Clubes da região metropolitana do Rio de Janeiro
No Grande Rio, seis clubes se destacam atualmente.
Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João de Meriti e Mesquita, cidades da região metropolitana do Rio, têm três equipes na Série B do Campeonato Carioca e duas na Série A.
Duque de Caxias, Nova Iguaçu e o Audax, clube de São João Meriti, estão na Série A do Campeonato Carioca. O Audax ascendeu à principal divisão do estadual este ano, pela primeira vez, como vice-campeão da Série B de 2012 (vencida pelo Quissamã, equipe do Norte Fluminense).
Artsul, de Nova Iguaçu, Tigres, de Duque de Caxias, e Mesquita disputam a Série B.
Jogando por Música
A dica de seção “Jogando por Música” nesta edição dedicada a clubes cariocas é um clássico chamado “Fio maravilha”, de autoria de um compositor de clássicos chamado Jorge Benjor. Mais do que uma homenagem a um jogador e a um clube, esta canção é uma declaração de amor ao futebol. Portanto, vamos todos desfrutar, independentemente da “fé” que professemos.
Futebol carioca na estante
O Rio de Janeiro não produz, historicamente, apenas grande futebol. Produz também grande literatura sobre o futebol. São numerosas as dicas de títulos que poderíamos oferecer aqui, mas nossa sugestão é que você, leitor, parta em busca de qualquer livro, conto, crônica ou reportagem de Mario Filho, José Lins do Rego, Armando Nogueira, Nelson Rodrigues, João Saldanha, Carlos Drummond de Andrade (que também escreveu sobre futebol), Oldemário Touguinhó, Arthur Dapieve e Sidney Garambone. Que time!
Até a próxima.
postado em 28/08/2012
As capitais mundiais do futebol – Roma, Milão e Turim
Desta vez, diferentemente das edições anteriores, a coluna apresenta não apenas uma, mas três “capitais mundiais do futebol”. São as capitais mundiais italianas do futebol. Três cidades, seis clubes (estamos destacando nesta edição somente os da Série A do futebol italiano) e muita, muita tradição. De Roma, comparecem a Roma e a Lazio; de Milão, o Milan e a Internazionale, e de Turim, o Juventus e o Torino. Na sequência das informações sobre os clubes, oferecemos dicas de música e cinema da terra do calcio. Desfrute.
Roma – Fundado em 22 de julho de 1927, o clube manda seus jogos no Estádio Olímpico de Roma, que tem capacidade para 82 mil torcedores. A Roma conquistou três campeonatos italianos da Série A, um da Série B, nove Copas e duas Supercopas da Itália. Entre os grandes ídolos do passado romanista estão Schiaffino, Carlo Ancelotti, Bruno Conti, Völler, Boniek, Batistuta e os brasileiros Aldair, Juan, Cafu e Toninho Cerezo, além, é claro, do eterno “Rei de Roma”, Paulo Roberto Falcão. O clube, aliás, sempre esteve de portas abertas para os jogadores brasileiros. Do elenco atual, fazem parte Leandro Castán, Taddei, Dodô, Marquinhos e Marquinho.
Lazio – O grande rival da Roma também recebe seus adversários no Estádio Olímpico. Fundado em 9 de janeiro de 1900, a Lazio conquistou, ao longo de sua história, uma Recopa e uma Supercopa Europeia, dois campeonatos italianos da Série A, um da Série B, cinco Copas e uma Supercopa da Itália. Na Lazio, já jogaram Chinaglia, Roberto Mancini, Paul Gascoine, Christian Vieri, Marcelo Salas, Crespo, Simeone e Inzaghi, entre tantos outros grandes craques. Hoje vestem a camisa do clube Miroslav Klose, Mendicino, Ceccarelli, Alvaro González e os brasileiros Hernanes, André Dias, Éderson e Matuzalém.
Milan – O rubro-negro italiano, fundado em 1899, tem sua casa no Estádio San Siro, com capacidade para 81 mil torcedores. O Milan conquistou quatro Campeonatos Mundiais, sete vezes a Liga dos Campeões da UEFA, duas Recopas e cinco Supercopas Europeias,18campeonatos italianos da Série A, dois da Série B, cinco Copas e seis Supercopas da Itália. Já vestiram a legendária camisa milanista Cesare e Paolo Maldini, Franco Baresi, Rivera, Van Basten, José Altafini (o nosso Mazzola), Roberto Baggio, Capello, Giovanni Trapattoni, Franck Rijkaard, Gullit, George Weah e os brasileiros Amarildo, Dino Sani, Leonardo, Dida, Cafu, Kaká, Rivaldo, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Thiago Silva. No elenco atual destacam-se os brasileiros Pato e Robinho e os italianos Montolivo, Ambrosini e Antonini.
Internazionale – A casa da Inter de Milão é a mesma do arquirrival, Milan, mas seus torcedores preferem outro nome: Giuseppe Meazza, que jogou em ambos os clubes mas destacou-se bem mais no clube azul e preto fundado em 9 de março de 1908. A Inter tem em seu currículo três Campeonatos Mundiais, três Ligas dos Campeões da UEFA, 18 Campeonatos Italianos, sete Copas e cinco Supercopas da Itália. Entre os grandes heróis de sua história estão, além de Meazza, Facchetti, Boninsegna, Zenga, Karl-Heinz Rummenigge, Mathäus, Figo, Roberto Baggio, Eto’o, Stankovic, Zamorano, Diego Forlán e Ibrahimovic.
Juventus – Sua casa já foi o Estádio Olímpico de Turim e o Estádio Delle Alpi. Hoje o clube recordista de títulos italianos manda seus jogos no Juventus Stadium, com capacidade para 41 mil torcedores. Fundado em 1º d novembro de 1897, o Juventus já foi defendido por Bettega, Dino Zoff, Cabrini, Gentile, Causio, Vialli, Scirea, Tardelli, Paolo Rossi, Michel Platini, Henry, Zidane. A “Juve”, que tem em seu elenco atual o goleiro Buffon, Pirlo, Marchisio, Lúcio e Simone Pepe, ostenta, em seu glorioso currículo, dois Campeonatos Mundiais, duas Ligas dos Campeões da UEFA, duas Ligas Eurocopa da UEFA, uma Recopa e uma Supercopa Europeia, nove Copas e cinco Supercopas da Itália e nada menos que 28 Campeonatos Italianos da Série A (sendo que conquistou ainda uma vez o Italiano da Série B).
Torino – Fundado em 3 de janeiro de 1906, o Torino tem, em sua longa e rica história, o registro de um acontecimento trágico que até hoje é relembrado pelos aficionados do futebol. Em 4 de maio de 1949, após um amistoso em Lisboa, contra o Benfica, a delegação foi vítima de uma acidente aéreo. Mais de 500 mil pessoas compareceram aos funerais. Faltavam ainda quatro rodadas para o término do Campeonato Italiano daquele ano, e o Torino então foi representado por sua equipe juvenil. Venceu os quatro jogos, contra Gênova, Palermo, Sampdoria e Fiorentina, que, em sinal de respeito, também escalaram times juvenis. A casa do Torino é o Estádio Olímpico da cidade. Já vestiram sua camisa Walter Casagrande, Júnior, Enzo Francescoli, Graziani, Law, Recoba, Dossena, Cesare Maldini e Enzo Scifo. Hoje, seu elenco conta como D’Ambrosio, Cáceres, Pagano, Bianchi e os brasileiros Valério Di Cesare e Willyan. O Torino levantou os troféus de sete Campeonatos italianos da Série A, três da Série B e cinco Copas da Itália.
Jogando por Música
A dica de seção “Jogando por Música” nesta edição dedicada a clubes italianos é “Senza uma Donna”, cantada por Zucchero e pelo inglês Paul Young. Adelmo Fornaciari, o nome de batismo de Zucchero (palavra que, em português, significa “açúcar”), nasceu em 1955, na cidade de Reggio Emilia. Cantor e compositor de rock, Zucchero chegou a jogar como goleiro no Reggiana, clube de sua cidade natal, que hoje disputa a Série C do Campeonato Italiano. Taffarel jogou no Reggiana em 1993 e 1994 e, naquela ocasião, ajudou o clube a se manter na Série A. Aí está, portanto: Zucchero e Paul Young, com “Senza uma Donna” (ou “Without a Woman”, “Sem uma Mulher”). É só curtir.
Sergio Leone
Ele foi o responsável pela popularização do gênero “Western Spaghetti” e pelo lançamento do ator Clint Eastwood. Nascido em Roma, em 1929, e falecido em 1989, o diretor de cinema Sérgio Leone foi o realizador da chamada “Trilogia dos Dólares”, formada pelos filmes “Por um Punhado de Dólares”, “Por uns Dólares a Mais” e “Três Homens em Conflito”. Mais adiante, lançou o clássico “Era uma Vez no Oeste” e, depois, presenteou o mundo com “Era uma Vez na América”, um épico sobre a máfia. Confira cenas de filmes de Sergio Leone, uma lenda do cinema mundial.
postado em 16/07/2012
As capitais mundiais do futebol – São Paulo
O futebol paulista está em alta – o futebol paulistano, sobretudo. O Corinthians acaba de conquistar sua primeira Libertadores da América e o Palmeiras, sua segunda Copa do Brasil. Nada mais justo, portanto, que, na sequência da série “As capitais mundiais do futebol”, a coluna homenagear São Paulo.
Com a ascensão da Portuguesa de Desportos à Série do A do Brasileirão, em 2011, todos os quatro maiores e mais tradicionais clubes de Sampa (São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Portuguesa) estão na Primeirona nacional.
Mas não existem apenas eles na capital paulista, como você verá. Há um certo clássico “Juvenal Paulista” que tem muita história e segue provocando fortes emoções.
Estamos destacando os clubes da capital, mas é claro que não poderíamos deixar de incluir nesta edição o grande Santos Futebol Clube, cuja sede fica na cidade de Santos, onde está localizado o maior porto do país. E também fazemos uma sucinta porém sincera homenagem às agremiações da região metropolitana da capital.
Então, aí está. Depois de Londres e Buenos Aires, chegou a vez de São Paulo. Divirta-se e conheça um pouco mais sobre alguns dos clubes que de forma mais significativa contribuíram e continuam contribuindo para a (permanente) construção do “País do Futebol”.
São Paulo Futebol Clube – Fundado em 25 de janeiro de 1930 (e refundado em 16 de dezembro de 1935), o “Tricolor do Morumbi” é dono do segundo maior estádio do Brasil. O Cícero Pompeu de Toledo, Morumbi, é o maior estádio particular do país. Inaugurado em 1960, tem hoje capacidade para receber 67.428 torcedores. O São Paulo conquistou 21 Campeonatos Paulistas, seis Brasileiros, três Libertadores e três Mundiais (em 1992, 1993 e 2005). Entre os grandes ídolos de sua história estão Poy, Noronha, Bellini, Bauer, Pedro Rocha, Zizinho, Canhoteiro, Leônidas da Silva, Friedenreich, Pablo Forlán, Careca, Raí e Kaká.
Sociedade Esportiva Palmeiras – O atual campeão da Copa do Brasil foi fundado em 26 de agosto de 1914. Seu estádio é o Palestra Itália, que, antes das obras de reforma e ampliação elas quais passa hoje, tinha capacidade para 27.650 pessoas. O Palmeiras foi campeão da Libertadores em 1999 e conquistou oito Brasileiros, sendo quatro na nova fase (a partir de 1971): 1972, 1973, 1993 e 1994. Em seu currículo tem 22 campeonatos Paulistas e um campeonato da Série B. Em sua galeria de heróis, encontram-se nomes como Julinho Botelho, Djalma Santos, Djalma Dias, Dudu, Ademir da Guia, Leivinha, Marinho Peres, Chinesinho, Jair Rosa Pinto, Mazzola, Servílio, Oberdan Cattani, Valdir de Moraes e Leão.
Sport Club Corinthians Paulista – Seu primeiro estádio está em construção: a Arena Corinthians fica no bairro de Itaquera, terá capacidade para 65.200 torcedores e sediará o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014. O nome do clube foi inspirado no do Corinthian FC, de Londres, que excursionava pelo Brasil e era chamado pela imprensa de Corinthian’s Team. O vencedor da Libertadores de 2012 já conquistou 26 campeonatos Paulistas, cinco Brasileiros, três Copas do Brasil, um Brasileiro da Série B e foi o primeiro campeão do Mundial de Clubes da Fifa (em 2000). Craques como Domingos da Guia, Rivellino, Sócrates, Dino Sani, Servílio, Oreco, Gilmar dos Santos Neves, Ado, Tupãzinho, Baltazar, Basílio, Zenon, Casagarande, Palhinha e Ronaldo Fenômeno estão entre os grandes craques que honraram a camisa e a tradição do Corinthians.
Associação Portuguesa de Desportos – A Lusa foi fundada em 14 de agosto de 1920 e sua casa é o Estádio do Canindé, com capacidade para 22 mil torcedores. O clube voltou à Série A do Brasileirão em 2012, depois de ter conquistado o campeonato da Série B no ano anterior. A Portuguesa, que venceu três campeonatos Paulistas da primeira Divisão, um da Segundona estadual e foi vice-campeã brasileira da Série A em 1996, revelou o grande craque Dener e teve no atacante Enéas um dos maiores símbolos de sua história. Ambos faleceram ainda jovens. Augusto, Badeco, Basílio, Batatais, Dicá, Djalma Santos, Ipojucan, Julinho Botelho, Leivinha, Marinho Peres, Noronha, Pinga e Roberto Dinamite são alguns dos grandes jogadores do futebol brasileiros que vestiram a camisa da Lusa.
Clube Atlético Juventus – O “Moleque Travesso” (apelido que lhe foi conferido por causa de suas muitas vitórias sobre os grandes de São Paulo) foi fundado em 20 de abril de 1924 pela colônia italiana no bairro da Mooca. Seu estádio é o Conde Rodolfo Crespi, mais conhecido como Rua Javari, com capacidade para 4 mil pessoas. O Juventus, que disputará em 2013 a Série A2 (Segunda Divisão) do Campeonato Paulista, já foi campeão da Série B do Brasileiro em 1983. Julinho Botelho, César Luiz Menotti, Oberdan Cattani e Thiago Motta jogaram no clube.
Nacional Atlético Clube – Fundado em 16 de fevereiro de 1919, o Nacional faz contra o Juventus o clássico “Juvenal Paulista”. Seu estádio é o Nicolau Alayon, que pode receber até 12 mil torcedores. Atualmente disputa a Série B (Quarta Divisão) do Campeonato Paulista. O clube revelou Deco, um dos grandes destaques do atual elenco do Fluminense.
Na Grande São Paulo…
Alguns dos muitos clubes da região metropolitana de São Paulo surpreenderam o Brasil e o continente, como o São Caetano (principalmente este) e o Santo André. O São Caetano foi vice-campeão brasileiro em 2000 e 2001e chegou à final da Libertadores de 2002, vencida pelo Olímpia, do Paraguai. Dois anos depois, o clube foi campeão paulista. O Santo André, por sua vez, conquistou uma Copa do Brasil. Grêmio Barueri, Grêmio Osasco, Esporte Clube São Bernardo, São Bernardo Futebol Clube e Associação Desportiva Guarulhos são alguns dos outros clubes da Grande São Paulo.
Em Santos…
Santos Futebol Clube – Único clube do Brasil a conquistar no mesmo ano (1962) um título estadual, um nacional, um continental e um mundial, o Santos revelou ao mundo o maior jogador de futebol de todos os tempos: Edson Arantes do Nascimento, Pelé. O Rei do Futebol começou sua carreira no clube em 1956, aos 16 anos. A galeria de grandes ídolos, no entanto, é grande: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pepe, Calvet, Danilo, Mauro Ramos, Orlando Peçanha, Ramos Delgado, Clodoaldo, Marinho Peres, Gilmar, Rodolfo Rodríguez e Cejas estão entre aqueles que defenderam o “Peixe”, que hoje tem em seu esquadrão dos jogadores extraclasse: Neymar e Paulo Henrique Ganso. O Santos conquistou cinco Taças Brasil entre 1961 e 1965 e um Torneiro Roberto Gomes Pedrosa em 1968 (ambas as competições equivalentes ao atual Campeonato Brasileiro); e mais 20 Paulistas, dois Brasileiros da nova fase (2002 e 2004), uma Copa do Brasil, três Libertadores e dois Mundiais. Em Santos, faz os “clássicos” locais contra a Portuguesa Santista e o Jabaquara.
Jogando por música
Nesta edição da coluna sobre os clubes de São Paulo, quantas indiçações de “Jogando por Música” poderiam ser mais apropriadas que Adoniran Barbosa? Pois aqui está: “Coríntia, Meu Amor é o Timão”, de autoria do grande Adoniran e de Juvenal Fernandes. Samba e futebol, juntos, para emocionar.
Livros sobre o futebol de São Paulo
Para os interessados em boa literatura sobre esporte e em aprofundar conhecimentos sobre o futebol paulista, aí vão algumas dicas de livros.
“O Grande Jogo!” – de Celso Unzelte e Odir Cunha (Editora Novo Século)
“São Paulo Campeão” – de Ingo Ostrovsky (Editora Francisco Alves)
“Corinthians x Palmeiras” – de Antonio Carlos Napoleão (Editora MAUAD)
“Rei Enéas, um Gênio Esquecido” – de Luciano Ubirajara Nasser (Expressão & Arte Editora)
Até a próxima!
postado em 15/06/2012
As capitais mundiais do futebol – Buenos Aires
Na sequência da série “As capitais mundiais do futebol”, esta edição da coluna tem como protagonista Buenos Aires.
São sete clubes da capital na “Primera Nacional”, a Primeira Divisão do futebol argentino: Boca Juniors, Vélez Sarsfield, Argentinos Juniors, San Lorenzo, All Boys, Racing e Independiente. (Estes dois últimos têm sua sede em Avellaneda, cidade da região metropolitana de Buenos Aires).
Na “Primera B Nacional”, a Segundona, são quatro clubes portenhos. Um deles é o glorioso River Plate, rebaixado em 2011. Ao lado dele estão o Huracán, o Ferro Carril Oeste e o Atlanta como representantes da capital federal.
Cinco clubes de Buenos Aires disputam a “Primera B Metropolitana”, a Terceira Divisão do futebol nacional: Comunicaciones, Defensores de Belgrano, Estudiantes, General Lamadrid e Nueva Chicago.
Outros três jogam na “Primera C Metropolitana”, a Quarta Divisão: Deportivo Español, Excursionistas e Sacachispas.
E quatro times da capital fazem parte da “Primera D Metropolitana”, a Quinta Divisão nacional: Deportivo Paraguayo, Deportivo Riestra, Yupanqui e Victoriano Arenas, este de Avellaneda.
Boca Juniors – Fundado em 3 de abril de 1904, é o clube de maior torcida da Argentina. Seu estádio é o mítico La Bombonera, inaugurado em 1940. Tem capacidade para 49 mil pessoas e está localizado no bairro de La Boca. O clube conquistou três campeonatos mundiais interclubes (1977, 2000 e 2003), seis Libertadores da América, duas Copas Sul-americanas e 30 campeonatos argentinos, entre outros títulos. O maior ídolo de sua história é Diego Armando Maradona (“cria” do Argentinos Juniors mas apresentado ao mundo pelo Boca). Pelo clube passaram os craques brasileiros Domingos da Guia, Heleno de Freitas, Dino Sani e Almir “Pernambuquinho” Albuquerque.
Racing – De uma coisa pode-se ter certeza quando se fala do Racing: sua torcida sabe demonstrar o amor que tem pelo clube. Foi assim quando, em um processo que atingiu seu ápice em 1999, o grande Racing de Avellaneda teve de pedir falência. Seu reerguimento teve a participação direta e decisiva de sua “hinchada”, que o transformou no primeiro clube argentino a ser administrado por uma empresa, a Blanquiceleste S.A. Fundado em 25 de março de 1903, o Racing conquistou um campeonato mundial (1967), uma Libertadores, uma Supercopa e sete campeonatos argentinos. Seu estádio chama-se Juan Domingo Perón, foi inaugurado em 1950 e é capaz de receber 64 mil torcedores. O zagueiro Perfumo, um dos grandes ídolos da história do clube, jogou no Cruzeiro. O goleiro Cejas, outro herói do Racing Club, defendeu o Santos e o Grêmio.
Independiente – O maior vencedor da história da Libertadores da América, com sete conquistas em sete finais disputadas, o Independiente tem seu estádio localizado a metros do de seu arquirrival, o Racing. Com capacidade para receber 36 mil pessoas, o Estádio Libertadores de America passa por obras e, em breve, poderá acolher 48 mil torcedores. Além das sete Libertadores, o clube conquistou dois mundiais (1973 e 1984), duas Supercopas da Libertadores, um Copa Sul-americana e 16 campeonatos argentinos. Burruchaga, Bochini, Pastoriza, Bertoni, Yazalde e Diego Forlán estão entre os maiores ídolos do clube.
San Lorenzo – Sediado no bairro Boedo, que à época da fundação do clube (1908) fazia parte do bairro de Almagro, o SanLorenzo manda seus jogos no estádio Nuevo Gasometro, com capacidade para 43 mil torcedores. O clube conquistou uma Copa Mercosul, uma Copa Sul-americana, 14 campeonatos argentinos da Primeira Divisão e dois da Segunda. No clube foram formados (ou por ele passaram) jogadores que, mais tarde, fariam sucesso em clubes brasileiros, casos de Fischer (Botafogo e Vitória), Doval (Flamengo e Fluminense), Saja (Grêmio) e Loco Abreu (Botafogo). O ex-jogador do São Paulo e da Seleção Brasileira e atual técnico Silas jogou no San Lorenzo.
Vélez Sarsfield – Daniel Willington, que Pelé chegou a considerar o melhor jogador do mundo, e Carlos Bianchi, o maior artilheiro da história do clube, hoje técnico, estão entre os maiores ídolos do Vélez. Fundado em 1º de janeiro de 1910, o clube tem, em seu currículo, um campeonato mundial interclubes (1994), uma Libertadores e oito campeonatos argentinos. Seu estádio é o José Amalfitani, com capacidade para 49.600 pessoas, localizado no bairro Liniers.
Argentinos Juniors – Grande celeiro craques, tem entre suas “crias” o maior jogador argentino de todos os tempos: Diego Armando Maradona, que dá nome ao estádio do clube. O Argentinos Juniors também formou José Pekermann, Juan Roman Riquelme, Fernando Redondo, Juan Pablo Sorin (ídolo da torcida do Cruzeiro), Esteban Cambiasso e Sérgio Batista, este o recordista de partidas pelo clube (272). Inaugurado em 2003, o Estádio Diego Armando Maradona fica no bairro Villa Mitre e pode receber até 24.600 torcedores. Fundado em 15 de agosto de 1904, o “semillero”, como é chamado o Argentino Juniors, conquistou uma Libertadores (1985) e seu último título nacional da Primeira Divisão foi o Clausura de 2010.
All Boys – O clube, fundado em 15 de março de 1913 e sediado no bairro Floresta, voltou à primeira Divisão em 2010, depois de 30 anos na Segundona. Tem em seu currículo um título da Segunda Divisão (1972) e cinco da Terceira. Sua casa é o Estádio Islas Malvinas, com capacidade para 19 mil espectadores.
River Plate (por supuesto não é porque ele está de passagem pela “Primera B Nacional” que deixaríamos de destacá-lo aqui) – Seu atual presidente é um dos maiores ídolos do clube: Daniel
Passarella, capitão da Seleção campeã mundial em 1978. O clube é o recordista de títulos nacionais: 34. Conquistou um mundial (1986) e duas Libertadores. Seu estádio, o Monumental Antonio Vespúcio Liberti, mais conhecido como Monumental de Nuñez (nome do bairro em que está situado), foi palco da final da Copa do Mundo de 1978 e tem capacidade para 66.500 torcedores. Fundado em 25 de maio de 1901, no bairro de Belgrano, o clube viveu o pior momento de sua história em junho de 2011, ao ser rebaixado para a “Primera B Nacional”, depois de ser derrotado pelo Lanús, por dois a um, em casa, e fracassar na disputa de uma repescagem contra o Belgrano, de Córdoba. Foram duas partidas: o River perdeu a primeira, em Córdoba, por dois a zero, e empatou a segunda, em Buenos ires, um a um. Tumultos foram registrados em Nuñez e no centro de Buenos Aires. Mas o time vai bem na “Primera B Nacional”. Entre os principais nomes de sua historia estão Di Stéfano, Kempes, Fillol, Gallego, Alonso, Francescoli e Ortega, além de Passarela, que, no clube, foi jogador, técnico e agora é o principal mandatário.
Jogando por música
Em homenagem à Argentina e, em especial, a Buenos Aires (e também ao River Plate, dirão os mais irônicos), a dica da seção “Jogando por música” desta vez é “Cuando pase el temblor” da banda Soda Stereo. Formada em 1982, em Buenos Aires, a banda chegou ao fim em 1997 e voltou a se reagrupar em 2007 para uma única turnê, deixando para sempre seu nome gravado como um dos mais importantes do cenário do rock argentino e continental. Desfrute.
Até a próxima!
postado em 26/05/2012
As capitais mundiais do futebol – Londres
A coluna inaugura nesta edição a série “As capitais mundiais do futebol”. A cada número, vamos falar de uma cidade que, pela quantidade e, sobretudo, pela importância de seus clubes, conquistou lugar de destaque no cenário futebolístico mundial. Começamos por Londres, capital da Inglaterra, país onde o futebol foi inventado. São 14 clubes. Atualmente, cinco estão na Primeira Divisão (a badalada “Premier League”); três estão na Segunda Divisão; três na Terceira; e os outros três na Quarta. Veja a seguir a relação completa dos clubes de futebol londrinos nas quatro divisões, e, na sequência, algumas curiosidades a respeito das equipes da cidade que estão na elite inglesa.
Primeira Divisão (“Premiere League”)
Arsenal, Chelsea, Tottenham Hotspur, Fulham e Queens Park Rangers
Segunda Divisão
Crystal Palace, Millwall e West Ham United
Terceira Divisão
Brentford, Charlton Athletic e Leyton Orient
Quarta Divisão
Wimbledon, Barnet e Dagenham & Redbridge
Chelsea – Os “Blues” que acabaram de conquistar a Liga dos Campeões da Europa, possuem também quatro campeonatos ingleses, seis Copas da Inglaterra e quatro Copas da Liga Inglesa. Em âmbito continental, ganharam duas Recopas Europeias e uma Supercopa Europeia. O clube, fundado em 1905, manda seus jogos no estádio Stamford Bridge. Ruud Gullit, Glenn Hoddle, Peter Bonetti, Gianfranco Zola e o zagueiro brasileiro Alex (hoje no Paris Saint German) já defenderam as cores azul e branca do Chelsea, onde jogam hoje os brasileiros David Luiz e Ramires. Luiz Felipe Scolari teve uma passagem como técnico do clube, em 2008. Não foi uma experiência muito bem sucedida para o campeão mundial Felipão, que teve de enfrentar a resistência de alguns jogadores do elenco, entre eles o alemão Michael Ballack.
Arsenal – Fundado em 1886, foi campeão inglês 13 vezes, conquistou a Copa da Inglaterra em 10 ocasiões, a Copa da Liga Inglesa em duas e tem em seu currículo uma Recopa Europeia. Sua casa é o Emirates Stadium, no norte de Londres. Já vestiram o uniforme do clube jogadores da categoria de Pat Jennings, Ian Wright, Dennis Bergkamp e Thierry Henry, que está de volta, para alegria da fanática família dos “gunners”. O brasileiro André Santos faz parte do atual elenco. Denilson e Wellington Silva, também jogadores do clube, estão emprestados, respectivamente, ao São Paulo e ao Levante.
Tottenham Hotspur – Clube com forte influência judaica ao longo de sua história, o Tottenham nasceu em 1882. Seu estádio é o White Hart Lane, no norte de Londres, e, em sua sala de troféus, estão expostas as taças de uma Recopa Europeia, duas Copas da UEFA, dois campeonatos ingleses, oito Copas da Inglaterra e quatro Copas da Liga Inglesa. O goleiro Gomes e o meio-campo Sandro são os brasileiros do atual elenco.
Fulham – O clube pelo qual passaram Bobby Robson, Bobby Moore e George Best foi fundado em 1879 e recebe seus adversários no estádio Craven Cottage. O Fulham levantou em uma oportunidade a taça da Copa da Liga Inglesa, foi campeão da Segunda Divisão duas vezes, da Terceira Divisão uma vez e da Quarta Divisão em uma ocasião. Atua hoje no clube o atacante brasileiro Felipe Afonso.
Queens Park Rangers – O clube foi campeão da Segunda Divisão duas vezes e da Terceira outras duas; tem uma Copa da Liga Inglesa em seu currículo. Sua história começou em 1882. Do elenco atual faz parte o zagueiro brasileiro Bruno Perone. O estádio do “QPR” é o Loftus Road.
Jogando por Música
E já que a estreia da série trata dos clubes de Londres, nada mais justo e coerente que indicarmos aqui, em “Jogando por Música”, a canção de um músico (e que músico!) da terra – e que, ainda por cima, é maluco por futebol. Em 2006, Roger Daltrey, vocalista da legendária banda The Who, apresentou-se no intervalo do jogo Arsenal x Wigan. Torcedor fanático do Arsenal, Daltrey cantou “Highbury Highs”, uma bela homenagem ao velho estádio dos “gunners”, prestes a ser demolido. De arrepiar, clique aqui e veja.
“Literatura na Arquibancada”
Uma dica muito especial da coluna: os interessados na tabelinha entre futebol e livros têm uma parada obrigatória (e muito prazerosa) no endereço www.literaturanaarquibancada.com Comandado pelo jornalista André Ribeiro, o blog mostra como a bola e as letras podem trocar passes perfeitos. André é autor dos livros “Diamante Eterno – Biografia de Leônidas da Silva, “Fio de Esperança – Biografia de Telê Santana” e a “A Magia da Camisa 10” (este em parceria com Vladir Lemos), entre outros. Não deixe de dar uma passada no site. Você com certeza vai querer voltar muitas vezes a essa arquibancada mágica e emocionante.
Até a próxima.
postado em 10/01/2012
Um conto de futebol
O ano novo está aí, à nossa frente, à nossa disposição, um ano novinho em folha, folha branca, para escrevermos nela o que quisermos – e pudermos. A você, estimado leitor, um feliz 2012, repleto de realizações e alegrias, com muita saúde e paz.
Esta primeira coluna de 2012 traz um conto de minha autoria: “O Homem na Arquibancada”. Espero que você goste. É uma singela homenagem aos nossos ídolos de ontem, de hoje e de sempre,e a você, torcedor apaixonado por futebol.
O Homem da Arquibancada
O homem está de pé na arquibancada de cimento vendo o velho ídolo acenar da pista atlética e ser aplaudido pelo estádio lotado. O homem na arquibancada está acompanhado do filho e o lugar que ocupam agora é muito próximo do lugar em que, muitos anos antes, 36 anos exatamente, o homem na arquibancada e seu próprio pai assistiram ao ex-jogador gordo e grisalho que estava agora acenando da pista atlética acabar com um jogo e humilhar os adversários com dribles impossíveis e gols que se eternizaram na memória de todos os que estavam lá como lendas aprendidas em certa idade e que são levadas para o túmulo.
Ao lembrar-se do pai, e ao olhar para o filho, agora ao seu lado, e ao aplaudir seu velho ídolo, que caminha com lentidão pela pista, o homem na arquibancada pensa que não é possível que isso, essa cena, essa situação, não tenha um significado especial, mas por fim ele se convence que não, que não há ali nenhum significado especial, é apenas o tempo passando, apenas isso, o tempo passando, e a vida acontecendo, a vida passando, e talvez isso seja exatamente o que existe de especial.
O velho ídolo acena mais algum tempo, posa para fotografias e então desce pelo túnel dos vestiários. O velho ídolo, usando uma camisa número 9, de centroavante, com seu nome às costas, presente do clube, acena e sorri, mas o caminhar é cansado, como se suas pernas arqueadas já não oferecessem mais a base necessária para o peso do corpo. E é então que o filho, batendo de leve no ombro do homem na arquibancada, lhe diz para se sentar (“Senta, pai, senta”), que o jogo já vai começar (“O jogo já vai começar”), e que essa é uma partida que eles têm de vencer de qualquer maneira, porque é a única forma de seguirem vivos no campeonato, seguirem vivos, é o que o filho diz, seguirem vivos, e isso é o que importa, talvez isso seja tudo o que interessa, seguir em frente, em frente, em frente.
Jogando por Música
Há muita polêmica envolvendo esse tema. Uns garantem que os quatro rapazes de Liverpool não se interessavam muito por futebol; outros dizem que Paul McCartney torce pelo Everton, que John Lennon era Liverpool, que Ringo é fã do Arsenal e que George Harrison… bom, que George realmente não estava nem aí para o jogo. O fato é que os Beatles eternamente baterão um bolão no coração de todos os que tiveram a sorte de conhecer sua arte e sua magia. A dica desta primeira coluna de 2012 é “Blackbird”, uma canção magistral do quarteto que nasceu no país dos inventores do futebol e ganhou o mundo – para sempre.
Valeu, Doutor
“É claro que jogaremos para vencer, mas sempre há o risco de sermos derrotados. Importante é trabalharmos com dedicação e vontade – assim, estaremos satisfeitos, independente do resultado”.
Sócrates, na edição de 31 de dezembro de 1981 da revista “Placar”.
Até a próxima.
>> Acesse aqui o conteúdo desta coluna em 2011 <<
http://futrio.net/wp/48307-furando-a-rede








